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sábado, 12 de janeiro de 2019

Um velho admirável Mundo Novo


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Admirável mundo novo...

O primeiro a sacar e escrever sobre isso foi Aldous Haxley, deslumbrado com as descobertas humanas, baseadas sempre na ciência, porque a ciência é uma dádiva de Deus que os ignorantes não têm...
Quem estiver interessado no que ele escreveu, e bem, é sempre uma opinião, faça o favor de ler...

Depois dele muita coisa mudou, evoluiu, assim como o previsto em "1984" do George Orwell parece que ia acontecer com o movimento de 1964, não aconteceu, depois com Lula e Dilma estava até quase acontecendo mas também não, e definitivamente não vai acontecer...

Os guardiães da democracia ocidental não deixamos. Nem extremas-direitas, nem com extremas-esquerdas... Sofremos, sim, mas sempre ganhamos...

Agora, com o advento das redes sociais todos já repararam nos extremistas de todos os tipos, que xingam, ameaçam, porque embora se concorde em 99% com eles se discorda nesse pífio 1%... Assim, porque um indivíduo não concorda com o preço das batatas pode ser atacado, repreendido, ameaçado, simultaneamente por xiítas, petistas, bolsonarianos, islamitas, cristãos, evangélicos, militaristas, pacifistas do Atlântico ou do Pacífico, cabeleireiros, lanterneiros, ladrões ou policiais, professores, alunos ou apedeutas, lumbricoides, estapafúrdios, milongueiros, fadistas ou trapezistas...

Agora é moda o sujeito dizer que tem diploma universitário e sair desembestado falando pérolas de chiqueiro...

Rui Rodrigues

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Casos de Educação e causos de cultura


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Há quem diga que as liberdades devem ser relativas e limitadas. Chamemos-lhes os "nãozistas", porque dizem "não" pra quase tudo e se contrariados, punem.

Há quem diga que as liberdades devem ser totais e irrestritas: Chamemo-lhes de "simzistas" porque dizem sim pra tudo, e se com eles exageram, conversam muito sem punir.

Isto desde que são criancinhas dos primeiros e titubeantes passos.


Os primeiros nasceram nos tempos em que ainda havia pais. Os segundos nasceram nos tempos em que crianças assaltam e matam e dificilmente conhecem os pais, ou os reconhecem no mesmo baile funk que sua mãe ainda frequenta..

Para uns, estamos no final dos tempos, nos primeiros acordes do Apocalipse segundo S. João e já se vê a besta do 999. Para outros, os freudianos, as crianças de hoje carecem de alter-ego. Para outros a culpa é do capital, e se distribuíssem mais capital todos ficariam muito felizes, nem precisariam trabalhar, e assim poderiam criar mais monstrinhos em paz entre uma e outra baforada de erva ou de pedra...

A culpa, dizem todos, é da educação, mas parece que confundem educação com a cultura familiar, aquela "educação" que se dava em casa, naqueles tempos em que se dizia, à boca pequena, que "quem casa quer casa".

O inferno não existe!

O inferno cria-se...

Rui Rodrigues

domingo, 6 de janeiro de 2019

Indivíduos, famílias, nações.


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Há muitos tipos de "família" em todo o mundo.

Perante a lei, podem até ser todas iguais, assim como as pessoas, ou os dedos de uma mão. Os dedos de uma mão são todos "dedos", mesmo quando tortos, parcialmente decepados, raquíticos ou seis...

Mas quando analisados, são os dedos todos diferentes, e as pessoas, e as famílias. O sucesso das famílias depende da capacidade das pessoas que as formam. A capacidade de todas as famílias determinam o sucesso de uma nação.

Uma nação democrática considera os direitos e deveres fundamentais de forma igual para todos os cidadãos, mas deve atender as maiorias preferencialmente, porque é pelo voto que se elegem os representantes.

E quando os representantes não atendem o desejo da maioria, devem sair...

A França passa por um momento destes, pedindo a saída de Macron. Maduro, na Venezuela deveria sair do governo por fraude eleitoral.

Eu nasci antigamente, gosto mais de família à moda antiga.

Rui Rodrigues

Sobre a crendice fiel de Ponce de León


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Há sempre um modo de contar histórias reais como se fossem contos sem compromisso, mas continuando a ser rais.

Se não vejamos...

Juan Ponce de León (Santervás de Campos, 8 de abril de 1460 — Havana, julho de 1521) tinha um Rei e uma Rainha. Só que não. Quem "tinha" alguém eram o Rei e a Rainha que tinham Juan Ponce de León como súdito fiel. Foi o primeiro governador de Porto Rico e acredita-se que tenha sido o primeiro europeu a ter visitado a Flórida (foi ele que deu o nome à região, pela sua abundância de flores).

Nunca se soube se ele acreditava ou não, mas os Reis acreditavam numa "coisa". Disseram-lhe em 1514:

- Olha, ó Ponce... Soubemos que há uma fonte da juventude lá nas Índias (era o Caribe e a América do Norte, pra se ver como estavam equivocados)... Vai lá, descobre onde fica, e traz-nos uns tonéis, porque os padres e bispos daqui benzem a água mas não funciona nada.
- Sim majestades!
- Mas não demores muito, senão crescem-te as barbas, ficas velho, nem viajas mais e perdes a oportunidade...
Crente e lógico que deveria ser, porque se a água rejuvenesce basta aumentar a dose, só retornou à Flórida e arredores em 1521, quando os filhos já tinham barbas e os pais tinham ido definitivamente para o cemitério.

Mas ele deveria ter ido em 1514. Talvez estivesse vivo até hoje. Mas como só foi em 1521, não encontrou a fonte, e um índio da tribo de Calusa enfiou-lhe uma flecha envenenada e o homem morreu.

Moral da história

"nunca digas dessa água não beberei porque se deixares pra amanhã o que podes fazer hoje, podes dar com as trombas na porta e até morrer porque santos da porta não fazem milagres, sendo que crendice e água benta cada um toma a que quer.

Rui Rodrigues

sábado, 5 de janeiro de 2019

Besteirol metafórico Bolsonariano


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Besteirol metafórico ligeirinho pra aliviar a tensão capilar de dois cabelos encravados de Genofresino Gastrofaldo de Gonópodes e Vulvinos, famoso por seu espírito de porco.

- Imagina você, dizia-me ele, de sua cadeira reclamante, perdido no espaço interestelar, numa nave tomada por fungos, quase sem poder respirar, e se lembra que a morte está perto, precisa de pensar em algo positivo, e há uma palavra, o dom da palavra, que passa a tomar conta de seu cérebro e até faz sentir que não sente a dor que deveras sente: Este sentimento em si, é de poeta, mas a palavra é simplória

Portfólio...

Portfólio não tem nada de negativo e distrai as idéias como se fosse um anestésico, ou poderoso relaxante muscular

Sim...Portfólio pode ser de qualquer coisa, tanta coisa... Se for de estrelas, cabe um universo inteiro, se for de fungos, tem uns, os cogumelos, que refogados com trufas, alho porro, cebolinha e coentro, matam de prazer qualquer casal de amantes à luz de velas uma boa cama sacolejante com sons do marulhar das ondas.
E continuou:
- Imagine você tudo o que pode conter um portfólio, assim como uma lista de maldades, de contas bancárias, de codinomes, cognomes, alcunhas, vulgo isto ou aquilo, fotos de flagras, flagras de fotos...

E como eu encolhesse os ombros enquanto comia uns tremoços entremeados de favas fritas com sal e pimenta, entre uns goles de fresca cerveja com lúpulo, disse-me para arrematar o despautério da imaginação fértil e desenfreada de gaudério aperreado com o andor da procissão onde as pétalas das rosas já estavam murchas:

- Agora imagine a nave sendo dirigida por 11 indivíduos de capa preta que até uns dias atrás estavam por cima da carne seca e agora passam por esse sufoco respiratório, perdidos numa nave no espaço e no tempo...

-Vão morrer de ataques, piripaques, pânicos e disenterias...

- Ora aí está ! - Disse-me Genofresino Gastrofaldo de Gonópodes e Vulvinos, famoso por seu espírito de porco. É esse temor, esse medo, que os fará abrir o portfólio e desvendar os negrumes fedorentos dos túneis escabrosos onde foram plantados os fungos que tomaram conta da nave...

- E depois ???

- A nave se apagará no esquecimento, o que é muito justo pra quem pensou que se governava governando-se como se não houvesse amanhã...

E lá se foi a nave, luzes piscando, sinais sonoros de alerta, uma fumacinha saindo de um buraco de meteorito mítico, e uma música de fundo flatulenta entre puns arrotos e gargalhadas. Aquela cusparada vai custar caro... muito caro...

Rui Rodrigues

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A mulher sem útero


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(Momento de análise freudiana num mundo Afreudisíaco temperado com Gabriela, Cravo e Canela...)

Aquele estereotipo de mulher cordata, tipo "mulher de Atenas" ou "Amélia", prendada e do lar, é fruto de uma síndrome de Estocolmo, por puro instinto de sobrevivência, num mundo até há bem pouco tempo dominado por homens, tal qual os livros sagrados de todas as religiões do mundo preconizaram. Está em extinção. Mas o "eu" ou a "ID" freudiana da mulher nunca foi esse. Ficou escondido.

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Na verdade a mulher sempre foi um homem de saias que tem útero e pare filhos, filhas, bastardos e de pai incógnito. Esse tal de "instinto materno" é exatamente igual ao "instinto paterno", este muitas vezes prejudicado seriamente pela incerteza da paternidade.

Também se pode dizer que Deus - ou a natureza - fez a mulher e desta o homem, mas que na medida em que as tribos cresciam, se separavam e tinham que competir entre si por terras e comida, algumas mulheres se transformaram em homens fortes para caçar e defender o clã. Este ultimo parágrafo é uma completa asneira, o que não impede que seja dita, numa religião dissidente de crentes fidelíssimos como sói acontecer com outras afirmativas.

Religião é uma história infantil contada docemente para adultos. Darwin e Freud lançaram, respectivamente, as bases da intrincada ciência que permitiram os estudos da genética dos seres vivos e de sua espiritualidade...

Os tempos modernos estão provando a igualdade de gêneros, não apenas perante as leis, mas, tirando os aspectos genitais, de completa igualdade...

Rui Rodrigues

Os hábitos...


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... Ah, meus hábitos...
(uma crônica rapidinha)

Saía de casa para ir à universidade, mas dava sempre uma paradinha na banca de jornais da esquina e lia as manchetes. Acabaram com os jornais de papel. Lá se foi um hábito. Também gostava de saltar de bonde andando e subir nele (andando) quando diminuía a velocidade, mas acabaram com os bondes. Agora com 73 anos só se fosse na Europa ou EUA, mas ia me esborrachar todo. Eu tinha agenda de papel, e dava gosto anotar tudo com minha lapiseira 0,9 amarela, apagar com borracha, mas agora o lap-top ou o I-phone tem agenda, e a vantagem é que passa a ser pública e transparente. Não anoto mais nada por causa dessa vantagem. E havia uma porção de rituais com meus carros, mas já não uso por total inservibilidade. Fica mais barato e confortável usar ônibus ou chamar meu motorista particular que tem um táxi na praça e me faz descontos. E já não fumo, nem tenho vitrola. Já não paquero com medo de dar um fora. Quando uma mulher me paquera fico na dúvida se é mesmo.Nenhuma descrição de foto disponível.

Podia ficar aqui falando de hábitos mortos, de novos hábitos, mas chega disso. Sobrou o café. Coado no coador, mas logo logo alguém vai ser contratado para ingerir grãos de café que depois serão recuperados por evacuação, moídos e vendidos. Custará uma nota!

De grãos evacuados por jacus, ave evacuadora de nome apropriadíssimo, já tem.

Rui Rodrigues