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sábado, 15 de setembro de 2012

O mensageiro - Um verdadeiro cidadão do mundo


O Mensageiro


O Mensageiro
Um verdadeiro Cidadão do Mundo

Há quem se vanglorie de ser cidadão do mundo, só porque morou em dois ou três países e visitou mais um par deles, ou, ainda, tem dupla nacionalidade. Isso não é ser cidadão do mundo. Cidadão do mundo, mesmo, realmente, é o Pedro. Pedro Nogueira da Silva que contou sua história no Bar do chopp Grátis para quem quis ouvir. Foi uma noite e tanto.

Onde Pedro nasceu ao certo não se sabe, mas foi em 1950 na Sérvia, antiga Yugoslávia. Com 16 anos engravidou uma moça e queriam obrigá-lo a casar. Seus pais não eram ricos, nem pobres, mas conseguiram arranjar-lhe o dinheiro suficiente para comprar uma passagem para a França. Acobertaram o filho porque se sabia que a moça era uma doidivanas que saía com muitos rapazes. Pedro só tinha saído uma noite e mesmo assim tinha sido rápido e em pé. Depois ela não o procurou mais e continuou saindo com os outros rapazes. Naquela época nem existia teste de DNA, e valia a palavra da moça que dizia quem era o pai. Às vezes era, outras vezes não. A família e Pedro resolveram não discutir, pularam essa etapa da vida, e numa manhã, assim de repente, Pedro já não estava na aldeia, os pais não sabiam dele, a moça teve que escolher outro marido. Durante a viagem chegou a pensar que era melhor aliviar-se com maricas. Esses não teriam filhos nunca. Um dia casaria decentemente, mas desistiu da idéia.  Não suportaria beijar um macho sem peitos, e seria capaz até de agredi-lo se um dia lhe pedisse para se virar que ele também queria ter prazer. Isso jamais. Depois, com a doidivanas longe dele, o mundo estava aberto para a vida normal que sempre tivera, mas os pesadelos só estavam começando.

Bem que seu pai o instruíra para ser um sujeito correto, honesto, família, mas também o avisara que o mundo lá fora do ambiente de casa era muito diferente. Logo conferiu e sentiu que era. Sua vida adulta estava começando e já se via encrencado sem que tivesse feito algo errado.

Foi direto de Belgrado a Paris pelo velho “Orient Express”, ainda a vapor cuja companhia os mantinha por tradição. Ainda no trem conheceu dois sujeitos que também viajavam para lá. Disseram que iam alistar-se na Legião Francesa. Pedro contou-lhes o seu caso e disse-lhes que não sabia para onde ir, como conseguir um emprego. Conversaram bastante porque sono era exatamente o que não tinham. Só quando o trem estava chegando a Paris os dois lhe contaram que eram inocentes num caso em que se envolveram com a policia e houvera um morto e vários feridos. Tinha sido na tarde do dia do embarque e lutavam pela independência da Sérvia tentando minar o governo de Tito, que unificara a Yugoslávia contra vontade das diferentes etnias da região. Tito fizera o seu sonho, mas apagar o sonho dessas etnias. Pedro achou que os dois tinham uma boa moral, eram gente decente e convidou-se para entrar com eles na Legião Estrangeira. Por sorte, em vez de o trem ir para a Gare du Nord, de onde saem e aonde chegam os trens de viagens internacionais, o deles foi desviado para a Gare Montparnasse, que hoje já não existe. Lá, a alfândega era mais suave e o controle de passageiros ineficiente, ainda mais quando a estação se enchia de nevoeiro provocado pela fumaça dos trens a vapor como aquele. Decidiram arriscar e não saltar do trem em movimento.

Entraram para a Legião Estrangeira. Após alguns meses de treinamento, na Córsega, onde estava lotado, Pedro foi despachado para o Tchad em 1969 quando o governo do Chade pediu ajuda militar à França para abafar uma revolta tribal importante. O batalhão de Pedro, o 2. ° REP foi então mandado a esse país onde participou, durante quatro meses, de tiroteios contra os rebeldes, até que a revolta malograsse. Envolveu-se em tiroteios, e chegou a uma conclusão. Na guerra de guerrilha não se pode avançar de peito descoberto na base da heroicidade. O indivíduo deve prevenir-se se quiser preservar a vida. Os mais afoitos, nascidos para serem heróis, avançam e são geralmente abatidos pelos inimigos. Viu alguns amigos seus caírem assim. Um dia o sargento disse-lhe para avançar. Pedro deu uma olhada no ambiente e viu um inimigo atrás de uma árvore com a arma apontada para onde ele estava. Disse para o sargento que primeiro tinham que abater o guerrilheiro para que ele avançasse. Não era louco. O Sargento olhou, viu o guerrilheiro e abateu-o com uma granada. Depois lhe disse: Agora pode ir, porra!  E Pedro respondeu-lhe:

- Meu sargento, desculpe o que vou dizer, não sou suicida, e agora vou, caralho!

Essa sua atitude e discernimento no calor da batalha, pensando, observando, antes de agir, valeu-lhe a recomendação do sargento e deu inicio a uma carreira que jamais imaginara seguir.

Ao fim de três anos conseguiu sua identidade francesa: Louis François D'Avignon. Gostou do nome, mas logo que saísse da Legião Francesa o trocaria para não lhe seguirem o rastro. Foi o que aconteceu no final de 1972.  Um dos amigos que fizera na legião francesa, disse-lhe que os americanos estavam precisando de gente especializada em inteligência e comunicações, que era a especialidade de Pedro. A missão seria no Vietnam. Um dia no Porto de Bastia, na Córsega, foi abordado por um indivíduo da CIA. Disse que se Pedro estivesse disposto a cumprir a missão ganharia um bom salário, e descreveu uma série de vantagens entre as quais se incluía a nacionalidade americana. Além do mais, se aceitasse, ele trataria de tudo junto à Legião Francesa. Pedro aceitou e pediu apenas uma semana de férias para resolver uns assuntos.

Soubera que em Portugal a corrupção era bem popular. Desde a segunda guerra mundial na qual o governo português se absteve de participar, que Lisboa se transformou num centro de espionagem com a mesma importância de Viena. Assim, disposto a obter um passaporte diferente, apanhou um “ferry boat” de Ajaccio, na Córsega, até Marseille e daí a Paris e Lisboa. Em dois dias tinha um passaporte tão verdadeiramente falsificado, que jamais descobririam ser falso. Foi nesse dia de 1972 que se transformou em Pedro Nogueira da Silva. E foi com este nome que entrou para o exército americano como membro da inteligência em comunicações e adotou a cidadania americana.

Chegou ao Vietnam, participou de algumas operações e das negociações para troca de prisioneiros a partir de 1975, com tanto sucesso que lhe passaram a dar missões importantes, altamente sigilosas. Uma delas foi um recado para Manuel Noriega, o general panamenho, ditador, que andou metido com traficantes de drogas e fazia lavagem de dinheiro. No entanto, como anteriormente tinha cooperado com os governos americanos, mandaram que lhe se levasse o seguinte recado: Que fugisse para a França, sem garantias de que não seria perseguido, mas que o governo americano faria de tudo para que não o matassem e não o extraditassem para os EUA. Sua família seria protegida. Realmente, apesar de aparentemente perseguido pelos americanos, fugiu para a França. Foi capturado, julgado a sete anos de prisão e finalmente foi extraditado para o Panamá. O governo americano não se intrometeu neste processo. Foi uma negociação entre o governo do Panamá e o da França.

Outro recado sigiloso que Pedro levou foi para o Bin Laden, logo após o 11 de setembro.  O recado era o seguinte: Bin Laden tinha cooperado com a CIA na guerra do Afeganistão na época da ocupação russa e em outras operações, não sendo assim um individuo qualquer na organização. Porém, como se tinha passado abertamente para o lado contrário aos interesses dos EUA, seria perseguido implacavelmente. A concessão americana seria o tempo em função dos integrantes da Al-Qaeda que Osama entregasse aos EUA por denuncia do local onde se encontrassem. Para cada um deles um período de tempo de vida, devendo entregar pelo menos sete deles. Se isto fosse cumprido teria sua vida garantida, morrendo para o mundo e vivendo incógnito e em segurança nos EUA, devidamente vigiado. Faria uma operação estética com um célebre cirurgião brasileiro. De fato, existem fotos de Osama Bin Laden morto após ataque a sua casa em Abbotabbad no Paquistão, foram feitos exames de DNA, mas não há provas reais de que tenha morrido. Seu corpo teria sido jogado ao mar. Para Pedro Nogueira da Silva, Bin Laden está bem guardado e ainda trabalha para a CIA.

Outra operação foi no Iraque. Um recado para Sadam Hussein. Não havia forma de fugir da CIA. Seria encontrado, preso, julgado culpado e morto pela forca com a cabeça arrancada na corda. A CIA nunca lhe perdoou a venda de petróleo aos russos e alemães...

Teve muitas mulheres, o Pedro, mas não sabe se deixou alguns filhos pelo mundo. Era um sujeito muito ocupado. Disse que um dia passaria pelo bar do chopp grátis para contar umas histórias sobre as mulheres que teve, mas que prefere não dizer os nomes: Não porque já não se lembre, mas por preservação da identidade.

Rui Rodrigues 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Homens e mulheres à frente do “seu” tempo!




Homens e mulheres à frente do “seu” tempo!
(E o mundo que herdamos)

Não há neste texto nenhuma referência específica a algum personagem histórico ou familiar que tenha as características de estar á frente de “seu” tempo, como se costumam vangloriar alguns personagens que conhecemos de nossa vida familiar e no meio de amigos e amigas, ou de fatos históricos que costumamos exaltar. Até mesmo porque ninguém está à “frente” de seu tempo. O que se pode é estar à frente de conceitos e preconceitos em relação ao senso comum do que são as formas “normais” de se agir em sociedade, grupos ou nações, afastando-nos de tais conceitos, preceitos, preconceitos, tradições. No fundo todos nós, sem exceção, temos um desejo hereditário, genético, de mudar o mundo. Não fosse esse desejo, não construiríamos nada, não estudaríamos para descobrir novos materiais, novas filosofias, o mundo ficaria parado, não haveria evolução. Com muito vagar vamos descobrindo coisas novas a cada dia, rejeitando o que não desejamos, lutando contra o que nos aflige e nos é difícil extinguir, adquirindo novos hábitos que nos parecem interessantes.

Herdamos um mundo. Todas as gerações herdam o mundo que seus antecessores lhes deixam, inacabado, imperfeito, à disposição para ser alterado, mudado, revirado do avesso. Creio que existe uma memória “genética” que interfere no relacionamento das novas gerações com as anteriores, principalmente no relacionamento entre filhos e pais. Vou mais longe: Na inconformação com o mundo que se lhes depara, cheio de imperfeições, filhos culpam os pais e as gerações passadas, lá no fundo de sua “ID” [1], por herdarem essas imperfeições, e mais particularmente, mas agora nem sempre, da condição de vida que herdaram de seus genitores com variância de grau, isto é, uns mais outros menos.

No caso específico do termo “mulheres à frente de seu tempo”, ou de homens à frente de seu tempo, refere-se este a mulheres que contestam os hábitos tradicionais e agem de forma diferenciada, rejeitando esses hábitos e adotando novos. Esses hábitos são sociais, políticos, pessoais, de comportamento. No mundo que vemos hoje, é como se o comportamento masculino fosse a “senilidade” e o feminino a “juventude” contestadora: os homens no poder na França de 1968, as mulheres montando barricadas nas ruas de Paris contra os métodos e conceitos da educação francesa da época. Ou as mulheres pelas ruas sendo presas porque faziam passeatas em Londres e Paris exigindo o direito de também poderem votar nas eleições. Cheias de razão, evidentemente. A mesma razão que tiveram para acabar com os cintos de castidade, uma geringonça que os maridos lhes punham, feita de aço ou couro, com cadeado, aplicada ao sexo para que não fossem violadas ou se aproveitassem da ausência dos maridos para praticar sexo com o risco de gerarem filhos bastardos.

Mas de onde veio essa tradição de que o homem é quem mandava nos filhos e nas mulheres?

Se não voltarmos muito tempo atrás, podemos atribuir esse vilipêndio ao direito romano que se baseava no “pater famílias”, cujo código foi aprovado numa sociedade em que os “patrícios” ou nobres faziam as leis para uma massa social constituída de escravos, artesãos, soldados e mulheres, velhos e crianças. O direito romano zelava pelos direitos dos homens, calava as mulheres e crianças que não tinham direito a nada, nem a falar. Os “pater família” podiam inclusivamente dispor da vida de suas esposas e filhos. Foram os homens que redigiram e aprovaram o código romano.

Mas podemos ir mais longe, para trás no tempo e ler por volta do ano 623 da nossa era, o Corão, escrito por homens. Também este livro separa os direitos dos homens e das mulheres, dando todos os direitos aos homens e tirando todos os direitos das mulheres. Seria então o Corão o culpado pelos hábitos e tradições que tiraram os direitos das mulheres por séculos? Parece que não, porque ainda podemos voltar atrás mais uns séculos no tempo, e lermos o que escreveram nos livros sagrados cristãos por volta dos anos 60 – 70 de nossa era. Estes textos não descriminam tanto a mulher como o Corão, mas, também escrito por homens colocam as mulheres em um estado tão ausente que até hoje a Igreja católica, a precursora das igrejas de Cristo, não aceita mulheres em suas fileiras hierárquicas, e tão cedo não se verá uma Papisa. Ao que parece, a religião muçulmana e a católica vêm na mulher algum tipo de “impureza” que as faz manter afastadas dos diálogos com “Deus”, não lhes concedendo também o dom de “perdoar” pecados. Será Deus uma entidade discriminante e discriminatória? .
Mas como podemos ainda voltar mais atrás no tempo, veremos que a culpa também está em outros textos mais antigos ainda, como se as “tradições” viajassem – e viajam – no tempo, sendo adotadas porque estavam “funcionando” nas sociedades onde foram iniciadas.

E voltamos então a cerca de 6.000 anos AC, á religião judaica. Está escrito no Gênesis a descriminação de Eva, a culpada por desviar Adão da obediência às leis de Deus e os castigos que tanto Adão quanto Eva teriam recebido de Deus. A mulher seria sempre tentada pelo mal (a cobra que lhe morde o calcanhar) e seria serva do homem a quem teria que obedecer. Quer a religião muçulmana quer a católica descendem da religião judaica. Seria então a religião judaica a responsável pela descriminação da mulher? Somos levados a pensar que não. Teremos que voltar ainda mais no tempo, á época em que os homens e as mulheres viviam em cavernas e não tinham religiosidade como a conhecemos hoje. Sabiam que existiam forças na natureza, raios que matavam, que as pessoas morriam mesmo sem lutar, sem serem feridas. Enterravam seus mortos deitados de lado, com os joelhos dobrados sobre o estômago, cobrindo-os de flores e colocando pedras em cima. Não se sabe se as pinturas rupestres foram pintadas por homens ou por mulheres, mas parece que as mulheres, que não tinham de sair para caçar deveriam ter mais tempo para se dedicarem á arte, e os traços são incrivelmente suaves para a brutalidade necessária a caçadores. Os homens, esses se ausentavam por vezes por dias. Eram fortes, musculosos, massas brutas prontas a matar para se alimentarem e para defenderem a sua prole e o seu grupo. Sem leis escritas, era necessário que alguém exercesse a liderança nos grupos que por aquela época, ainda sem agricultura não passavam dos 100 elementos. Os alimentos disponíveis num entorno não permitiam grupos maiores sob risco de terminarem rapidamente e os obrigarem a mover-se da caverna ou do lugar para outros mais distantes. Chegados nesses lugares, a mesma organização deveria ser mantida para que o grupo pudesse sobreviver sem lutas internas para disputar os alimentos. Essa organização incluía o chefe, o macho alfa, o mais forte e ativo, um intermediário entre o grupo e as forças da natureza incluindo a sabedoria sobre as plantas comestíveis e medicinais, os caçadores, e o resto: Idosos crianças e mulheres. Se atentarmos para esta organização, veremos que um líder ou chefe, não precisaria ter muito trabalho para governar: as mulheres eram dominadas pelos homens, e cuidavam dos idosos e das crianças. O chefe teria assim, de um grupo de cerca de 100 pessoas, que governar apenas os caçadores, cerca da sexta parte: 15 cidadãos.

Esta organização saiu das cavernas e passou para as cidades como tradição, quando se descobriu a agricultura. Um rei teocrático governava na realidade um sexto da população, considerando que as mulheres não tinham voz ativa e eram da responsabilidade de pais e maridos. Esta organização consta nos livros que chamamos sagrados, chegou até nós viajando desde cerca de três milhões de anos atrás, e está viva, operante, embora com algumas alterações que de tão tênues, pouco se nota a diferença, bastando atentar para a proporção de homens e mulheres nos postos de governo, na diferença de salários, nos casos de violência policial de homens contra as mulheres, nas fábricas, nos postos de trabalho braçal ou técnico e de gestão do trabalho, nas universidades.

Se formos buscar culpados teremos que buscá-los em nós mesmos que não mudamos ainda a nossa forma de entender o mundo. O mundo humano é apenas uma parte de um mundo maior limitado pelas dimensões deste planeta em que vivemos. Precisamos mudar alguns importantes conceitos para que possamos viver em paz entre os homens e as mulheres de forma a desenvolvermos as condições necessárias á manutenção da vida.

Este planeta não se destina a ser dividido, mas á vida da humanidade, concentrando os esforços na sua manutenção e não na sua divisão. Não há outra forma de continuarmos vivendo sob um mínimo de condições auto-sustentáveis.

Paz na terra aos homens – e mulheres – de boa vontade!... E mude-se tudo o que deve ser mudado.

Rui Rodrigues

A ID segundo Sigmund Freud - Divisão do Inconsciente

Freud procurou uma explicação à forma de operar do inconsciente, propondo uma estrutura particular. No primeiro tópico recorre à imagem do "iceberg" em que o consciente corresponde à parte visivel, e o inconsciente corresponde à parte não visivel, ou seja, a parte submersa do "iceberg". De sua teoria ele estava preocupado em estudar o que levava à formação dos sintomas psicossomáticos (principalmente a histeria, por isso apenas os conceitos de inconsciente, pré-consciente e consciente eram suficientes). Quando sua preocupação se virou para a forma como se dava o processo da repressão, passou a adotar os conceitos de id, ego e superego.
§                    O id representa os processos primitivos do pensamento e constitui, segundo Freud, o reservatório das pulsões, dessa forma toda energia envolvida na atividade humana seria advinda do Id. Inicialmente, considerou que todas essas pulsões seriam ou de origem sexual, ou que atuariam no sentido de auto-preservação. Posteriormente, introduziu o conceito das pulsões de morte, que atuariam no sentido contrário ao das pulsões de agregação e preservação da vida. O Id é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas.
§                    O Ego, permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. É a instância na que se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se à realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cômoda para o id e o superego.
§                    O Superego, a parte que contra-age ao id, representa os pensamentos morais e éticos internalizados.
Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por fatores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Descreveu duas pulsões antagónicas: Eros, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e Tanatos, a pulsão da morte, que levaria à segregação de tudo o que é vivo, à destruição. Ambas as pulsões não agem de forma isolada, estão sempre trabalhando em conjunto. Como no exemplo de se alimentar, embora haja pulsão de vida presente, afinal a finalidade de se alimentar é a manutenção da vida, existe também a pulsão de morte presente, pois é necessário que se destrua o alimento antes de ingeri-lo, e aí está presente um elemento agressivo, de segregação.



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A angustia de um peixe



A Angustia de um peixe




Dizem que os humanos constroem a sua moral de acordo com os seus interesses. É por isso que as religiões, cada uma tem a sua moral, os políticos cada um a sua, cada nação é diferente das outras por causa de seus costumes que se constroem com base nas tradições morais e éticas. Como peixe, não posso pensar de forma diferente. Os humanos construíram a moral de que peixe não tem sentimentos. Isso não é verdade. Chegam a dizer, quando algum humano é limitado no pensamento, ou pensa diferente dos outros, que tem “cabeça de peixe”. Nem olham para os cuidados que temos, quando procriamos e guardamos os pequenos peixes, nossos filhos, na própria boca para preservar-lhes a vida. Tanto carinho que os humanos não vêm... E são os peixes machos que cuidam da prole, não as fêmeas. E os humanos nem fazem isto. Deixam os cuidados da prole com as mães. E o nosso sangue? Acaso os humanos reparam que temos sangue como eles? Que temos veias, coração, fígado, baço, miolos... Respiramos... Digna de nossa admiração foi a baleia que já foi peixe e se adaptou à terra firme. Então vendo tudo o que os continentais faziam, voltou para o mar e hoje é uma mamífera. Com todo o respeito, as baleias não nos comem, só comem plâncton, que é uma aglomeração de criaturas que também não sabem ler nem escrever, tão pequenas que só com uma lupa se conseguem enxergar. 

Nós, peixes, namoramos, transamos, temos filhotes, ensinamos os filhotes, cuidamos deles, e envelhecíamos, mas agora nem chegamos à idade de morrer e já nos matam. A cada ano somos menores em tamanho. Não nos deixam crescer.

Há entre eles, os humanos, há um grupo que se diz vegetariano, mas muitos também nos comem, e galinhas, e matam embriões comendo ovos e ovas de peixe, mas o que mais me angustia são as perseguições e o pouco valor que nos dão.  Caçam-nos por todos os mares, rios e lagoas. Um dia acabam conosco. Há um povo no oriente da Terra que chega a nos comer vivos, com a carne ainda pulsante, e matam baleias dizendo que é para pesquisar. Essa forma de pensar seria muito boa para extraterrestres que também quisessem pesquisar e matassem esses para pesquisa. Claro que isto que eu disse é uma idiotice de um peixe, mas serve para pensar como que o que é bom para nós pode ser horrível para os outros. Pensem no que sente um tubarão pescado, com as barbatanas cortadas e lançado vivo de volta ao mar. É angustiante porque morre de fome e de falta de ar, vendo seu próprio sangue colorindo de vermelho a água ao seu redor. 

Certa vez me livrei de uma morte quase certa, conseguindo saltar de um barco de pesca, borda afora, com tantos saltos que dei, sufocado, com falta de ar, mas o que vi, quase me vez vomitar. Nós estávamos lá embaixo d’água, passeando em cardume, brincado com nossos filhotes, ensinando-os a comer. A temperatura estava agradável, o fundo do mar colorido porque era primavera, e de repente correu o pânico entre nós, como nos velhos filmes de Hollywood, quando a cavalaria americana arremetia em carga sobre as aldeias índias dos Sioux, Pés pretos, Oglalas, Cheyenes. Era um morticínio geral, crianças não sendo poupadas.   Assim também aconteceu conosco. Uns nos pescavam com anzóis, e lá vinham meus irmãos, presos pelos anzóis, sentindo falta de ar, as guelras ardendo, olhos esbugalhados, língua de fora. Outros vinham nas redes, amontoados, alguns morrendo pelo peso dos       que estavam em cima. Todos sofrendo de falta de ar, como quem tem asma e não pode respirar. Vocês humanos não imaginam o sofrimento de nossa gente. E o desperdício? isso que nos dói. Uma boa parte de nossa gente, já morta, foi devolvida ao mar porque há uma lei que proíbe pescar tamanhos pequenos e os pescadores pescaram até os nossos netinhos. Tanto trabalho na vida para vê-los morrer assim, desperdiçados, mortes em vão. Não me admira nada, porque os humanos se matam uns aos outros por qualquer bobagem, como diferença de cor de pele, diferença de religião... Qualquer diferença é sempre motivo para fazer guerra e sair pelos campos e cidades matando-se entre si. Se fizéssemos guerra aqui na água como fazem os humanos em terra, já não haveria mais peixes.

Na semana santa, por causa de uma religião, não temos para onde fugir. Matam-nos implacavelmente.

Digam lá na peixaria do Barbosa que se não conseguiu vender todo o peixe, que baixe o preço. Assim pelo menos a nossa morte não terá sido totalmente em vão, e digam aos japoneses que baleias não se matam. Que façam pesquisa com a mãe deles. O Crivela é pastor e agora ministro da pesca. Será que vai aliviar a nossa condição?

Rui Rodrigues

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Florbela e o milharal.




Florbela e o milharal.
(Na foto, quadro de Henrique Pinto –Entre o milharal)

Numa aldeia do Norte de Portugal o povo, contado pelos dedos em centenas não ocupariam todos os dedos de uma só mão. Viviam em paz na sua terra. Aquela terra era a “sua” terra, de mais ninguém, e mesmo assim, apesar da união, entre eles se cobiçavam terras, mulheres, fontes de água, casas, e em certos olhares ou comentários menos discretos, era evidente que se cobiçavam até as roupas, os móveis. Principalmente a sua proximidade com o Senhor Vigário, que tinha na aldeia a sua casa, alimentado fartamente com gordas esmolas das beatas, sempre na esperança de que, amigas do Senhor Vigário, ele que perdoava pecados poderia interceder ao senhor, por elas, para lhes arranjar um casamento, livrá-las ou a familiares e amigos de um mal, fazer com que os namorados ou maridos voltassem a interessar-se por elas, ou deixassem de deitar olhinhos para as outras moças da aldeia, que lá ninguém era parvo oiu idiota e esses olhares sempre davam nas vistas, por maior precaução que os maridos ou namorados tivessem.

Florbela não era daquelas que lavavam e passavam as roupas do Senhor Vigário, que os tempos obrigaram a chamar de Senhor Padre, e as toalhas dos altares e da sacristia. Florbela era ainda muito nova para isso, e só tinha 17 anos. Dezessete belos anos, ainda dependente dos pais para tudo menos para perceber os olhares que os rapazes da aldeia lhe lançavam aos seios fartos, às coxas fortes e arredondadas, às pernas com leves e discretos cabelos louros, o rosto corado de saúde e do sol. Sobre sexo os pais não lhe tinham ensinado nada. Diziam que ainda era muito nova para entender dessas coisas e quando chegasse a altura, ela mesma iria descobrir. No entanto sempre lhe tolhiam os passos para ir a algum lugar onde a convivência com os rapazes da aldeia fosse até mais tarde, os passeios acompanhada por eles, e de festas só acompanhada dos pais, que lhe guardavam a virgindade como quem guarda o dinheiro que deve ser amealhado.

Florbela gostava de ir ao rio acompanhar as mulheres que ainda lavavam roupa por lá, entre sons de canções cantadas em coro e sons de água correndo em cascata entre as pedras. Algumas diziam que jamais teriam uma máquina de lavar porque no rio a roupa corava melhor com a luz do sol.  Além disso, gastavam menos água encanada que era cara, menos energia elétrica, e sempre aproveitavam a ida ao rio para espairecer. Florbela ouviu muito dessas explicações que faziam todo o sentido.  Na aldeia todos reclamavam do custo da água e da energia elétrica. De vez em quando, enquanto  lavavm as roupas alguma se afastava e caminhava para longe por entre o milho alto que lhes passava em muito a altura. Quando voltavam traziam um olhar entre radiante e comprometido, por mais que tentassem disfarçar. Quando entendeu o que algumas das mulheres iam fazer entre o milho, já Rodrigo lhe andava fazendo uns convites para saírem durante a sesta, pelo calor do sol, para passearem, mas por causa das más línguas, melhor seria que ela fosse passear a sua cabrinha, como desculpa, e ele a encontraria na estrada combinada.

Florbela foi surpreendida a meio do caminho. Era a voz de Rodrigo:

- Florbela, continua andando naturalmente e depois volta para casa. Estão te seguindo... Não olhes para cá... Depois de amanhã no mesmo horário.

Florbela entendeu. Era assim naquela terra. Quando menos se esperava havia sempre alguém que entre as parreiras ou pela mata aparecia de repente sem ser notado. Terra de gente desconfiada, cuja maior diversão era “saber o que se passava”. Isso vinha do tempo em que os senhores abades usavam a confissão para intimar pessoas da terra para fazer declarações no santo ofício. Pela confissão, as alcoviteiras e os alcoviteiros denunciavam quem escolhiam para ser julgado como herege e perder as terras para a igreja ou o estado que depois as “doava” a quem batia com a mão no peito, fazia o sinal da cruz, comparecia às missas de domingo e doava gordas verbas para o senhor abade, dono daquelas terras. Coisas da inquisição a que chamavam de santo ofício, ou santa inquisição. Ficara-lhes o costume de “espreitar” os outros, seguir os outros, tentando desvendar-lhes a vida particular, coisas que contavam ao senhor prior, ao senhor vigário, e agora, por força de perda de poder pela igreja, ao senhor padre. Progrediram muito quando começaram a perceber que alguns padres gostavam mais de crianças do que deviam gostar e até os expulsaram, mas os afazeres das beatas, a confissão, a alcovitice, essas estavam impregnadas nas tradições da aldeia. Havia famílias, cujas terras tinham sido doadas pelo Santo Ofício que nunca quiseram saber das verdades históricas. Para essas, a história era a Igreja, exceto pelos feitos de valentia dos cruzados quando invadiram a Terra a que chamavam de Santa. 

Quando Rodrigo e Florbela se encontraram pela segunda vez, ninguém a seguiu. Passaram mais de hora descobrindo-se os sexos, afagando-se, beijando-se desesperadamente, como se naquele dia se acabasse o mundo, os dedos percorrendo todo o corpo. Quando Florbela lhe viu o prepúcio, admirou-se e gemeu dizendo que lhe iria doer. Rodrigo tranqüilizou-a. Juraram-se juras de amor eterno, fidelidade eterna, e quando Rodrigo a penetrou, já lhe corriam, pelas pernas de Florbela, aqueles líquidos a que se habituara quando em isolamento tranqüilo em seu quarto pensava em Rodrigo e se tocava, e antes dele num outro que esqueceu fácilmente quando pela primeira viu esse que agora se apoderava de seu corpo e a fazia sentir-se feliz como jamais se sentira. Não doera mais do que um beliscão, mas o prazer compensava tudo. Queria mais, e mais e mais. E Rodrigo deu-lhe mais e mais.

- E se engravido? Perguntou-lhe.
- Eu caso contigo. Não te preocupes. Amo-te muito, muito, muito. Jamais nos separaremos.

Quando chegou em casa, esbaforida – correra muito para disfarçar a ansiedade – desculpou-se pelo atraso: A cabra tinha fugido e ela tivera que correr. Jantou pensando no próximo encontro e sentiu-se feliz por ninguém ter percebido que agora já não era a menina Florbela, mas uma mulher satisfeita que acabara de descobrir o que era o verdadeiro amor. Seu coração ainda batia descompassado. Seu peito ainda arfava, mas não era de ter corrido atrás da cabra.
No domingo foi à missa. Aprenda a disfarçar o que sentia desde o primeiro dia em que lhe vieram as regras, os fluxos, aos treze anos, e desde então se divertia toda a vez que aprontava algo que só ela sabia e os outros não percebiam. Quando se ajoelhou para receber a hóstia, depois de mais uma confissão sem pecados, olhou os olhos do padre que como sempre, lhe serviu a hóstia. Nem o padre sabia de nada. Ninguém na aldeia sabia ou iria saber. Não contaria para ninguém para não correr o risco de a denunciarem, ainda que “sem querer”, desculpas a que já estava habituada a ouvir de gente que realmente “queria”. E, além disso, a religião era uma espécie de faz de conta, para dar uma impressão de santidade e de compartilhar sentimentos com os demais da aldeia, que assim se julgavam mais unidos, exceto quando as desavenças grassavam pela vila, as famílias divididas e era preciso o senhor cura, vigário, abade, e agora padre agir como se fosse um intermediário da justiça para por ordem na aldeia. A aldeia nem tinha policiamento ostensivo. Quando mesmo o padre não resolvia as questões, lá iam as famílias para a sede do concelho a resolver as suas dissidências com o meirinho.

Aos poucos os encontros foram ficando mais escassos. Rodrigo a procurava quando precisava e ela também. O amor dos dois estava latente, adormecido, e a necessidade do prazer se sobrepôs á vontade de se amarem. E foi assim que num dia melancólico para os dois, Florbela começou a namorar um rapaz trabalhador, daqueles que se sabe que um dia ficará bem de vida. Um sujeito firme de princípios, honesto, como corria voz pelo povo. Seu namoro foi muito bem visto e logo ficaram noivos e casaram, ela de véu e grinalda. Não era que Rodrigo não fosse honesto e trabalhador, mas não tinha a constância de Alfredo, o marido. Na noite de núpcias, Florbela ficou em expectativa: Como seria essa noite? Como seria o marido na cama, fazendo sexo, penetrando-a? Depois que a noite passou, Florbela tirou as suas conclusões. A primeira vez com Rodrigo tinha sido fantástica. Naquela oportunidade havia o desejo de experimentar o que lhe era desconhecido e tão bem escondido pela família: o sexo, de que as mulheres tanto falavam de forma velada em sua presença. Mas seu marido a tratava como esposa e a desposou como esposa. Rodrigo a desposara como mulher. Era diferente. E enquanto o marido a penetrava, pensava em Rodrigo. Ele não percebera que quando fechara os olhos o fizera para a sua intimidade: Para avaliar como o marido a tratava e a penetrava, e para comparar com Rodrigo.

A vida na aldeia, depois do casamento de Florbela continuou como era antes. Os homens saiam para trabalhar, as mulheres ficavam em casa. Algumas também trabalhavam em hortas e terras fora da aldeia. Outras ainda lavavam suas roupas no rio.

Um dia Florbela disse ao marido que ia lavar roupa no rio.

- Mas mulher... Não te comprei uma máquina de lavar roupa, novinha em folha?
-É... Temos uma máquina de lavar roupa, mas hoje apetece-me espairecer e vou até o rio lavar roupa. Fica mais corada, passa melhor e fica mais branca. O sol aviva as cores. Além disso economizamos na água e na luz. Não chegues tarde...

E Florbela passou a lavar roupa, apenas de vez em quando, no rio.  Um dia afastou-se das outras mulheres por algum tempo.

Quando voltou, estava sorridente, alegre, mas não viu nos olhares das outras mulheres nenhum sinal de reprovação. Cada uma tinha a sua vida.

Do final do milharal, Rodrigo saiu sacudindo ainda um pó imaginário. Ajeitou o chapéu, e sorriu. O primeiro a chegar tem sempre uma grande vantagem se souber tratar uma mulher, e não havia no mundo uma mulher melhor que Florbela.

Rui Rodrigues

Curiosidades de Angola[1]



Curiosidades de Angola[1]

Angola é um país lindo, forte, animado, grande, potente, rico. Tem diamantes, ouro, petróleo, riquezas minerais, uma costa rica em peixes, bons terrenos para cultivo e pastoreio. Nenhum angolano deveria passar fome.

Mas os dados apresentados no panorama mundial são tristes e preocupantes, levando a crer que, se este panorama não se alterar sensivelmente, a história de Angola a manterá na cauda da lista dos países do mundo, em termos de desenvolvimento efetivo e social, embora dirigentes [2]emanados do socialismo e do comunismo possam ficar cada vez mais ricos.

Com um analfabetismo beirando os 60%, e um IDH de 0,4 fica evidente que não pode ser compreendido o papel do Estado, e os votos dados em eleições não refletem uma preferência convicta com base no conhecimento, mas numa fé ou numa necessidade de votar em determinado candidato. Em suma, o voto não pode ser consciente com conhecimento de causa.

Com um PIB beirando os 115 bilhões de dólares, e uma população de cerca de 13 milhões, é como se cada angolano produzisse 8.846 dólares / ano, mas a maioria dos  angolanos vive com pouco mais de dois dólares por dia ou 700 dólares por ano. É o problema da distribuição de renda, que pode ser melhorado através da educação e da elevação dos salários, mas nem as empresas nem os senhores do governo estão interessados nisso. José Eduardo dos Santos, que tal como Putin se perpetua no governo, é dono de uma bela fortuna de bem mais de 100 milhões de dólares, fortuna que construiu não com sua inteligência ou aplicação em negócios, porque quem governa não tem tempo para fazer negócios legais. Negócios ilegais podem fazê-los os que governam e até enriquecerem, mas não deveriam. Os milhões desviados por corrupção, matam angolanos por falta de saúde pública, segurança, instrução de como viver em condições saudáveis.  Angola é conhecida internacionalmente como um dos países mais corruptos do mundo com um índice de percepção de corrupção[3] de 1,7.




Fruto destas políticas em que governo e povo são duas entidades separadas, Angola apresenta um índice alarmante de pobreza: cerca de 40% da população, aquela que produz 8.846 dólares por ano, mas em média só tem 500 dólares de renda per capita, é pobre. Vive na pobreza. É um claro sintoma do desinteresse do governo em corrigir a corrupção de forma a que não faltem recursos ao povo. O governo de Angola não é um governo credível, assim como também o não é a maioria dos governos do mundo, mas entre uns e outros, vai um abismo que se reflete nos índices aqui expostos. Parece que o maior problema dos governos a nível mundial não é exatamente a corrupção, mas “quanto” roubam em relação ao que o país produz. Há corrupção nos EUA, mas é tão baixa em relação ao que faturam, que praticamente não se nota e o povo recebe os benefícios, quase integralmente, do que produz. Se o exemplo americano não for do agrado para os leitores deste artigo, que vejam os países nórdicos, e até países onde se sabe que há corrupção endêmica como Itália, Espanha, Rússia... Lá também há corrupção mas proporcionalmente menor.

Talvez os movimentos internacionais que têm deposto corruptos como na Itália, na Grécia, em Portugal, dentre outros, e a primavera árabe, possam despertar movimentos em Angola para dar oportunidade a governos mais justos. Um em particular chama a atenção: O Resistência Autóctone Angolana para a Mudança (RAAM)[4] , mas sabe-se pouco a respeito permanecendo como uma grande incógnita.

José Eduardo dos Santos não quer o poder para “cuidar” do povo. Se fosse, Angola não seria o desastre que é como nação. Afinal ele governa Angola desde os primórdios de sua independência.

Angola precisa mudar, e a mudança não pode vir de um povo com índices de analfabetismo da ordem dos 60%. Tem que vir de uma classe intermediária que tenha instrução e saiba do potencial que Angola tem de ser tornar numa das maiores potências de África.

E José Eduardo dos Santos nunca foi comunista ou socialista. É um capitalista disfarçado.

Rui Rodrigues

   

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Como será uma civilização extraterrestre





Como será uma civilização extraterrestre
(Na foto, corpo hipotético de extraterrestre atribuído aos arquivos de Roswell)

Já vimos bastantes filmes de extraterrestres que teriam chegado por aqui, ou que teríamos encontrado lá longe, no meio das estrelas longínquas. Particularmente sou dos que acreditam que a vida, tal como a conhecemos, existe também em outros planetas onde seja possível e garantido que possa surgir, reproduzir-se, alimentar-se, viver e morrer. Como os planetas têm dimensões limitadas, é necessário que a vida morra e não prolifere muito, sob pena de não ter com que se alimentar. Algo que nos chama a atenção é o fato de os filmes os mostrarem, sem muito detalhe, sem jamais nos deixarem ver o que imaginam que possa ser a sua vida em seus planetas. Mas veremos que não é tão difícil imaginar...

Para construírem uma civilização, precisam descobrir a agricultura (afinal eles comem, não?) fixar-se em cidades. Podemos duvidar disto, mas até as formigas e os cupins sabem disto quando constroem seus lares onde armazenam alimentos e procriam. Pássaros têm um lar a que chamamos ninho, elefantes vivem em manadas porque ainda não descobriram a agricultura e isso lhes pode custar a existência. Além do mais suas patas não são nada aptas a manejar qualquer coisa, por mais simpáticos e inteligentes que possam ser. Mas se temos duvidas sobre isto, o que é certo, absolutamente certo, é que a primeira coisa que aprenderão nas escolas, em matemática, é que um mais um é igual a dois. Isto é fundamental, básico e uma verdade universal no sentido de que pertence a todo o universo. Lugar onde um mais um não seja considerado igual a dois, não tem civilização porque não poderão construir sequer uma casa, medir, calcular. E para ir á escola, precisarão de estradas e veículos para que possam ser transportados. A língua deles poderá ser semelhante a alguma das nossas conhecidas, ou já mortas, como o latim, e a forma de escrever também, mas falarão e escreverão para se comunicarem e colocarem avisos onde necessitem.   Em suma, farão tudo o que costumamos fazer, com um aspecto diferente, língua diferente, mas terão olhos para ver, caso contrário não saberão onde estão, o que os cerca, e não verão estrelas para que possam um dia se perguntar o que são e como chegar nelas.

Na geometria, os triângulos deles serão calculados da mesma forma que os nossos, e não haverá triângulos diferentes, exceto os que se desenham sobre superfícies curvas, mas estes já conhecemos: quando desenhados pela superfície externa de um globo, de vidro, por exemplo, a soma de seus ângulos internos é maior que 180 graus. Desenhados pela parte interna, têm menos de 180 graus. Aprenderão a extrair a raiz quadrada e como se locomovem, porque sem locomoção não se pode pensar numa civilização, têm membros e um corpo, não importa quantos dedos tenham nas suas extremidades, mas terão que ter a capacidade preênsil, para poder manejar instrumentos com que construirão suas casas, suas estradas, seus prédios, seus navios se tiverem um mar, seus aviões se tiverem uma atmosfera, não importa que química contenha essa atmosfera, esses mares.

E procriarão entre si, porque sem procriação não há crescimento populacional, e certamente, eu aposto nisso, uns mandarão e outros serão mandados, porque sempre haverá entre eles os que vão para a esquerda quando lhes dizemos que vão para a direita ou não trabalhem quando deveriam fazê-lo. E haverá machos e fêmeas entre eles.  Umas serão mais agradáveis ao tato, á vista, ou aos ouvidos, ou até a todos os sentidos e serão mais disputadas. Quem sabe, serão as fêmeas que disputarão os machos, mas que a disputa existirá, disso não tenho dúvidas. E haverá prisões para afastar os mais violentos.

Disseram alguns teóricos da extraterrenidade, que no caso de existirem outras civilizações extraterrestres, seriam muito mais ou muito menos desenvolvidas do que nós, jamais com o mesmo nível de evolução. Disto eu discordo. Eles têm as suas razões, eu tenho a minha: O universo tem a mesma idade, cerca de 14,5 bilhões de anos, e é razoavelmente uniforme e simétrico constituído de galáxias como a nossa via-láctea, contadas aos bilhões, e a probabilidade de uma similaridade de evolução não pode ser descartada assim tão facilmente.É muito provável que sua evolução seja muito similar à nossa pelo tempo que é necessário para que um planeta evolua a ponto de poder gerar vida, evoluir, e chegar a um nível de civilização.  

Não temos como saber se terão religiosidade, mas ao olhar o mundo em que vivem é altamente possível que o sejam, na crença de que haja um criador para tamanha obra, mas certamente não crerão em Buda, em Jesus Cristo, em Maomé, porque estes três não passaram por lá, e se passaram, Buda não seria necessariamente gordo, Jesus cristo não seria necessariamente crucificado e Maomé não teria fugido de Meca, porque Meca fica aqui no nosso planetinho. No entanto, a haver um criador, Esse não desampararia nossos amigos extraterrestres, assim como não desprotege a quem não acredita em Buda, Jesus Cristo ou Maomé. A não ser que o Criador não fosse um sujeito bom, mas para imaginar um deus ruim, melhor seria não o imaginarem porque já terão muitos problemas para resolver. No entanto, é possível que algum dos sacerdotes mais desmiolados de lá tenham mandado alguns “infiéis” para serem queimados em fogueiras, ou perseguidos religiosamente, ou ainda detonados por bombas que carregam presas ao corpo, dizendo que no paraíso há sete virgens que os esperam... E se as virgens não gostarem de sexo ou forem lésbicas? E se pelo contrário, forem as mulheres que detenham o poder? Neste caso encontrariam elas sete virgens mancebos esperando-as no paraíso? Isso não o sabemos. Teríamos que encontrá-los para termos uma conversinha sobre o assunto, mas já vou adiantando que para o surgimento de uma civilização é necessário um longo caminho de aprendizagem, passando o conhecimento de geração em geração. Para termos uma idéia do que isso representa, apesar de o universo ter 14,5 bilhões de anos, somente há cerca de 4,5 milhões de anos apareceram os primeiros hominídeos, e só há doze mil anos apareceu a primeira civilização no Egito, na Turquia ou na suméria (algo que os cientistas ainda  não ousaram afirmar).

O que isto quer dizer?

Quer dizer que deveremos ter uma media de inteligência muito similar em relação à média da inteligência do universo.  Tudo depende do grau de inteligência que conseguirmos detectar nos extraterrestres, mas por mais desenvolvidos que eles sejam, e mesmo com naves que possam viajar em velocidade de dobra, não teriam tempo de chegar aqui, nem nós de chegarmos “lá” onde quer que o “lá” se situe, porque o tempo da viagem, além dos inconvenientes do tempo em executá-la, são de fazer desanimar o mais santo dos seres vivos inteligentes. Planetas com possibilidade de vida tal como a conhecemos, estão, os que ficam mais perto, a mais de 4 milhões de anos luz, ou seja... Se nossa civilização já tivesse um grau de desenvolvimento há 4 milhões de anos atrás (quando apareceram os primeiros hominídeos), e viajando á velocidade da luz, o que é impossível, talvez já tivéssemos chegado lá, mas outro tempo igual decorreria para que pudéssemos  voltar. Certamente que a nave teria que ser imensa, porque ninguém vive esse tempo todo e seriam necessárias gerações e gerações para completarem a viagem (sem essa de criogenia, que arrebenta com todas as nossas células que estouram como aquelas bolinhas de plástico para acomodar peças frágeis). Ou seja, se fizermos bem as contas, e os extraterrestres já nos tivessem visitado, chegaríamos á triste conclusão que teriam partido de seu planeta original "antes" até do próprio planeta ter iniciado seu processo de criação de vida.  

E sem essa de viajar no tempo. Já sabemos que teríamos de controlar “buracos de verme” ou “túneis de minhoca” e construir uma máquina do tempo, mas na volta, sofreríamos uma descarga elétrica fatal, mesmo que protegidos com trajes á prova de choque elétrico, ou dentro de uma gaiola de Faraday.

Com medo de extraterrestres? Relaxe... Talvez eles estejam com mais medo ainda de nós e nem nos próximos “trocentos” milhões de anos chegarão aqui. Nem nós lá...

Por enquanto estamos sós no nosso espaço, tentando resolver os nossos problemas para não nos extinguirmos em guerras estúpidas que grassam pelo mundo, chefiados que somos por uns sujeitos que só pensam naquilo: Na grana e no poder... com que desfilam pelas ruas deste planeta, e não nos pedem opinião para nada quando governam. Serão nossos governantes os extraterrestres que tanto tememos?

Rui Rodrigues