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terça-feira, 12 de maio de 2015

Geografia Humana - mais uma visão.




Somos já tantos, nós, os humanos, que já merecíamos ser considerados como um “mar de gente”, um oceano humano. Se somarmos a biomassa humana obteremos um numero aproximado de 562.500.000.000 [1]de quilos. Nem os dinossauros deveriam ter tanta biomassa apesar de serem tão estupidamente enormes: Eram mais pesados, bem mais, mas não eram tantos quanto a nossa humanidade senão teriam comido todas as florestas do planeta. Graças à natureza da qual nos originamos, possuímos um mecanismo de autocontrole de natalidade que funciona mais ou menos assim: Imaginemos uma área controlada de onde animais não possam sair. Neles vivem apenas a vegetação, antílopes e leões. Os antílopes se desenvolvem porque há muita comida e os leões também porque têm muitos antílopes para caçar. Na medida em que a vegetação começa a faltar, a quantidade de antílopes baixa também e em decorrência a quantidade de leões. Numa situação extrema, uma grande seca contínua por alguns anos extinguiria antílopes e leões por falta de comida.



Nossa humanidade, embora digam que é “semelhante” a Deus, feita à sua imagem, não é não. É exatamente como qualquer outro ser vivo que depende da vida neste planeta. Pode extinguir-se do mesmo modo, não temos nada de diferentes dos outros animais no quesito “viver”. Devem ter dito e escrito essa linda frase da semelhança para nos fazerem subir o ânimo, colocar-nos num patamar intermediário entre toda a vida na Terra e deus, de forma a nos entendermos como “gente importante” e podermos entender os sacerdotes que nos disseram isso e que se diziam intermediários entre deus e os demais seres humanos. Rendeu-lhes próspero negócio com pombas, rezes, e notas farfalhantes de gordos dinheiros, dos quais, os sonantes, em moeda, pertenciam a César. Notas de dinheiro é coisa recente gerada pela inflação dos dízimos. Mas voltando à nova geografia: Merecemos uma nova geografia para incluir neste planeta o mar de gente em que esta humanidade se transformou desde quando não passava de uma pequena tribo de símios arborícolas que tiveram que se pôr de pé para ficarem com a cabeça acima da vegetação rasteira e perscrutar os horizontes à procura de possíveis predadores que os pudessem comer. Nossa humanidade já foi alimento de muitos predadores. O medo subjacente que lhe ficou desses predadores é tanto e tão enraizado no nosso DNA, que pessoas que nunca viram uma cobra ou um rato, quando alguém grita: “COBRA!”, foge ou fica estática, congelada pelo medo, sua frio, passa mal. Quando gritam “rato”, sobem em cima de cadeiras, sofás e mesas. E nossa humanidade decidiu acabar de vez com todos os predadores maiores. Está quase conseguindo, “herdando” assim o planeta.



Sem predadores, a terra da Terra foi ocupada, ampliaram-se as áreas de cultura, mais alimento ficou disponível, e a biomassa da humanidade aumentou em progressão geométrica. Somos agora cerca de 7,5 bilhões de seres humanos pesquisando como se pode cultivar mais para alimentar mais, num planeta que não estica. Somos muito inteligentes para procurarmos novas formas de produzir mais alimentos, em patamares, em garrafas “pet”, através de modificações genéticas, e qualquer dia estaremos enchendo oceanos de plataformas com terra para aumentarmos a área de cultivo, o que seria um desastre ecológico para as plataformas marinhas. Mas somos tão falta de inteligência que não conseguimos controlar nossa própria natalidade sem auxílio dos antigos predadores. Sem termos quem nos coma, estamos em risco de nos comermos uns aos outros em guerras, em epidemias, por falta de camada de ozônio, por falta de ar, água...Políticos e comerciantes dizem que quanto maior a população, maior o desenvolvimento industrial e comercial, maior a coleta de impostos, mais o país cresce. É por aí que estamos indo. O problema é que para tudo há um limite e ainda não aprendemos qual é o nosso limite. Somos uma humanidade jovem que pensa como os jovens: Para tudo se dá um jeito. Basta pensar... E por vezes, já em pleno afã de realizar o tal jeito, se defronta com impossibilidades que demoram tanto para serem resolvidas, que quando vem a solução, já nos comemos uns aos outros reduzindo a nossa população em guerras. Deve ser para isso que as guerras servirão: Substituem os predadores na função de reduzir a quantidade de bocas a alimentar. As riquezas acumuladas pelos que morreram passam então para as mãos dos sobreviventes, melhorando-lhes a “vida”. Os que morreram já não têm a quem culpar ou a quem agradecer porque estão mortos. Os sobreviventes dizem que agradecem a deus. Entende-se! São semelhantes a Ele. Os que morreram não deveriam ser. E rezam missas com as notas herdadas.



Grandes guerras matam muito de uma vez só ao longo de uma meia-dúzia de anos. Pequenas guerras matam muito mais ao longo de décadas, séculos, milênios. Esta é a nossa geografia. Vivemos em pequenas guerras com o apoio tácito das organizações internacionais, morrendo milhões por ano, bilhões por século, trilhões por milênio... E aparentemente ninguém está interessado em se organizar para que a dor das guerras acabe através de controle de natalidade. Igrejas precisam de mais fiéis para contribuir com dízimos e esmolas, governos precisam de maior volume de impostos. O que necessitamos não é de socialismo ou comunismo para que todos possam ter um bom quinhão das riquezas, até porque esta filosofia política apenas sobrevive porque é a “esperança” – vã – das maiorias pobres, e acaba por dividir a amargura da pobreza sem nada mais para dividir porque os leões - sejam de que filosofia política forem- comem tudo num mundo sem pasto para ovelhas.



O que precisamos neste planeta para que todos vivam com relativa privação de dificuldades e tristezas, é que cada país tenha uma população que não seja excessiva, isto é, que não ultrapasse sua capacidade de gerar-lhe conforto em todos os sentidos e níveis. O Canadá é um excelente exemplo: Área de 10 milhões de quilômetros quadrados, e uma população de 34 milhões de habitantes. Há terra, comida, saúde, transportes, educação e desenvolvimento para todos. Nossa geografia política, e principalmente nossa geografia da humanidade devem mudar não para conceitos filosóficos da ciência política voltada para a política, mas para o controle de natalidade. Se continuarmos gerando filhos como coelhos, em breve comeremos todo o pasto, e para que isso não aconteça, dizem os políticos tem que haver guerras para reduzir os comedores de pasto.
Auto-sustentabilidade é isso: Podemos herdar a terra da terra, sim, e os mares e os ares, mas há um limite para quantos poderão beneficiar-se dessa herança. E nem o Universo inteiro seria suficiente para a teoria do “sempre cabe mais um...” Um dia nem mais um caberá da forma como vamos parindo por este mundo. 
Se for triste ou não, não me cabe julgar. Esta visão é a da realidade. Precisamos mais de geógrafos - e de outros elucidados especialistas - do que de políticos, via de regra escolhidos por "simpatias" ou pela fé da ignorância.



® Rui Rodrigues



[1] 7,5 bilhões de pessoas a um peso médio de 75 quilos. (A humanidade está ficando mais alta e “acima do peso”). O total das águas nos oceanos é de 1.332.000.000 de quilômetros cúbicos aproximadamente. Área de terras emersas, aproximadamente 150 milhões de quilômetros quadrados, e de mares 360 milhões. 

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