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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

1012 - Armadilhas do amor - 2012



1012 - Armadilhas do amor - 2012

No ano de 1012, a iluminação se fazia com tochas embebidas em óleos, não havia vasos sanitários, escrevia-se com penas de pato cortadas e os ricos com penas de pavão. As notícias eram dadas por velozes cavaleiros, e as carroças eram o meio de locomoção mais veloz quando os cavalos não morriam exaustos ou as rodas não se quebravam. Os perfumes eram o antídoto nada eficaz para os maus odores do corpo. Ninguém ainda imaginava que as doenças se transmitiam pelo contato, pela respiração, pela falta de higiene. Diziam que Deus levava as almas dos corpos e rezavam-lhe penhoradamente para que suas almas fossem preservadas. As mulheres eram preservadas com cintos de castidade para que nas longas ausências de seus maridos lhes fossem fiéis. Não raro os homens, sempre atarefados na arte de lutar contra tudo e qualquer coisa, usavam tripas de porco que enfiavam em seus prepúcios para evitar o nascimento de filhos indesejáveis. Os homens enfiavam seus órgãos genitais em vaginas através de um buraco no lençol de sexo, para não terem que furar todos os lençóis. Também para que crianças demasiada e insistentemente curiosas não ficassem perguntando para que servia aquele buraquinho no lençol. Nem imaginar que se pudesse fazer sexo fora de casa, a não ser nos campos sob árvores ou no meio de milharais, ou em estalagens de prostituição, das quais D. Rodrigo era freqüentador contumaz.

Em 1012 o povo judeu foi expulso de Mainz, na Alemanha, com a omissão do Papa; Mael Morda começou uma rebelião contra Brian Boru na Irlanda, que só terminaria em 1014 com a batalha de Clontarf; O rei Máel Coluim mac Cináeda de Alba derrotou uma armada dinamarquesa na Baía de Cruden em Buchan, que eventualmente deu o nome ao Buchanan'sum excelente Whisky por sinal; Suleiman foi reposto como califa de Córdoba com o título de Umayyad, sucedendo a Hisham II, e Oldrich sucedeu a Jaromir como duque da Boêmia; o califa al-Hakim ordenou a destruição de todos os lugares de adoração judaicos e cristãos; o arcebispo Alphege de Canterbury é assassinado pelos seus captores dinamarqueses; o papa Benedito VIII sucedeu a Sérgio IV como o 143º Papa e Gregório VI transforma-se no antipapa.

Em 2012, mil anos depois, o mundo tem energia elétrica proveniente de muitas e diversas fontes de energia; os vasos sanitários fazem parte do nosso dia a dia e quem está apertado usa banheiros de casas comerciais onde se aproveitam os momentos para paquerar o gênero oposto ou até o mesmo gênero; depois da pena de pato, descobriu-se a caneta com bico de metal, e a caneta tinteiro, mas já ninguém sabe para que servem, se lhes mostrarmos uma, porque tudo se digita em computadores; automóveis em terra, navios no mar e aviões no céu, nos põem em qualquer lugar do mundo antes que o sol se ponha, embora as rodas continuem a furar; Continuamos a usar perfumes adoidado, mas tomamos banho todos os dias, e quem não toma fede mesmo que não sinta o cheiro; sabemos como se transmitem as doenças e nos preservamos, evitando assim idas constantes á igreja para pedir a Deus que não nos leve a alma. Aprendemos que podemos fazer esse pequeno trabalho de Deus, mas que um dia iremos mesmo contra a vontade; as mulheres já não se preservam por que usam preservativos em pílula ou em confortáveis invólucros de látex; homens e mulheres continuam lutando mas muito mais por emprego do que em guerras, consumindo-lhes o tempo que deveriam dedicar á família. Prepúcios se enfiam em vaginas em qualquer lugar, a qualquer tempo, seja com quem for, desde que se agrade, mutuamente, á primeira ou à enésima vista.

Mas nem tudo mudou. Algumas coisas continuam iguais.

Era primavera em Abril de 1012. D. Rodrigo Vaz partia para uma guerra com seu séqüito. Na noite anterior, à luz de uma só tocha, fez um sinal para a sua mulher, bela, com seus 27 anos de idade, já mãe de dois filhos, mas inteira, como se fosse virgem. Ana Bentes entendeu o olhar. Aprendera a conhecer os desejos de seu marido a quem atendia em tudo, não fosse perder seus atributos de castelã, ou levar umas tapas por conta da fúria de seu sempre furibundo marido. Tinha outros desejos de outros, mas o preço era muito caro. Não corria risco. Assim, apanhou o lençol com o furo no meio, levantou os saiotes com seu marido de costas, enfiou-se debaixo do lençol, abriu as pernas e deixou que seu marido a penetrasse com fúria. Gemeu de dor porque estava seca, sem a mínima vontade de ser possuía, mas deu a seus gemidos um tom diferente, soando como se adorasse o vai e vem bruto D. Rodrigo. Quando este acabou, foi no armário, apanhou o cinto de castidade e colocando-o na mulher, passou-lhe a chave que pendurou em seu cordão de ouro, ao pescoço. Deitou-se, dormiu. Na manhã seguinte, depois de alguns conselhos à bela Ana Bentes, partiu com seu séqüito para a fronteira. Ana disse-lhe adeus à porta levadiça do castelo. D. Rodrigo olhou com olhar duro sobre a multidão, como se avisasse para que se portassem bem em sua ausência. Quando o séqüito já ia longe e não passava de alguns pontos ao longe, Ana chamou o armeiro de D. Rodrigo.

Lúcia Maria, 35 anos, fogosa, quente, estava casada há alguns anos. Talvez uns quinze. Seu marido já não era o mesmo. Embora fizessem sexo várias vezes por semana, não mais de três, nunca menos de uma não era propriamente o sexo que a deixava afogueada, desejando cada homem que via na rua e que lhe chamasse a atenção. Era o gosto por novidade, como quem precisa de experiências novas. Algo como comer uma lagosta ao térmidor, ou caviar de vez em quando para variar do feijão com arroz. O marido, Pedro Luiz, ia viajar no dia seguinte e ficaria fora por dois dias. Chegou em casa cedo, tomaram um banho e saíram para jantar fora. Curiosamente, Pedro pediu uma lagosta ao térmidor e Lúcia uns canapés de caviar. Foram para casa. Na volta rolaram na cama, fazendo tudo o que tinham direito. Eram bons nisso. Sua mulher já não suspirava ou gemia como dantes, mas isso ele atribuía à idade. Discretamente, ligou um pequeno botão escondido atrás do armário, e a pequena câmara escondida num canto da sanca do teto, começou a funcionar.  Passaria a controlar pelo celular se sua mulher o traía. Partiu na manhã seguinte, contente, feliz, para a guerra diária do trabalho. Guerreava para mantê-lo, para ser promovido, para poder dar conforto em casa. Sua mulher também trabalhava, mas juntos tinham um poder aquisitivo bem melhor. Logo que saiu, Lúcia desceu também para o trabalho. Pelo celular ligou um número. Atendeu uma voz de homem maduro, dos seus cinqüenta anos. Disse-lhe Lúcia: - Já saiu. Já estou indo pra lá. E desligou.

O armeiro chegou esbaforido aos aposentos de Ana Bentes. Fez uma vênia à bela castelã, que logo mandou afastar as duas aias. Logo que saíram, o armeiro pegou uma chave idêntica á do marido, D. Rodrigo Vaz, e ali mesmo, o armeiro a possuiu sem lençol furado, com todo o carinho e a ânsia de meses a fio sem poder tê-la nos braços. Quando acabou, entregou a chave a Ana Bentes que dispensou o armeiro e mandou entrar Nuno d’Andrade, o belo e jovem cavaleiro, uma promessa para o futuro das batalhas de D. Rodrigo. Com esse passou a noite inteira entre desmaios. O membro de Nuno não teve mãos a medir e passou a noite inteira mudando-se de uma toca para outra, gozava de prazer com os lábios ávidos da já quase consolada castelã.

No Motel, quando Armando chegou ao quarto, Lúcia já o esperava completamente nua, o rosto sorridente virado para a porta de entrada, suas nádegas arredondas sobressaindo sobre os pés cruzados com as pernas levantadas. Os seios abriam-se carentes. Um banho rápido, a roupa pelo chão, Armando dedicou-se ao prazer de dedilhar aquela bela mulher que lhe permitia até o guloso traseiro que negava ao marido. Corretor de imóveis, já se conheciam há bastante tempo e sempre que havia uma possibilidade de ausência do marido, Lúcia telefonava. Já sabiam onde se encontrar, porta do quarto do motel aberta. 

Como nem tudo mudou de 1012 para 2012, quando D. Rodrigo chegou da batalha e Pedro Luiz voltou do trabalho, entraram em casa e olharam ao redor, tudo estava arrumado, a casa florida, cheirosa, as esposas suspirando de saudades. O cinto de castidade tinha sido uma garantia eficaz e a câmara na sanca do teto cumprira a sua função.

Rui Rodrigues
(Conto publicado no "Bar do Chopp Grátis", em 2012)

domingo, 14 de agosto de 2016

Sopa muito de piranha de mini-saia e meia arrastão...






1) - Três cabeças pequenas de pargo e duas postas de peixe-espada também nada grandes.. Bote pra cozinhar assim sem mais coisa, em pouca água... Reserve a água...

2)- Se vire e separe as espinhas da carne... Reserve a carne, acerte as espinhas numa cesta de 3 pontos na cesta do lixo... (Vai sobrar muita carninha de peixe para duas pessoas que pretendem ir pra cama juntas...)

3) - Numa panela bote uma cebola picada, quatro dentes de alho picados, um pedaço de coentro, e refogue... Quando alourar, jogue a água do cozimento, e a carne do peixe... Acrescente água até a "quantidade" que achar que o casal vai trucidar...

4) - Quando ferver, acrescente uma pitada de sal e umas 4 a 5 gotas de pimenta da braba, ou então, apimente como lhe der na gana.. Pimenta no dos outros é refresco..

Putz... Já falei que tinha que abrir a cerveja e ou o vinho? Não.. não falei... Deveriam ter aberto e estar quase no fim por estas alturas... Abra mais então...

5)- Quando ferver tudo, vá juntando farinha de mandioca torrada até ficar um caldo grosso - E NÃO UM PIRÃO... Escutou ou já tá de porre?

6) Sirva na temperatura que desejar, salpicando uma salsa picada sobre o caldo...

7- E então? Depois digam se a transa do caldo de piranha com mini-saia e meias arrastão estava boa ou não... Para quem for trabalhar, que amanhã é segunda feira, recomenda-se óculos escuros...

® Rui Rodrigues

Retalhos de um tudo solto de um sólido quase nada...




Foi em Cabo Frio no ponto de ônibus em frente à Rodoviária, no sentido centro. Uma senhora proporcional de corpo, muito elegante, com botas de montaria, gabardine curta dos anos 60, luvas... Realmente a temperatura tinha baixado na cidade, mas não a ponto de cobrir os dedos. Não me lembro de que lado chegou no ponto de ônibus, mas logo saiu a caminho da rodoviária. Há momentos, pessoas, situações que poderiam ficar mais tempo em nosso campo de visão. Agradam tanto por qualquer motivo ou mesmo sem nenhum,  que nos deixam saudades e uma lembrança. E nem mostrou o rosto porque o curto tempo que por ali ficou, ficou de costas para mim. Tenho certeza que não me viu quando chegou. Fiz um ca lá pelas quatro da manhã, quando me lembrei dela. Por vezes é bom não ser fotógrafo, estar sem câmara ou estar com o celular mas ter coragem de não bater a foto para não estragar a imaginação. Pode ter tirado as roupas do bau, ou passado numa dessas lojas de roupa usada e ter feito uma extravagancia barata. Poderia estar esperando alguém, ou ter desistido de pegar táxi ali perto do ponto - na realidade ela estava um pouco afastada - e ter resolvido pegá-lo no ponto de táxis drodoviária. Onde iria? Coisas sem importância na vida, mas se atentarmos para questões de importância, qual a que realmente tem a vida? Se tivesse, todos os que  viveram estariam na lembrança de todos os que vivem. Na verdade ela me pareceu a parte viva de 1960, inserida numa paisagem de 2016. Perguntei-me se por acaso não teria olhando a senhora através de um portal do tempo, assim como em universos paralelos que não creio que existam. Pensei em me dirigir aos outros passageiros e perguntar-lhes se tinham visto a tal senhora, mas abandonei a idéia, porque eu tinha certeza de a ter visto no mundo real, ali mesmo, antes de embarcar. E não fui atrás dela porque não tinha cabimento. Ainda diriam que se tratava de assédio sexual, e não passaria eu por uma vergonha dessas. Arrependi-me, ou não, de não ter batido palmas. Ela merecia e tenho certeza que todos os transeuntes concordariam de bom grado em lhe bater palmas, mas as pessoas são tãsusceptíveis, tão melindrosas e sensíveis, que ela poderia pensar que se tratasse de gozação. Mas não. Não. De forma alguma. Por breves instantes ela reinou sobre as ruas e o inverno de Cabo Frio, provavelmente sem nunca chegar a saber que reinou. Tento lembrar-me da idade que aparentava, mas diria que princesa não era nem rainha-mãe. Estava na idade de não pensar na idade e foi pena não lhe ter sentido o perfume. Estava muito longe de mim e não tenho o faro tão bom como o dos amigos caninos, desses que andam pelas ruas e se amam ali mesmo sem a menor cerimônia e depois vai cada um para seu lado. Baladas são assim. Seres humanos têm lugares adequados para serem respeitados e para não serem. Quem quer vai pra lá, quem não quer fica descansando para quando quiser ir, e se não for ninguém sentirá sua falta por muito tempo, ou quase nada. Ela não olhou nem para trás nem para os lados. Nada lhe interessava. Por isso não me viu e isso teve uma importância relativa na minha vida, porque se me tivesse olhado quem sabe o que poderia acontecer... A minha vida e a dela poderiam ter mudado completamente ou continuarmos com a vida assim solta, sem nada sólido a prender-nos, cada dia um retalho a juntar para a grande colcha da vida.         

   
® Rui Rodrigues 

sábado, 13 de agosto de 2016

A longa viagem

1-A caminho de algum lugar
dezembro de 2050.


Lá fora a escuridão era completa em todas as direções apenas salpicada por minúsculos pontos de luz, uns maiores outros menores, uns mais brilhantes outros menos. O que quer que pudesse olhar pelas escotilhas(apenas havia duas) teria a sensação de   estar dentro de um compartimento parado, mas movia-se a 100.000 quilômetros a cada segundo, um terço da velocidade da luz. Nenhum desses pontos brilhantes parecia mover-se em relação aos outros. Não havia nenhuma referência para se sentir a velocidade, assim como quando se viaja de trem e se veem as árvores passar muito rapidamente pelas janelas. A sensação de estar parado era total. O interior da nave era muito pequeno, e não se via ninguém. Havia algumas minúsculas lâmpadas de LED que piscavam em alguns equipamentos, mas não havia ninguém para consultá-los. O espaço no interior da pequena nave era ocupado por equipamentos e depósitos. Não se via uma cadeira, um traje, um leito destinado a um ser humano. Aparentemente a nave não era habitada. Olhos mais atentos porém, perceberiam uma câmara circular no topo da cabine, e dois braços mecânicos disfarçados nas paredes laterais da nave, um de cada lado. Quem comandaria a nave? E porque deveria ser pilotada por alguém? Na verdade nunca se falou dessa nave, ninguém assistiu a seu lançamento ao espaço, nenhuma nação reclamou sua existência. Havia um som vindo de um equipamento especial que transmitia em ondas de rádio o conteúdo de um CD em várias línguas da Terra, e que se fazia ouvir também no interior daquela cápsula, fundos musicais dos países de origem dessas línguas. Numa pequena tela apareciam imagens de coisas da Terra, gente, animais, plantas, o fundo do mar, o planeta girando no espaço em volta do Sol, com sua acompanhante inseparável, a Lua. A nave destinava-se a ser percebida, encontrada, numa imensidão aparentemente desértica de vida. Os olhos humanos servem apenas para ver o necessário imediato. Mas a câmara interna, de 360 gaus, presa no teto, de vez em quando mexia-se. Uma ou outra lâmpada de LED acendia-se. 

2- Despertar de rotina
   
  
De repente acendeu-se tudo na cabine… Alguém chamava a nave em bom português do Brasil, como se houvesse algo vivo na nave.

-Alô missão Boitatá, aqui base do Inferno.... Bom dia, pessoal. Hora de acordar! 
-Alô missão Boitatá, aqui base do Inferno.... Bom dia, pessoal. Hora de acordar! Respondam...
Ouviram-se sons internos na nave, o braço mecânico da direita girou e ligou chaves manuais, o braço da esquerda fez o mesmo, apertou botões, acendeu lâmpadas, iluminou os painéis, o  olho mágico de 360 graus girou e girou e girou, mas não se via ninguém na nave.
- Aqui, missão Boitatá, alô Terra!... Têm que nos dar um tempo para acordar e responder. Por aqui tudo bem. Adiante... 
Bom dia, pessoal. Hora de acordar!... Deem-nos as coordenadas. Se tudo estiver bem, devem estar a meio caminho do destino. Saíram daqui da base da Barreira do Inferno há exatamente três anos viajando a um terço da velocidade da luz. Quando saíram daqui o alvo estava a dois anos-luz. Agora falta um ano-luz em distância a percorrer, ou seja mais três anos terrestres. Vão chegar lá com cérebro mais jovem ainda... Contem-nos como se sentem.

- As coordenadas conferem com as vossas. Estamos na metade do caminho. Cheguei a pensar, quando entrei em fase de "desligado", que o programa não iria funcionar, mas vocês não imaginam o meu prazer em sentir que estou vivo. Creio que Irene também... Irene?

- Ah... Olá... Fala a Irene. Sinto-me muito bem. Vocês nos limparam algumas memórias, para não sofrermos de saudades, certo? 
- Certo Irene!... Foi o combinado antes da partida. Vale o mesmo  para você, Carlos. Tudo o que quer que tenha sido bloqueado, quero que saibam, vai tudo bem por aqui. Então aproveitem o tempo, conversem entre vocês, porque em cerca de 6 horas serão desligados novamente, e voltarão a ser religados dentro de três anos terrestres quando estiverem chegando ao destino.
- Carlos falando... Digam-nos... Se não tivéssemos aceite o vosso convite  teríamos morrido, certo?
- Certo, Carlos e Irene... Quando chegarem ao destino terão que procurar urgentemente novas fontes de açúcar e oxigênio para serem eternos. 
- Entendido, Base do Inferno. Certo Irene?
- Entendido! Câmbio e desligamos!
Mas não se via ninguém na nave.

2- Conversa de casal antes de dormir




Na nave viu-se duas pequenas caixas de vidro que se abriram automaticamente no painel. Continham dois cérebros humanos ligados a um computador através de chips . Havia um cabo ligando os dois pelo cerebelo e estavam identificados como Carlos e Irene. Apenas os cérebros, nada mais. O cranio era de vidro transparente, de plexiglas, altamente resistente. Os cabos os ligavam a dois exo-esqueletos, como se fossem dois Transformers unidos para constituir uma nave. Estavam unidos pelo cérebro, pensavam em conjunto, sentiam em conjunto, raciocinavam em conjunto. Os dois cérebros unidos eram a mais potente máquina de pensar do Universo.

- Carlos... 
- Sim?
- Fizemos bem. Estávamos desenganados pelos médicos e ganhamos uma oportunidade de continuar vivendo.
- Penso o mesmo. O prazer de transar está todo no cérebro... Vamos dar uma? 
- Só se for agora... 

Quando estavam desenganados pelos médicos, tinham cerca de 70 anos. Agora comportavam-se como crianças de 18 anos, com uma vida eterna pela frente, e apenas dois pequenos cérebros para alimentar com uns poucos centimetros cúbicos diários de oxigênio, e umas gotas de açúcar... 

Ouviram-se risadinhas no interior da nave e universo afora... Na base do Inferno a equipe sorriu. Através dos sensores ligados ao centro de informações na base, sabiam exatamente o que que cada um via. E as fotos na parede mostravam como eles eram em sua vida normal. O cérebro é que constrói as imagens e os "perfis" que "julgamos pensar" das pessoas. O amor e o desamor constroem tudo, mas não é no coração. Do arquivo de cheiros e sons retiraram os de copos de cristal, de uma garrafa perdendo a rolha para um saca-rolhas, e do cheiro e sabor de um Chateau Lafite Rotschild 1787, como arrematado na Christie`s em Londres, em dezembro de 1985, 156.450 dólares  por uma garrafa apenas. Com a implantacao de chips, a economia mundial havia mudado. Podia ter-se de tudo sem comprar nada. Quase tudo...


Resolveram não se desligar. Ficariam vendo filmes, conversando, cozinhando, transando, sem ter que cuidar do regime alimentar, sem ter que pagar personal Training, sem dores nem preocupaçõesNão faltava o que fazer.    


® Rui Rodrigues 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Chuvas secas (dos contos de Amuleto)

Desiludido dos prognósticos das meninas do tempo, em busca de noticias que confirmem chuva, prescruto os céus e os vejo cheios de indícios. São as núvens, os tons de cinza de arrepiar, as poucas nesgas azuis, as umidades dos ares, as gaivotas voando sobre a terra seca, as aranhas recolhendo-se a lugar seguro fora das teias. Mas nada. Espera-se, e nem metade de nada. Nem a milésima parte do nada. A terra continua sedenta e a única umidade que cai nela lhe chega do suor do trabalho dos escravos dos impostos, da urina dos indecentes e dos necessitados de rua, do sangue de todos os que caem com os corpos furados sem modo de costurar, e de esgotos a céu aberto.

Nem a água que cai dos céus é pura como antes. Sem classe média, o mundo será uma classe de pobres rindo dos miseráveis. Os imobilizados que me perdoem o texto, mas os direitos impõem-nos ações de reparo que não nos parecem direitas. Temo que quando cheguem a cair, as gotas caiam secas! Sinto-me em traje de banho nas dunas do deserto do Saara, de caniço e samburá em leito de rio seco coberto de pedras ásperas.
Perguntei a minha mãe: - Cadê a chuva, mãe, que não nos chega?
E ela, meiga e pura, chorou!... Eu. idiota, em minha inocência, ri! Estava chovendo!
Depois fui consultar minha consciência e só então reparei: Nunca tive mãe depois da nascença. E passei por mentiroso perante mim mesmo. Como se me ocorrera invocar um diálogo com minha mãe com quem nunca convivi? Teme-se que, se chover, tudo rache ao redor, mas não há gente suficiente para fazer uma roda da chuva!
E lá fui pelo deserto cheio de areias com minhas galochas da , procurar a umidade da chuva, que ainda seria tanta a ponto de nelas encalhar baleia. A remove montanhas e pode trazer baleias para o deserto. Um deserto de areias molhadas com ondas de baleias.

® Rui Rodrigues
(Dos contos de Amuleto, ainda a serem escritos)

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Teremos um novo Japão ainda mais moderno?

Japão Moderno

O Imperador tira a peneira do Sol Nascente

Delegação japonesa a bordo do Missouri para a rendição em 1945

A constituição japonesa atual foi imposta pelos EUA na ultima guerra mundial ao Imperador Hiroito que governava o Japão como um Deus na Terra. Isso mesmo, para os japoneses, assim como para os habitantes da Terra até a Revolução francesa, no final dos anos 1.700, o Rei ou o imperador era o "Deus Humano", Há 2.700 anos atrás, em Israel, os reis eram ungidos por profetas. A dinastia japonesa tem 2.700 anos. Os israelenses descobriram precocemente que D`Us não nomeia ninguém aqui na Terra nem mantém escritórios de representação.

Hiroito do Japão

O Japão é um pais moderno, e desde o final da 2a guerra mundial vive com um Imperador que não mandaria nada mesmo que tivessem ganho a guerra, porque já descobrimos, e com a tecnologia moderna também eles, os japoneses, independentemente das guerras, que Deus não nomeia ninguém aqui embaixo, não tem representante, nem abriu escritórios ou filiais... O filho de Hiroito, que o sucedeu, chamado Akihito, aos 82 anos, cardíaco e com câncer, maltratado por "Deus", cansou-se de representar sem ser bom ator, e quer morrer com a liberdade de ser humano como todo mundo é, coisa que nunca o deixaram ser, por conta de tradições idiotas. Para piorar, ele só poderia "abandonar" o cargo por morte matada, morrida, atestada e confirmada com atestado passado.

Akihito do Japão

Akihito quer abdicar em nome de Naruhito, seu filho, neto de Hiroito. Se eu fosse Naruhito, agora com 56 anos, dava-lhes uma banana!

Bem vinda a República do Japão!


® Rui Rodrigues

domingo, 7 de agosto de 2016

O conhecimento, Trump e Marta futebolista.



1- O Ai Kai- Veneno Japonês...
Sobre a sabedoria.

Pensamento profundo , muito pró fundo, mas não tanto ao fundo senão me falta o ar....
Hoje na panela de pressão, "dilemas do conhecimento" - A Prognostosofia Eclética, essa coisa em que os prognósticos ecléticos são os melhores para a humanidade sob o ponto de vista positivista...
Sabemos tudo o que aprendemos (embora "novidades" que sempre chegam dos laboratórios da ciência - apenas da ciência - nos modifiquem um pouco o que pensávamos que sabíamos)...
Agora precisamos aprender o que não sabemos, mas como saber o que aprender se desconhecemos o que não sabemos? A grande questão: Pedir a um mestre ou mestra assegura a maestria ou mestrado com diploma?

2- Trump e Hillary


Os discursos de Hillary e Sanders mudaram na campanha. Agora atacam abertamente os ricos para ganharem votos dos "pobres"... Ora... Esta historia conhecemos por aqui, ha longos 14 anos... E a pesar de tudo, os "ricos" continuam financiando a campanha da Hillary. O que isto significa? Que os ricos querem esgotar as verbas publicas e desvia-las do povo para os bolsos de políticos e empresários, e colaboradores e empreiteiras e banqueiros...
Depois vão querer dar um impeachment nela!!!!
O primeiro erro (de elege-la) será ruim... O segundo (do impeachment) será bom... rsrsrs
(Irão me escutar?)Mas.. Reparem...Nem tudo o que parece inimigo realmente teria que o ser...

3- A Marta futebolista...


Vou repetir minha homenagem... Tenho que repetir!!!
Bom dia caríssimos e agradabilíssimas caríssimas todos nós ferrados de verde e amarelo nas finanças e "engreenaldados" com flores amarelas nos campos de luta esportiva... Viram a garra, aliás, as garras, da Martinha? Rapá.. aquela boca linda cheia de dentes comemorando o gol... As veias quase explodindo numa pressão de 30 x 20.... Dois braços que pareciam duas garras de águia... Aquilo sim que é mulher, não é a outra Martha do "relaxa e goza", simbolo da depressão e da mal-gastança nacional. Martinha do futebol dá um banho em Neymar....
Minha heroína no dia de ontem!!! Mulherio nacional, parabéns !!!!!!!!!!!!!!

® Rui Rodrigues