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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Uma aula num futuro distante.

(Dei um pulo no futuro á custa de uma infinidade de sinapses e voltei com esta visão. Se forem lá e também tiverem estas visões, por favor, avisem que publicaremos. Nossa humanidade e nossa nação precisa muito de quem tenha visões a futuro).

O professor entrou na sala de aula. Seu rosto era de um rosa tão escuro que parecia vermelho. Tinha uma bela cabeleira dourada. Os alunos na sala receberam-no em silêncio. Levantaram-se quando ele entrou e se sentaram logo que, com um gesto, ele fez sinal para que se sentassem. Sentaram-se em silêncio. O professor falou:

- Como é habitual em todas as segundas feiras, leio para vocês os cinco primeiros princípios do “Livro da Vida” que norteiam a nossa civilização para que nunca se esqueçam. Leiam comigo, por favor, e não se esqueçam que não é apenas para decorar e “saber” repetir. É para sentir o significado mais profundo do que implicam estes princípios. 

Dos princípios se fazem as leis, e delas tudo se fez, e o tempo era um oceano e a matéria outro que nele se movia e evoluía, e onde foi possível a vida se fez porque assim são as leis da natureza desde os princípios.
Princípios 1.1
E da matéria se fizeram as três águas: A terra, as águas e a atmosfera, e destas surgiu a vida que assim está nas leis.
Princípios 1.2
E para manter a vida há que se adaptar rapidamente e estar preparado para as mudanças porque elas vêm quando menos se espera.
Princípios 1.3
Desperdiçar inteligência é desperdiçar a vida, porque sem inteligência não há salvação, razão porque te lembrarás que não se pode desperdiçar o tempo por ser a natureza quem dirige a vida não importa como ela seja.
Princípios 1.4
Tu és nada e ao nada voltarás, mas prepararás o caminho para teus descendentes viverem ainda melhor do que tu, pelo que abdicarás de todo e qualquer livre arbítrio que implique no prejuízo de outro ou do planeta, a menos que tua própria vida esteja em perigo.
Princípios 1.5


Um aluno levantou o braço. Queria falar. O professor assentiu com a cabeça.
- Poderia explicar o que significa A.E. e D.E.? A turma teve algumas dúvidas ao ler o texto de sua aula que dará hoje, como preparação para o entendimento.
- Bom... Temos que contar o tempo para tudo no nosso dia a dia, e medir o tempo decorrido em relação ao passado para que possamos ter noção da “distância” no tempo e assim medirmos uma porção de coisas, incluindo a nossa evolução. Algumas entidades científicas propuseram o nascimento do primeiro Senhor que uniu as nações numa só, outros propuseram a do nascimento do primeiro filósofo, mas precisávamos de um “tempo universal”... Assim, foi aprovado por unanimidade das nações o ano zero como o da data do primeiro documento escrito por nossa humanidade. Nossa data de hoje é 04-12-4932. Isso significa que descobrimos a escrita há cerca de quatro mil novecentos e trinta e dois anos.
- E F.H. o que significa?
- Houve uma civilização inteligente antes da nossa, a dos humanos, mas foi extinta ao que tudo índica por eles mesmos. Tudo começou com um aquecimento global que seria natural, mas que eles mesmos aceleraram por sua ambição de produzir coisas e bugigangas de que nem precisavam realmente. Queriam essas coisas por curiosidade, ambição e vaidade. Foi uma civilização do desperdício. F.H. significa “Fim dos Humanos”. Eles se extinguiram há cerca de 2,5 milhões de anos, quase nada na escala de tempo de nossa Galáxia. Ainda temos pela frente uns sete bilhões de anos até que o Sol engula este planeta. Por isso as bases que já instalamos no quarto planeta a partir do Sol. Nossa civilização começou entre 42 e 52 milhões de anos atrás da mesma espécie original. O Homo Sapiens evoluiu primeiro, nós aprendemos alguma coisa com eles, quase nada. O mais importante que aprendemos é que “poderíamos” aprender. Eles se extinguiram e nós seguimos adiante.



- Por que não fomos extintos, professor?
- Com a mudança da composição química da atmosfera, o ar tornou-se irrespirável. Excesso de dióxido de carbono e metano, altas temperaturas. Sobreveio um inverno nuclear de curta duração. Mais ou menos dois anos. Quem podia, enquanto pôde, usou oxigênio engarrafado até os últimos instantes, consumiu estoques. Não se produzia nada. Se alguém produzisse, roubavam, assaltavam, matavam. Morriam aos milhares, milhões todos os dias, e nos últimos anos de câncer de pele. Aí vieram as doenças. Para piorar, quem tivesse uma arma vivia mais uns dias ás custas dos outros. Nossa espécie [1] estava habituada a passar dias a fio numa ilha, a ilha de Koshima, á beira da praia – nossos ancestrais sabiam nadar – e absorviam uma mistura de ar normal misturado com os gases das fontes termais. Estavam mais preparados para as mudanças na composição química do ar que sobreveio. Durante um ano, mais ou menos, após a extinção dos humanos nossa espécie sofreu algumas baixas, mas com o fim da atividade humana a flora do planeta começou a jogar no ambiente o oxigênio que havia sido perdido, e a consumir o dióxido de carbono.
- E quando saíram da ilha de Koshima para povoar a terra?
- Em cerca de 500 anos. Antes mesmo da extinção humana nossos ancestrais já nadavam entre ilhas da região. Um dia conseguiram fazer uma jangada de troncos. Também tinham aprendido com os humanos a lavar batatas doces. Sabiam como plantá-las. Nestes dois milhões de anos que então se passaram evoluímos. Ficamos muito parecidos com eles, mãos, pés, pernas... Há quem diga que antes da situação ficar crítica, cientistas humanos fizeram experiências genéticas com nossos ancestrais, dando-nos genes humanos que não possuíamos. Nossas tentativas para encontrarmos ossadas de nossos ancestrais e fazer análise de ADN até agora foram infrutíferas. 

- Como sabemos de tudo isso, professor?
- Através de escavações e principalmente porque nossos ancestrais se preocuparam muito em preservar o que o tempo não havia destruído. Em muitos porões antigos de casas e universidades se preservaram muitas informações. Foram guardadas. Aprendemos muito com elas.
- Quais as diferenças principais de nossa civilização para a deles?
- São poucas, importantes e fundamentais. Recomendo que apertem a tecla “I” para gravação em vossos implantes cerebrais, porque junto com os cinco princípios que lemos no inicio desta aula, são a base de nossa civilização.

  1. A pressa só é importante quando usada a favor da coletividade. Afora isso, não temos pressa nenhuma. Como exemplo, nossos veículos movidos a energia renovável e não poluente. Motores de carros de polícia, corvetas marítimas de fiscalização, transportes públicos, são de potência e velocidade máximas. Transportes particulares têm velocidade mínima. Outro ponto importante é que não se aprova o uso industrial de nada antes de se comprovar seus efeitos sobre o ambiente. Nem se constrói casa onde não haja antes uma rede de esgotos, iluminação, adução de águas pluviais para tratamento e consumo. Os humanos perderam o controle neste aspecto e não queremos repetir o erro deles.
  2. Abolimos a esperteza política e não temos nenhum político. O que temos são funcionários públicos que fazem valer leis aprovadas pela população para municípios e estados. Os Estados juntos formam a União. A união somente distribui verbas em caso de catástrofes. De resto cada estado tem que sobreviver por si só para não criar preguiçosos acomodados e dependentes. A maior vergonha para um Estado é ser “mais pobre” que o outro. Eles competem para que cada um seja melhor que o outro.
  3. Imposição de “cotas de filhos”. A população não pode ter crescimento populacional acima de limites sustentáveis estabelecidos. Antes de nascerem as crianças devem ter lugar em escolas, garantia de sustento, creches disponíveis. Então podem nascer. Não entendemos hoje como os humanos nunca perceberam isto. Deve ter sido porque diziam que se amavam uns aos outros, mas não parece que se amassem muito. Nós não nos amamos uns aos outros, mas amamos nossa civilização, nossa preservação da vida. Vivemos como podemos e devemos viver, e não como “queremos” viver. E agindo assim conseguimos um dia, já lá vão mais de três mil anos, viver como queremos realmente. É como o filho protegido achar que tem que ser sempre atendido e se tornar um bandido. Não criamos “proteções” especiais.
  4. O objetivo maior de nossa civilização é transportá-la integralmente, sem falhar um único cidadão, para outros planetas, porque este nosso o terceiro a contar do Sol, será absorvido, torrado, incluído ao Sol em pouco mais que quatro bilhões de anos. Para criarmos condições em outros planetas, leva milhares, milhões de anos. Por isso já começamos em Marte o nosso treinamento. Uma comparação: Dos humanos, se tivessem sobrevivido á grande extinção, só gente de três ou quatro países teriam chegado a novos planetas para os colonizar. Mais de 95 por cento da população da Terra pereceria, porque nunca se preocuparam em salvar todo mundo. Salvar-se-ia apenas quem pudesse.
  5. As espécies vivem neste planeta hermético constituindo a natureza. Então a natureza vem antes do indivíduo em importância de cuidados. Por isso que fazemos análises diárias do Ambiente. Por vezes até precisamos poluir mais para mantermos as porcentagens químicas a que estamos habituados. Outras vezes até o pouco que poluímos pode gerar uma catástrofe. Mantemos hoje o planeta em suas condições ideais. De certa forma isto também não é muito bom, porque evita a “evolução” das espécies. Ainda estudamos estes aspectos.
  6. A ambição e a falta dela são controladas. Ninguém pode ser tão rico que possa comprar um ministério público, indicar alguém para cargos, formar um exército. Os humanos faziam isso. São poucos os exemplos que seguimos dos humanos. O melhor que fizeram foi a tecnologia. Nem os religiosos se aproveitavam. Todos eles pertenciam a empresas comerciais que arrecadavam verbas, usavam menos de um por cento para obras assistenciais como propaganda, e o resto servia para se expandirem pelo mundo para arrecadar mais verbas, obterem mais poder.

- E os Bonobos [2], professor?
- Os Bonobos são uma espécie muito semelhante á nossa. Temos um programa especial para acelerar a sua evolução. Fizemos algumas alterações genéticas e estão indo muito bem. São menos “frios” do que nós e estão mais voltados para o amor. Um dia serão como nós e nós como eles e poderemos, juntos, ocupar planetas para os quais estejamos mais adaptados. Já se estuda o cruzamento entre nós e eles. Estudamos também a possibilidade de evolução acelerada de outras espécies.
- E a religião, professor, como funcionava?
- Esse será o tema de nossa próxima aula. Mas vou adiantar que fizeram uma enorme confusão com o conceito de “moralidade”. Para eles até a evolução era imoral e jamais permitiriam uma troca genética entre nossa espécie e a humana. Até a próxima... Não esqueçam de fazer o resumo da aula como trabalho, e o “aparte” com proposta de evolução sobre este tema, ou seja, o que mudariam em nosso comportamento para a melhora de nossa civilização.
-Só mais uma pergunta, professor... É verdade que os continentes já se moveram nestes dois milhões de anos após o FH? 

- Vejam neste vídeo [3]... Moveu-se muito pouco. Ainda não é tão sensível no clima, mas precisamos nos prevenir... Um novo Pangea – os humanos chamavam a essa nova aglomeração de continentes de “Amasia” - vai prejudicar nossa existência. Graves mudanças climáticas se esperam sempre bem devagar. Temos tempo...Não desperdiçaremos nosso tempo como os humanos desperdiçaram. Se tivessem se dedicado á vida em vez de se dedicarem á morte, já estaríamos com eles há muito mais que dois milhões de anos em outros planetas, espalhando-nos pelo Universo. E há filósofos entre nós que se perguntam “Porque teríamos que nos espalhar pelo universo”... Agora chega!... Bom dia a todos, aproveitem o dia para se divertirem e estudar.  


® Rui Rodrigues

[1] Conhecidos como “Macacos das Neves” ou “Macacos de cara vermelha” existentes na Ilha de Koshima, Japão. Ver em https://www.youtube.com/watch?v=-sZ48htPLgs

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