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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Crônicas do Peró - Batalhas de tempestades e ventos



As nuvens vieram do sul... São cinza-azuladas, cinza-azuladas-escuras, quase negras, outras claras... Vêm em alta velocidade, taparam o por do sol, a noite vai chegar mais cedo e molhada, encharcada... As ultimas gaivotas já se recolheram a terra firme, sinal que haverá tempestade no mar, na praia... As duas lâmpadas dos postes de iluminação aqui da rua já se acenderam.
Mas ficaram como que estagnadas quase na vertical de onde estou, agora de uma cor só, cinza-chumbo-azulado, provavelmente extasiadas com a beleza do mar, da praia e das ilhas em frente. Mas talvez não seja por isso. O vento mais quente que sopra do mar como brisa, deve estar travando uma batalha pelos céus do Peró...
Talvez sobrem alguns pingos por aqui para rejuvenescer a esturricada vegetação do lugar. Semana passada alguém pode ter ateado fogo à reserva das dunas do Peró que queimou quase por completo. Eu tinha saído para Cabo frio. Quando cheguei a estrada estava interrompida por uma viatura da polícia. Ainda deu para ver as ultimas brasas da vegetação junto á rua da divisa deste loteamento com a mata.
Meu filho e minha neta viram o cadáver de uma ave apanhada pelo fogo, domingo passado. Não duvido que o fogo tenha sido criminoso. Sem vegetação nem vida, não haverá o que preservar da APA do Pau Brasil..
E em cinco minutos, o céu azul desapareceu. Agora tudo é cinza, espero raios, trovões, chuva a cântaros...E se houvesse movimentos de rua nos céus, as balas não seriam de borracha mas de granizo, e os canhões não seriam de água, mas de aguaceiros torrenciais de afogar mergulhador experiente. Em nosso país, que é uma democracia, manda quem pode e quem não pode se sacode como em qualquer ditadura.  


® Rui Rodrigues

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