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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A Ordem é uma estrada e por ela vai um Bando...

A Ordem é uma estrada e por ela vai um Bando...



... Entre uma praia maravilhosa que se abre para mar bravio e indomável, e uma pradaria suave e florida que se abre para densa floresta hostil. Não é muito larga. Pelo contrário, só nos permite uma limitada liberdade, e por vezes é tão estreita que se transforma numa linha onde somente passa a moral e a justiça.

Durante doze mil anos religiosos se revezaram no comando da gerência da moralidade, da justiça, da ordem, no sentido de tornar este mundo melhor a cada dia. Milhões, bilhões, trilhões de famílias educaram seus filhos ensinando-lhes os bons caminhos: Os do progresso, da Ordem, da fé, da bondade, do amor... Mas em algum momento entre o nascer e o tomar ciência plena do mundo em que vivemos, muitos de nós tomam um rumo de contestação como parte fundamental e necessária da evolução, porém, se uns exageram em impor uma ordem modificada em tempo que não é compreensível para a humanidade, outros contestam a própria ordem e desandam para aquilo a que chamamos crime, perversão, os males do mundo. Porém, há que ter em conta que a ordem, que inclui a moral, é independente do olhar do observador. A moral não depende da visão de um contestador do lado do crime, nem da visão de um contestador do lado do progresso. Ela é a estrada perfeitamente identificada quer por quem venha do lado do mar, quer por quem venha do lado da floresta. Mesmo até por quem venha dos céus, ou aflore dos subterrâneos do mundo. Há uma consciência latente na humanidade e em cada uma de suas células: O homem e a mulher. Homens e mulheres somente são diferentes pela genitália. De resto, fígado não tem sexo, coração não tem sexo, rins não têm sexo, cérebro e neurônios não tem sexo. Por isso não se pode atribuir os males do mundo, ou os bens do mundo aos homens ou ás mulheres exclusivamente. Nem aos que exibem uma cor de pele, uma bandeira de nacionalidade, uma opção sexual. Parece que ainda não compreendemos que somos partes de um todo que deve continuar vivo, ocupando um lugar perfeitamente definido neste mundo aparentemente sem grandes demonstrações de inteligência. Para continuarmos vivos, temos que ser muito e muito mais inteligentes do que temos demonstrado ser até aqui, após esse longo caminho de 12.000 anos como civilização.





Assim, para andarmos sempre na estrada, ou como diziam antigamente nossos ancestrais, no caminho da retidão, os costumes podem e devem ser alterados para dar liberdade à evolução, mas não devem subverter a ordem, como por exemplo, dar o crime como legal e encarcerar a legalidade. Um assassino tem seus próprios motivos pára assassinar, mas ver um destes no governo de uma nação seria um caminho aberto para a desordem, um abandono da estrada para cairmos na floresta ou nos afogarmos no mar. Estrada é estrada, não é nem floresta nem mar bravio. Um assassino ou um ladrão no governo que usasse o convencimento popular através de “diálogos” sendo o povo ignorante por relapso de outros governantes, pode usar tanto as verdades quanto as mentiras, alegando que os meios servem aos fins. No entanto, se um individuo dessa laia faz o diabo para se eleger, podemos imaginar com quantos diabos fará um inferno para não largar o poder. E foi assim que em terra de papagaios, de Santa Cruz, alguns indivíduos falando entre si, resolveram oferecer verbas públicas a terceiros que não por acaso também eram políticos para que votassem de acordo com suas diretrizes em certos assuntos a serem votados no Senado e nas câmaras federais. Denunciados por um deles, foram denunciados ao Ministério Público, investigados, julgados. Já na época do julgamento se verificou que os ministros tinham sido indicados por alguém muito poderoso que fazia parte de um dos partidos a que pertenciam alguns dos julgados. Um deles tinha sido até presidente desse partido. Parece a qualquer mortal, mesmo dos mais idiotas, que se trata de uma formação de quadrilha. Eles foram presos mas com penas suaves, ou pelo menos apropriadas pelo Supremo tribunal, mas já se notou que havia política misturada com justiça. Alguns dos ministros disseram que não tinha havido formação de quadrilha. Apareceu então uma nova figura na jurisdição: Os embargos infringentes: Uma forma de questionar o julgamento dos ministros. E neste interim novos ministros são adicionados ao Supremo, indicados pelo mesmo partido do poderoso da nação, aproveitando que outros tinham atingido a idade de aposentadoria. E ao julgar os embargos infringentes, foi aprovada moção segundo a qual os réus já presos e condenados com penas definidas – e suaves – o Supremo tribunal federal resolveu que não houve formação de quadrilha. Definitivamente a justiça brasileira saiu da estrada da Ordem, e avançou para mar aberto. Se fosse para a floresta, seria comida pelas feras. Prefere afogar-se no mar bravio que não é de água. Este mar é de lama. Porque a partir de agora, e com todo o “direito”, quadrilhas de bandidos não serão quadrilhas mesmo atuando em conjunto e de forma mancomunada.




Que lei e em qual país, a justiça é realmente justa, se os ministros são indicados por governos e cada governo tem os seus ministros? Que justiça é realmente ilibada neste mundo, se nem os governos são justos? É claro que esta característica não tira os governos nem os seus ministros nem sua justiça da estrada da Ordem, porque no geral, costumam percorrer a estrada da Ordem que dá estabilidade à nação, confiança aos cidadãos. Andam nesses casos pelo acostamento da estrada da Ordem e embora abalada a população segue seu caminho verso ao futuro com Ordem e Progresso. Porém, quando quadrilhas deixam de serem quadrilhas numa canetada com assinatura de um poderoso e seus ministros, fazendo o diabo, então não há retorno para esta situação, porque até o mais imbecil deste Brasil consegue entender que não se fez justiça, mas sim política. Política suja. E certamente para proteger o chefe do bando.



Quadrilha, bando, é tudo a mesma coisa e posto que não seja quadrilha, que seja bando então... Eles foram condenados por “formação de bando”, se o assunto é o “politicamente correto”. O perfil do senhor Barroso é avesso ao uso da palavra “quadrilha” e certamente ele não é veado. Mãe só há uma e muitas vezes ela se engana e engana o pai por amor ao filho. E decididamente, quando a política se intromete na lei e na economia, a estrada desaparece, transforma-se numa trilha onde os transeuntes são assaltados por meliantes provindos da floresta, imprensados que ficam entre o mal e a lama: Ou se unem aos meliantes ou chafurdam na lama, mas já sabemos pelo resultado que temos agora duas quadrilhas, ou como prefere o ministro, dois bandos. Ele pertence a um deles e já conhecia o outro de longa data. 



® Rui Rodrigues 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A linha amarela, a ovelha e a inércia.

A linha amarela, a ovelha e a inércia.



Entre propriedade industrial ou direito de autor e domínio público, a diferença é sutil. Não sabemos quem inventou a linha amarela, mas como o amarelo em todo o reino animal é sinal de veneno ou perigo (animais que não devem ser comidos por serem venenosos), alguém descobriu a “linha amarela” e a usou como lugar de “atenção”. Vemos linhas amarelas em Bancos para controlar o acesso aos caixas para atendimento, nos aeroportos para acesso ao “check-in”, em repartições públicas, em faixas de pedestres, em traseiras de veículos pesados de construção, no símbolo da radioatividade. No Rio de Janeiro exista uma via expressa com este nome, onde de vez em quando ocorrem tiroteios entre bandidos entre si, bandidos e a polícia, bandidos e veículos que passam por lá.  Brasil se transforma num símbolo de violência, o mundo reconhece, a linha amarela é um sinal de ordem que deve prevalecer sobre o caos. Esta luta entre a ordem e o caos, é um motivo básico de todas as religiões, de todos os estados deste planeta, da consciência de cada ser humano que o habita. Por mais que por vezes se possa parecer “anarquista”, todos nós gostamos de uma linha amarela. É aviso, é sobrevivência, é ordem...

Ovelhas são seres de quatro patas, de olhar dócil, olhos com pestanas que choram quando sabem que estão para serem abatidas, calmas, redondas infantis, obedientes a qualquer cão pastor. Homens podem ser pastores, mas nada melhor que um cão pastor para colocar as ovelhas em ordem. É fácil. 
O problema são as ovelhas negras. Nada a haver com os irmãos com pele negra, mas com a mentalidade das ovelhas negras: São sempre do contra. Se o rebanho vai para a esquerda, a ovelha negra, mesmo sendo branquela, vai para a direita e vice-versa para todas as direções. Um dia fizeram um teste em ruas dos EUA. Colocaram uma linha amarela pintada transversalmente em um passeio. Ela não tinha o mínimo sentido, mas ninguém a ultrapassou. Todos os transeuntes se desviaram dela, com mais ou menos hesitação devido ao inusitado propósito desconhecido e a contornaram mesmo tendo que avançar no asfalto onde veículos passavam em comboios controlados por sinais de trânsito por sua vez dotados de luzes verde, amarela e vermelha.



Crie-se uma nova lei e as ovelhas logo dela têm conhecimento. Bom... Pelo menos em sua maioria, porque corre “vox populis”, e de boca em boca, logo se sabe da existência desta lei. Mas são mais as leis ignoradas, desconhecidas. Muçulmanos são obrigados a decorar o “Corão” seu livro sagrado [i]. O bom muçulmano é fiel ao seu Deus, Ala. São os fiéis mais estritos a um livro. Todo o bom muçulmano é obediente ao livro sagrado e se ele for conspurcado por sua mão direita ou por alguém, deve ser enterrado. 


Por isso o atraso científico e social em relação ao mundo ocidental. O bom muçulmano é ovelha que não questiona nem uma vírgula [ii]. Os fiéis do mundo ocidental questionam tudo. Podem desenhar para mostrar com simples traços, o que levaria laudas para explicar por escrito. Isto está mudando no mundo muçulmano, no mundo cristão, no mundo judeu, budista, tauista, no dos vedas, no budista, candomblé, espiritismo... Tudo evolui.

Mas como?



É aqui que entra a inércia da relação entre as linhas amarelas da vida, as ovelhas e os pastores, ou quem nos impõe leis. Ovelhas habituadas por cultura, tradição, oportunidade momentânea, levam certo tempo a se adaptar. As linhas telefônicas sofreram acréscimo de mais um dígito inicial nove (9) no Brasil e as companhias que nos vendem o acesso a preço de quilo de ovelha no mercado negro, nos dão um tempo para nos adaptarmos... Da mesma forma, um automóvel em alta velocidade, ao lhe serem aplicados os freios leva um certo tempo em que percorre certo espaço até que a tendência de continuar seguindo em frente pela velocidade a que vinha, cesse. A esta tendência de continuar o movimento se dá o nome de inércia. Um trem parado para ser colocado em movimento precisa de uma potência transformada em força enorme... Mas depois que começou a mover-se uma forcinha de criança a faz continuar em movimento. Se for preciso que o trem se mova mais rápido aplicamos-lhe uma força de “adulto”, e o trem da alegria ou da tristeza segue em frente até encontrar uma linha amarela. Então o trem fica indeciso e pára. E chegam os lobos.




Não estão no título deste texto, mas chegam os lobos. Quem são os lobos? Isso não importa. Basta que saibamos que existem e todos temos noção de sua existência como boas ovelhas que somos, controladas por linhas amarelas e que sofremos do mal da inércia: Demoramos a ter respostas para os nossos movimentos e continuamos no mesmo caminho mesmo querendo mudar imediatamente, mas para mudar de direção, é preciso vencer a inércia e fazer a curva em velocidade reduzida. Os lobos podem ser simples ovelhas disfarçadas que pintam linhas vermelhas onde não deveriam existir, linhas vermelhas por vezes disfarçadas de verde ou de amarelo. Outras vezes são os lobos que nos aparecem pelo caminho obrigando-nos a fazer curvas, assim de repente, e nós tendendo a continuar em frente, ou querendo fazer a curva reversa, aquela que nos leva para longe dos lobos.



Quando os lobos estão por detrás da linha amarela que nos tolhe o avanço para o alimento, o conhecimento, a educação, a liberdade, então temos que nos unir, avançar a linha amarela, e de herbívoros ruminantes, passarmos a ser antropófagas ovelhas comedoras de lobos, ou de ovelhas disfarçadas com peles de lobo.
Qualquer analogia com dificuldades para dormir quando contamos ovelhinhas pulando a cerca tranquilamente – velho sonho de homens e mulheres – ou com a política nacional e internacional não é pura coincidência [iii]. Ovelhinhas nos ensinam em sonhos que cercas não são para nos deter, mas para serem puladas. Sem alicates para não ferir a natureza... 



Se a cerca estiver pintada de verde, tome muito cuidado. Pode ser um engodo. Se estiver amarela, tome muito cuidado, porque como a cerca não é de confiança, tanto pode significar verde para passar como vermelho para parar... Se estiver pintada de vermelho pule... cercas vermelhas nos mandam parar tudo para nos submetermos aos lobos.

Pule sem receio. Cercas para a liberdade não custam nada para a humanidade. Vidas perdidas não são perdidas. Ganha a humanidade, a nação. As ovelhas ficam felizes como se administradas por um Ministério da Suprema Felicidade.  

® Rui Rodrigues




O Cavalo de Noé e a Arca de Troia

O Cavalo de Noé e a Arca de Troia


Fazer confusões é coisa do dia a dia de nossas vidas. Da minha e da sua, que ora está lendo estas alegres linhas cheias de bom humor, mesmo que com pouca ou nenhuma graça. Claro que a arca foi a de Noé, e o cavalo foi o de Tróia, mas deixei ficar o título assim mesmo porque é preciso que se saiba que fazer confusões é coisa normal e corriqueira desde tempos que ninguém recorda porque só nos ficou a tradição até que veio a escrita. E aí, meus amigos, nossos problemas começaram. Uma vez escrito nada poderia ser corrigido, porque os museus guardam sempre um exemplar para comparação. 
Nem um dilúvio consegue apagar o que já uma vez foi escrito. E é exatamente a história emblemática do dilúvio que aqui se conta numa versão confusa. Ah... Tróia ficava perto de onde Noé estava. Os carpinteiros devem ter sido os mesmos e todos sabiam no lugar que quando as neves das montanhas da Armênia derretiam, o caudal dos rios engrossava e “inundavam tudo ao redor até onde os olhos não alcançam, destruindo tudo ao redor”, tal como escreveram e deixaram gravado os sumérios em placas de argila. As inundações vinham sempre e normalmente nos meses de Abril e Maio.

Temos duas testemunhas históricas: Um rei da suméria chamado Gilgamesh, conforme atestam as tais tabuletas de argila gravadas em escrita cuneiforme, e Moisés, que escreveu, segundo dizem, o Gênesis. Nossa história é de um terceiro, também desconhecido. Todos os três vivendo ali perto, em terras de Canaã, que correspondem hoje aos territórios ocupados pelo Líbano, a Palestina, Israel, partes da Jordânia, do Egito e da Síria. Gilgamesh foi um rei lendário de terras hoje ocupadas pelo Iraque. Troia não se sabe onde fica, mas os gregos que apareceram posteriormente apareceram por lá e rasgaram os mapas. Mas a ideia do cavalo oco cheio de coisas nasceu nessas regiões. Assim falou Xaratróstra, o nosso bardo do dilúvio.

(antes, porém, é preciso que se saiba que naquela época ninguém sabia da existência do planeta Terra nem de sua extensão. Sabiam da existência de terras a norte, sul, em todas as direções, mas não tinham a perspectiva do “descobrimento” e contentavam-se com a visão de um mundo pouco maior do que aquele que viam. Inundar um mundo pequeno destes era muito fácil. Bastava imaginar uma enchente um pouco maior, assim como se espera o terremoto dos terremotos na península da Califórnia que a pode transformar numa jangada de pedra [i])

Assim falou Xaratróstra:



Por aquela época os filhos e as filhas de Deus se uniram às filhas e aos filhos dos homens. Não se sabe quem corrompeu quem, mas a piedade se enfraqueceu e a corrupção tornou-se lei. Deus olhou para baixo das nuvens, olhou, olhou, franziu o sobrolho e chamou Xaratróstra. – Xaratróstra... (gritou)... Vem cá!...
Xaratóstra que estava fazendo um bodoque com as ligas das meias da mãe, largou tudo e foi-lhe ao encontro correndo. Encontrou-o no cimo do monte Ararat.
- Senhor... Aqui me tens!...
- O que estavas fazendo, meu filho?
- Um bodoque para caçar passarinhos.
- Maldito seja a tua raça que não te ensinou bons costumes. Que mal te fazem os passarinhos para que os mates?
- Não era para mim, Senhor... Era para meu pai que gosta deles fritos na farinha de mandioca com dendê.
- Ah!... Logo vi. Bom... O assunto é o seguinte: Vou acabar com a raça dessa miscigenação humana fruto de filhos e filhas de Deuses com filhos e filhas de homens. Não prestam, andam sempre em lutas, guerras, são corruptos e não têm nem piedade de... De... De passarinhos, para que vejas... Vou também aniquilar com esses deuses que criei e que fizeram filhos e filhas que se misturaram com humanos e humanas. Vou acabar com essa sacanagem toda. Agora me irritei. 


Só conheço dois justos: Gilgamesh e Noé. Vou mandar um dilúvio que varrerá toda essa raça da face da Terra, exceto a família desses dois que também pouparei. Corre e diz-lhes que construam uma arca e que metam toda a bicharada dentro, incluindo pássaros e aves porque não terão onde pousar nem o que comer. Mas presta atenção: o desgraçado do porco não pode entrar na arca porque é um animal impuro. Nem o bode nem a cabra, nem todos os que tiverem o casco como o deles. Entendeste?
Xaratróstra assentiu com a cabeça, duas lágrimas escorrendo por seus olhos negros como tição apagado.
- Mas senhor, porque duas arcas?
- Porque um deles pode falhar e a arca afundar, não sejas idiota. Eles não sabem construir nada que preste. Mas olha... O Gilgamesh lançará corvos e o Noé pombas, entendeste?
- Mas por que razão Senhor?
- Perguntas muito, Xaratróstra... Perguntas demasiado. É que assim não se confundirão os dois caso nenhuma das arcas afunde... Entendeste? Senão pensariam que um povo descendente de um teria copiado a história dos descendentes do outro e se geraria uma guerra que poderia acabar com a nova humanidade.
- E os genes senhor? Os genes do antigos descendentes, fruto dos filhos e filhas de deuses na mistura com os humanos e humanas não passarão para as novas gerações?
- Já me estás a irritar, Xaratróstra... Claro que passam, mas eles só descobrirão isso passados milênios. Depois verei se acabo ou não com essa humanidade novamente. Mas da próxima vez será uma crise que consumirá todo o dinheiro existente na face da Terra.
- E como a nova humanidade acabará por falta de dinheiro?
- Quando há falta porque não se produz os que têm menos querem que os que têm mais dividam com eles. Eles até dividem, mas isso lhes tira – aos que têm menos - a “necessidade” de produzir e vão deixando de trabalhar. Começa a faltar mão de obra e os preços sobem gerando inflação. Logo o dinheiro acaba porque não há como substituir nem produzir mais dinheiro todos os dias com inflação cavalar a ponto de para comprar uma ferradura, terem que encher uma arca de 40 côvados de dinheiro. Entendeste? Então se matam em revoluções sangrentas. 


Agora vai, e diz-lhes... Mandarei o projeto da arca nos próximos dias.
- E quando será o dilúvio, Senhor?
- Daqui a 120 anos. Agora vai...

Xaratróstra desceu correndo o monte Ararat. Foi encontrar Gilgamesh no meio de uma farra, cheio de mulheres e mancebos do harém, numa festa do cabide, tomando vinho tinto e comendo pão com carne de porco embutida na própria tripa, defumada, com molho de pimenta, molho de tomate e mostarda amassada.


- Gil... (eram íntimos)... Vem cá... Dá-me uma ânfora desse vinho que preciso tomar um porre...
- Que foi Xara... Que te aconteceu meu amigo? Fedes como porco, estás suado e pareces vesgo...
- Ele vai acabar com todos vocês e os de Noé.  
- Calma... Primeiro... Quem é “Ele”?
- Deus!

Gilgamesh arregalou os olhos, teve um faniquito, um “piripac”, e desmaiou no mármore frio do palácio. Quando acordou, Xaratróstra o pôs a par da situação. Não se esqueceu do detalhe do porco que era um animal nojento, que até havia quem amarrasse as fêmeas e transasse com elas [ii], todos queriam comer porco, vivia chafurdando na lama fétida, transmitia doenças. Não deveria ser embarcado.


Então Deus voltou a chamar Xaratróstra. Xaratróstra saiu correndo de casa e subiu o monte. Chegou ofegante, suado, cheirando a porco.

Deus perguntou-lhe: Muito bem. Chegaste bem rápido. Mas dize-me... O que é isso aí atrás enfiado no teu saiote preso ao cinto?
- É... É um bodoque, Senhor...
- Mas não era para o teu pai caçar passarinhos?
- N... Não... Senhor... Isto aqui é para eu transar com gatas.
- Ora vamos lá... Explica-me isso!
- Senhor... Eu espero a gata passar, escondido atrás de uma árvore ou um muro de casa e dou-lhe um peteleco com o bodoque. Ela fica tonta e eu aproveito e transo.
- AH!... Está bem. Assim não te arranhas... Vou te perdoar essa. Sabes que sou bom e compassivo. O que não gosto é desta humanidade, e tu sabes que os homens e também as mulheres foram feitos à minha imagem. Eles também não gostam da humanidade porque são muitos e lhe fazem sombra. É competição pura. Qualquer motivo é motivo para que alguém queira dominar um grupo, uma nação... Conheço meu gado humano...
-Mas porque me chamaste Senhor?
- Quero que construas tu mesmo dois cavalos enormes de madeira, e enchas com uns animais que te vou trazer em carroças, separando casais distribuindo-os igualmente pelos dois cavalos.
- Mas que animais são esses Senhor?
- São animais que não existem por aqui.  E são vegetais também. Os que não se procriam por semente, mandarei mudas. Animais como o Canguru, o Ornitorrinco e o Equidno, o narval, a foca, a rena, sementes como as de manga, abacate e mamão, mudas de banana...
- Mas aqui não tem disso tudo... Senhor!...
- Eu sei! Por isso estou trazendo. Senão a história do dilúvio fica incoerente, sem sentido. Vou trazer esses animais da Austrália, da Ásia dos polos... Vais pô-los dentro dos cavalos para que não os vejam, não se assustem e não os matem...


E assim se fez e se fizeram as arcas com 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura, esta distribuída em três andares e coberta com breu que brotava naturalmente, uma espécie de asfalto de refinarias que naquela época ainda não existiam. Gilgamesh e Noé trabalharam durante cem anos durante os quais a humanidade comia, bebia, se divertia e fazia casamentos gerando filhos. 



As reações aos cavalos foi a mesma por parte de Gilgamesh e Noé. Aceitaram como presente de Deus. Quando os desembarcaram, levaram-nos até a margem do mar e eles saíram navegando mar afora a caminho de lugares ainda inimagináveis naquela época. A humanidade (a nova) ficou milênios sem saber que existiam. 

Não se sabe, embora se desconfie, quem colocou o casal de porcos nas duas arcas embora fossem carne proibida. Noé não seria, nem Gilgamesh porque eram tementes a Deus, perfeitos porque ou não tinham genes de deuses ou não tinham genes de humanos, porque a mistura, como Deus dissera, era uma desgraça e por isso iria aniquilar a humanidade. Sobravam o próprio Deus e o Xaratróstra. Não temos dúvidas que a culpa foi do Xaratróstra...

Por 40 dias e 40 noites as águas das montanhas da Armênia desceram e inundaram tudo, juntando-se às águas das chuvas que caíram torrencialmente por igual período cobrindo toda a “terra” conhecida porque vista. Gilgamesh lançou seus corvos e Noé suas pombas como Deus os instruíra em separado. Quando nem corvos nem pombas voltaram, desembarcaram. Era sinal de que haviam pousado, já que não havia predadores vivos. De um cruzamento bem sucedido entre pombas e corvos, ou de outras aves que não chegamos a conhecer por terem sido extintas, nasceu o urubu, que hoje é a mascote da torcida do Flamengo no Rio de Janeiro. Ainda hoje se procuram as duas arcas que por serem de madeira... Imagina... Já foram comidas por fungos que ninguém reparou, mas também estavam na arca. Eles e os champinhons. 



Ninguém informou como foram preservados os casais de peixes do mar, que como se sabe, não aguentam viver em água doce por mais do que umas poucas horas, mas deve ter sido construído um piscinão maior do que o de Ramos. Procuram-se os descendentes de Xaratróstra...


 ® Rui Rodrigues






[i] Provavelmente a base de inspiração do escritor português José Saramago em livro intitulado “jangada de pedra”, porém imaginando que a península ibérica fosse a que se desprendia do continente europeu.
[ii] Mulheres transavam com cavalos e cães até se casarem porque as famílias não permitiam o sexo antes do casamento.  Alguns moleques transavam com cabras e ovelhas. Parece que ainda fazem muito disso, sinal de que a humanidade , a tal, lá dos tempos de outrora continua sendo a mesma e herdou genes. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O céu [i] tem catraca e cobrador

O céu [i] tem catraca e cobrador



Quando tinha uns não sei quantos anos, mais ou menos nessa idade, comecei a preocupar-me com o céu. Do primeiro testamento e pesquisando na religião judaica, percebi que não existe céu como “um lugar” aonde se vai depois de morto, para receber a recompensa de uma vida passada em graça. Na Bíblia Cristã, no segundo testamento, essa possibilidade é mencionada. Seria possível dependendo de meu comportamento durante a vida, sendo certo que seria muito difícil, insano, ainda mais para quem já nasce com um pecado capital que é limpo quando se recebe água benta ou se mergulha no rio Jordão (este não precisa ser benzido e ficamos na dúvida se outros rios precisam  ser benzidos ou se têm a mesma propriedade)... Algumas religiões também têm céu. Outras não. Céu é lugar de deuses, não de humanos mortos. Perguntei se podia levar a minha gata Sarkye, que não fez nunca mal a ninguém, mas não souberam informar. 

Perguntei em muitos postos de informação – os templos - sobre como seria o céu que oferecem, sendo que em alguns destes postos se compram lugares no céu, em troca de algumas dádivas para os templos. Mas não havendo despesas com papelada, transporte, etc. achei muito caro e desisti. Desisti não por simplesmente ser caro, mas porque ninguém me soube dizer como seria o céu, ou paraíso... Num dos postos de informação disseram que se eu fosse um guerreiro e matasse muitos inimigos ganharia um céu especial: Com sete virgens me esperando. Virgens sem nenhuma experiência sexual, como quem estupra neném não faz o meu gênero. Fiquei imaginando se poderia levar minha noiva para lá, mas face à proposta, eu correria o risco de ela ser guerreira e em vez de mim encontrar no paraíso sete mancebos virgens para ela se esbaldar.



Então fui à procura de alguém que me pudesse informar com toda certeza como era o céu, ou paraíso... Como não encontrei ninguém que soubesse informar, porque só faziam referências a livros e os livros discordavam entre si, resolvi procurar por mim mesmo. Procurei anos a fio, até desistir, mas antes consegui levantar algumas premissas à luz do conhecimento moderno. Céu é céu, um lugar onde se entra e não se sabe se se sai, e como acontece com todas as entradas deve ter catracas [ii] e cobradores. As catracas devem permitir a passagem de gordos e gordas, os cobradores devem ter sempre troco. Devem ter sempre troco porque cada povo tem seus costumes, e os respectivos céus devem estar locados em lugares adequados, senão seria um inferno e não um céu. Como um lugar deve ficar mais longe do que outros, o valor da passagem não pode ser único. Seria injusto. E como hoje em dia com a NET há amigos em todos os países e de todas as regiões, deve ser permitida a passagem de lugar para lugar para visita-los. Como nada é de graça, até porque para entrar temos que fazer "boas ações", para se visitar os amigos há que pagar as passagens, e para ter capital para pagar as passagens tem que haver agência de empregos. Mas com certeza mesmo, ninguém me soube informar. Vinham com evasivas.

Finalmente percebi muito facilmente que o paraíso já existiu aqui neste planeta há milhões de anos atrás. Depois estragamos o convívio entre animais e nós mesmos, e entre nós mesmos, agredimos a natureza caçando-nos uns aos outros. Vieram as guerras, as mortes, as doenças porque se incentivava a aglomeração humana, reunindo porcos depósitos de dejetos a céu aberto, conspurcamos a própria água que teríamos de beber. Mataram-se animais à paulada, estrebuchando pelo chão em meio a poças de sangue, formamos exércitos destinados a matar, matar, matar, fazer escravos. Aprendemos com os escravos a ganhar a vida sem trabalhar. Continuamos a fazer escravos agora com outros nomes mais pomposos, mais “nobres”, embora se viva em repúblicas que deveriam estar no banco dos réus.
E percebi finalmente que ninguém, ou quase ninguém, talvez tantos quantos possam passar pelo buraco da agulha por onde alguns camelos podem passar, sabe realmente, com propriedade onde fica o céu, o que ele contém, como é a “vida” por lá... É tudo mídia. Apenas informação tal como se pode encontrar em qualquer revista de ficção científica, ou nas revistas em quadrinhos.

Há Deus [iii]? Claro que sim, mas tal como não nos conta quais são as leis que regem o Universo, também não nos contou como é o céu. Tal como acontece com as leis que regem o Universo também o céu teremos que descobrir se existe ou não, como é e o que se faz por lá, mas há fortes indícios de que o céu – ou paraíso – pode existir aqui mesmo na Terra. Para uns já existe, mas é temporário: ao fim de algum tempo vão à falência e perdem o céu. Outros perdem o poder e passam pela catraca do inferno [iv] depois de terem mandando todo mundo – menos alguns camelos – para os quintos dos infernos. Mas para vivermos todos no céu não necessitamos esperar que algum astronauta dê a volta ao Universo para provar que ele é redondo... Perfeitamente redondo sem ter espichado nem um só ano-luz para qualquer lado. Mas é tão grande, tão grande, mas tão grande, que podemos afirmar que ele é plano e que não tem nenhuma tartaruga suportando todo esse mundo sem fim.

E também não há dragões, monstros marinhos, aéreos ou terrestres, impedindo a passagem do Universo para o céu...  

® Rui Rodrigues








[i] Céu ou paraíso... Para quem achar que são duas coisas diferentes, é ao paraíso que me refiro, aquele lugar para onde se pode ir mas parece que ninguém vai: Só os que puderem passar pelo mesmo buraco da agulha que os camelos podem passar.
[ii] – Precisam aprender com a União Europeia a elaborar manuais de padronização de bens e produtos para que estejam disponíveis sempre com a mesma qualidade
[iii] Pra mim existe, mas posso garantir que não se parece em quase nada com o Deus que todos conhecem... O Deus que imagino é muito mais forte, mais poderoso, mais omnipotente e muito mais inteligente do que se imagina por aí, mas isso não faz de mim um ser igual a ele nem à sua semelhança. Se fizesse eu não ficaria aqui neste mundo. Iria para bem longe...
[iv] Este é outro problema... Pode haver só céu, céu e inferno, ou só inferno... Pelos buracos das agulhas passam alguns camelos, por outros nem vírus, moléculas, átomos ou partículas de Higgs  passarão. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

BBB - As novidades e o ceticismo no futuro.

As novidades e o ceticismo no futuro.

Novidade é uma notícia sobre algo que se desconhecia como por exemplo um invento, uma moda, uma nova história, uma nova mulher, om novo homem. Conhecer uma cidade diferente, um costume. Coisas do gênero. E para isso é necessário um inventor ou um contador de histórias, e quase sempre um público a quem se apresenta a novidade. Depois as notícias das novidades correm de boca em boca, forma-se uma, duas, três, muitas opiniões, aparecem grupos de debate, gera-se polêmica, e isto é audiência. Se você quer vender uma ideia, um produto, e consegue vencer todas estas etapas até gerar polêmica e audiência, então venderá sua ideia, seu produto, sua peça de teatro, seu partido, poderá ser um presidente ou uma presidente de uma república. Brasil é um bom lugar para isto. Mas parece haver limites quando se pensa em moral e ética.  



O povo de Israel andava perdido no meio do deserto do Sinai depois de terem vivido milênios no seio do povo egípcio. Fugiram ou foram expulsos, isso não importa no momento, mas sabe-se que vagaram no deserto e tinham um grave problema de identidade: Deveriam perder seus laços afetivos com o povo egípcio, ter seu próprio Deus, único, diferente de todos os demais e o monoteísmo não era novidade. Moisés então subiu ao monte Sinai e de lá trouxe duas tábuas com cinco mandamentos em cada uma. Era a primeira constituição do povo de Israel. Uma novidade em meio a muitas outras, como a novidade do Maná [i]. O maná é o nome de uma seiva produzida pelo tamarisco [ii]de maná, existente no deserto do Sinai, e que um tipo de inseto costuma chupar. Esta seiva cai no chão em forma de esferas pequenas e doces. Uma novidade que alimentou o povo de Israel por cerca de quarenta anos no deserto. 

O povo de Israel não conhecia este tipo de alimento e em sua língua, ao vê-lo disseram: “Man hu’ ” que significa “ o que é isto”. Cristãos, interpretaram este fato milênios depois como se o Maná tivesse caído do céu em flocos. Um milagre. Para o povo judeu foi apenas uma novidade. O fato é que durante mais dois mil anos, para os fiéis cristãos isto foi um milagre. Podemos assim medir o alcance, o poder de uma novidade ao longo dos séculos. O Maná ainda existe, o povo judeu já atravessou o deserto, e talvez 99 por cento do povo cristão ainda crê que o maná apenas caiu no deserto do Sinai durante quarenta anos do Êxodo. 
Esta longevidade do milagre do Maná só foi possível pela invenção de Gutenberg ao inventar a impressão por tipos móveis por volta de 1439. Imprimir em páginas de papel tornou-se fácil e relativamente barato. Estava inventado o livro impresso e a Bíblia, o primeiro deles, correu mundo, tornou-se popular, gerou audiência, gerou cismas, porque muita gente agora podia ler a Bíblia, questioná-la. A informação sobre Deus saíra da arca da aliança para a interpretação do mundo.

Histórias, novas religiões, canções de bardos, peças de teatro grego, eram novidades durante algum tempo. Depois caíam no esquecimento geral quando se tornavam tão conhecidas que “ninguém mais falava a respeito”. Novidades servem também para serem faladas, transmitidas, de forma a estabelecer uma paridade entre humanos: “Eu já assisti, tu ainda não, logo eu sou algo mais que tu porque tenho uma vantagem sobre ti” Já não se fala de muitas lendas e talvez em casa nenhuma se conte a história do “bicho papão” para que as crianças façam o que os pais mais querem no momento: Que elas comam a sua pequena refeição. E provavelmente pais extremados ainda fazem “aviãozinho” com a colher para que a criança coma mais uma colherada. Este gesto era impossível antes dos irmãos Whrigt e de Santos Dumont, mas em muitas casas já se usa o “foguetinho” e o “transbordador espacial” para incentivar as crianças a comerem mais uma colherada.



Na televisão, o segundo instrumento mais interessante da inventiva humana nos últimos cem anos – o primeiro é o computador e a net – há sempre novidades. Sem novidades ninguém liga esse instrumento, ninguém senta no sofá e usa o comando sem fio para mudar de canal, sempre em busca de novidades, coisas diferentes, notícias diferentes. É para os canais de televisão que o dinheiro ainda corre, porque entre uma novidade e outra, apresentam um comercial para faturar. Sem faturamento, as empresas morrem, liquidam-se, falem. Isso não seria nada bom, porque ficaríamos sem essa diversão, esse entretenimento agora quase indispensável. Empresas devem ter lucro. O problema é "como"... 

Mas antes de seguir adiante neste devaneio sobre as novidades e seus efeitos no compartimento lúdico, no religioso, comercial, moral, ético ou em qualquer outro lugar de nosso cérebro, há que tentar verificar se não há limites para nada, ou se há só para algumas coisas, ou se sim, há limites...

Imaginemos então uma taça enorme de vidro cheia de bombons. Tira-se um, depois outro, e al fim de algum tempo mais ou menos previsível em função da família que temos ele ficará vazio... Não se poderá tirar mais nenhum daqueles bombons. Se em vez de uma taça de bombons fosse uma garrafa de vinho, seria impossível tomar todo o vinho, completamente, porque sempre ficaria uma meia dúzia de gotas que não conseguiríamos extrair, mas meia dúzia de gotas não dá nem um gole. Só cheiro. Estes dois exemplos são apenas físicos, sem muita imaginação: Taça com bombons, taças de vinho que esgotam a garrafa. Depois de esgotadas, não há novidades. Só se voltarmos a encher.



Mas que tal quanto ao sexo?  Sexo é também algo físico, mas que tem um poder fantástico com a imaginação. A imaginação potencializa o sexo, dá-lhe novas propriedades, é uma fonte de novidades. Minha preocupação é se sexo terá limites. Limites tem principalmente por causa da idade, mas é puramente físico. Em termos de imaginação, em termos de imaginação, o filme “Barbarella” [iii] lá dos idos dos sessenta (1968) já nos dava uma ideia de até onde a nossa imaginação poderia ir: Bastava esfregar a nossa mão na mão da mulher amada e um milhão de orgasmos fantásticos, tântricos, paradisíacos brotariam em nosso corpo envolto já em fumaça perfumada de deusas e pitonisas. Isso todos os dias não deixaria ninguém disposto a ir trabalhar, doido para voltar para casa e encontrar a Jane Fonda ou a Paula Fernandes [iv].

Não há muitas novidades atualmente em termos de sexo. As maiores barreiras já foram ultrapassadas, demolidas, e em algum lugar que tenho bem delineado no canal do bom senso, as novidades sexuais deveriam ter limites para exposição ao público, já que as barreiras que impedem o acesso a crianças não são nem podem ser controladas. Crianças devem ser protegidas de mal entendidos para os quais não estão preparadas e ninguém as pode preparar de um dia para o outro porque estão em formação. Enquanto os pais dormem elas podem ligar a TV, o computador, e podem achar normal para uma criança de quatro a cinco anos, a normalidade a que assistem na TV ou no computador. Ver os pais dando beijos quentes, ou os dois se abraçando deitados no sofá, pode não ser coisa do quotidiano, mas acontecendo, há o apoio moral dos pais que podem explicar muita coisa. Assistido a sós, cenas podem não chocar crianças, e certamente não chocarão, mas despertarão o desejo de agir de igual forma porque são muito “interessantes”...

Sexo, adultos e criancinhas não combinam... Existe a sexualidade infantil, sim, sabemos disso, mas adultos e crianças na mesma cena de sexo é crime. Dirão: Ah... Mas nas cenas do BBB não há crianças... Claro.. Mas é que não querem ver a cena real de uma criança de quatro anos frente a uma TV ou a um computador enquanto os pais dormem, assistindo a cenas normais de sexo implícito com gente quase nua, posturas sexuais normais, sexo “aplícito” debaixo de cobertores.



Qual o limite para disputas de audiência, faturar mais uns bons trocados? Qual será a próxima novidade? Mostrar sexo infantil? Mostrar cenas de pedofilia dirigidas por diretor crack de comunicação?

Sejamos então progressistas e admitamos as novidades sem controle. Que tal a abertura de todas as contas de todas as empresas, de forma pública, para sabermos de onde lhes vem o dinheiro, para onde lhes vão os lucros, como se fazem artistas se é por mérito ou por serem filhos de artistas, quais as políticas e diretrizes que regem as emissoras de televisão, ainda mais quando recorrem a verbas públicas, dinheiro cidadão, repassado sem as autorizações necessárias dos verdadeiros donos: A nação brasileira...Perguntemo-nos: O que é realmente "liberdade sexual" ? È necessário que se atente para o fato que quando uma criança vê cenas sexuais em livros que lhe são "proibidos" ou escondidos, ela tem noção pelo menos de que "ainda é cedo" ou não está acessível para ela, mas quando as cenas lhe invadem o quotidiano, passa a ser normal e a proibição dos pais uma idiotice "deles"... Fruto de uma "credibilidade" que a emissora tenta passar.  



Qual será a novidade das emissoras de televisão e dos programas apensos a páginas da net no futuro? Nem todos os modernismos podem ser novidades convenientes.

Plim.. Plim..

©Rui Rodrigues