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sábado, 18 de abril de 2015

A maldição do tempo...





O paradoxo das viagens no tempo se traduz numa frase: Se as viagens ao passado fossem possíveis, poderíamos matar nossos pais antes de termos nascido. É usada na física e na cosmologia para demonstrar o que parece ser uma impossibilidade, um contra-senso. Alguns cientistas dizem que será possível viajar no tempo. Outros dizem que não e outros ainda dizem que o tempo não existe: É apenas uma convenção, um artifício para medir velocidades. Einstein provou que tempo e espaço são inseparáveis, e que quando um diminui o outro se “ajeita” e aumenta. Mas nunca se soube o que realmente é.

Segundo uma nova teoria em andamento e apreciação numa revista de ciência, a idéia de “universos paralelos” é altamente improvável. O que existem são “fatias” de tempo (até lembram os universos paralelos) que se dividem de forma infinitesimal em passado - desde o big-bang- e agora. O futuro vai sendo construído de forma infinitesimal numa sucessão infinitesimal e constante de “agoras”, o agora anterior passando a passado instantaneamente.    


Somos uma espécie viva que sonha. Outros animais também sonham, como cães e gatos, por exemplo, mas somos capazes de apostar que têm sonhos diferentes dos nossos. Refiro-me especialmente àqueles sonhos que costumamos ter quando estamos acordados. Sonhamos com a descoberta de um novo remédio, de uma fórmula mágica que nos faça emagrecer sem fazer exercícios físicos e sem parar de comer, e principalmente sonhamos em viajar no tempo. Fazer visitas ao passado para sabermos detalhes de alguns fatos, ou sabermos o que acontecerá no futuro. A maldição do tempo é muito mais do que esta impossibilidade – até agora – de nos movimentarmos no tempo, logo nós que já descobrimos automóveis, navios, aviões e foguetes para nos levarem mais rápido em nossas viagens no tempo. Viajando a pé demoraríamos uma eternidade e a alguns lugares nem chegaríamos durante toda a nossa vida. A maldição do tempo é que aparentemente nem o podemos controlar, fazer com que “corra” mais depressa ou mais devagar. O tempo nos mostra como somos impotentes e frágeis e o quanto dependemos dele para viver. Parece que estamos inexoravelmente confinados num cofre chamado tempo, embora possamos ir onde quisermos por mais difícil que pareça a viagem. E ninguém sabe o que é o tempo. Quer dizer... Não se sabia o que era, como era, nem onde estava “escondido” neste imenso universo. Então tentei descobrir.


Ao subir uma montanha, o tempo me acompanha. Quando desço ao vale de um rio, o tempo me acompanha. E quando vou para Norte, para Sul, Este, Oeste, ou vôo num avião em Ângulo de 45 graus, ou desço ou subo em qualquer ângulo em qualquer direção. Ou seja, a partir de um ponto qualquer do espaço o tempo “irradia” em todas as direções, mesmo que eu esteja parado. Irradia de qualquer ponto do universo em qualquer direção. Só há uma coisa que irradia dessa mesma forma em todo o Universo: A energia escura que o faz inflar a uma “certa” velocidade, velocidade esta conhecida como “constante de Huble” [1]. O tempo deve estar, então, associado de qualquer forma à energia escura. Parece uma maldição da qual não podemos escapar, por um lado, mas vendo a vida de forma positiva, não fosse o tempo não existiríamos!



E porque razões gostaríamos de voltar no tempo ou visitar o futuro?

Voltarmos ao passado, ainda que mais “distante” no tempo, seria excelente para historiadores, cosmólogos, biólogos e saudosistas das épocas do passado. Muitos de nós visitaríamos as casas de nossos pais, avós, e poderíamos até mudar o futuro, ou seja, o presente... Irmos ao futuro é o sonho de doentes incuráveis, caçadores de tesouros daqueles que gostariam de acertar em loterias. E sempre há quem creia que pode falar com os mortos. Será tudo isto possível?

Parece que não.

Podemos viajar até um lugar do espaço-tempo, nas zonas mais escuras do cosmos, onde a influência da gravidade é menor, e esperar uns tempos por lá. O tempo lá corre mais depressa, de modo que quando voltarmos, o resto do Universo estará ainda num tempo anterior, mas perderemos o mesmo tempo voltando e quando chegarmos estaremos no mesmo tempo deles. Poderíamos obter o mesmo efeito sem necessidade de viajarmos tão longe, expandindo o espaço-tempo por aqui, mas o efeito na volta seria o mesmo. Voltaríamos no tempo deles e ainda teríamos perdido o nosso tempo.

Também podemos ir até perto de um buraco negro e esperar lá, onde o tempo corre mais devagar... O resto do mundo estaria no futuro. E teríamos perdido o passado. Parece impossível estarmos no presente tendo ido ao futuro ou ao passado sem perdermos a “transição” do passado para o presente ou do futuro para o presente. Falar com os mortos que já ficaram estáticos num determinado momento é fisicamente impossível, mas cada um arranja sempre um jeito de fazer mágica. Até já conseguiram escamotear aviões e voltarem a reaparecer, com uma meia dúzia de gestos e muita musica de tchan-tchan-tchanchanchan.

A “maldição do tempo” só nos permite lembranças do passado, quer pela memória, quer por fotos, escritos e filmes, e, com a ajuda de um telescópio, ver o passado “dos outros” – corpos inanimados ou vivos em planetas - através dos raios de luz que tiveram de percorrer uma distância muito grande e só agora estão chegando por aqui. Ver o futuro, nem pensar, porque não há raios de luz chegando de lá.

Mas evidentemente, isto é tudo e apenas uma opinião. Tomara que esteja eu errado aqui na Terra, e tudo certo lá nos céus, que nem sabemos o que os “céus” querem, porque nada nos dizem. Temos que decifrar os céus e cada um os decifra como imagina. E são tantos os céus espalhados por este mundo, que fica difícil saber em qual acreditar. Nenhum parece ser único.No entanto se pudessemos comprimir suficientemente o espaço, ou estendê-lo no entorno de uma nave...Quem sabe? Ah..A Teoria a que me referi sobre o tempo é minha e aguardo apreciação da revista. 

® Rui Rodrigues    





[1] Constante de Huble = Ho = 74,3 ± 3% km/s Mpc-1 . Cada Megaparsec (Mpc) equivale a 3.086 x 1019 km.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Crônicas do Peró - Batalhas de tempestades e ventos



As nuvens vieram do sul... São cinza-azuladas, cinza-azuladas-escuras, quase negras, outras claras... Vêm em alta velocidade, taparam o por do sol, a noite vai chegar mais cedo e molhada, encharcada... As ultimas gaivotas já se recolheram a terra firme, sinal que haverá tempestade no mar, na praia... As duas lâmpadas dos postes de iluminação aqui da rua já se acenderam.
Mas ficaram como que estagnadas quase na vertical de onde estou, agora de uma cor só, cinza-chumbo-azulado, provavelmente extasiadas com a beleza do mar, da praia e das ilhas em frente. Mas talvez não seja por isso. O vento mais quente que sopra do mar como brisa, deve estar travando uma batalha pelos céus do Peró...
Talvez sobrem alguns pingos por aqui para rejuvenescer a esturricada vegetação do lugar. Semana passada alguém pode ter ateado fogo à reserva das dunas do Peró que queimou quase por completo. Eu tinha saído para Cabo frio. Quando cheguei a estrada estava interrompida por uma viatura da polícia. Ainda deu para ver as ultimas brasas da vegetação junto á rua da divisa deste loteamento com a mata.
Meu filho e minha neta viram o cadáver de uma ave apanhada pelo fogo, domingo passado. Não duvido que o fogo tenha sido criminoso. Sem vegetação nem vida, não haverá o que preservar da APA do Pau Brasil..
E em cinco minutos, o céu azul desapareceu. Agora tudo é cinza, espero raios, trovões, chuva a cântaros...E se houvesse movimentos de rua nos céus, as balas não seriam de borracha mas de granizo, e os canhões não seriam de água, mas de aguaceiros torrenciais de afogar mergulhador experiente. Em nosso país, que é uma democracia, manda quem pode e quem não pode se sacode como em qualquer ditadura.  


® Rui Rodrigues

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Coisas que não interessam mas das quais é bom falar...






Meus filhos, um casal, tanto aprenderam com a mãe, quanto com o pai, com os amigos, amigas, vizinhos, na escola, nas universidades, no trabalho... Tenho orgulho dos dois, os únicos que tenho. Já tenho orgulho de minha neta e continuarei tendo. Tenho certeza.

Um dia minha filha surpreendeu a mim e á mãe, com uma frase definitiva que jamais precisou repetir:

- "Eu cozinha" !... Tinha mais ou menos uns três anos e quis dizer que não queria ajuda, porque ela faria sozinha o que estava tentando fazer, nem que tivesse de descobrir - por ela mesma - como se fazia.

Eu cozinho!.. Estou exatamente na mesma, embora tenha pedido a ajuda dela. E já me ajudou bastante, pegando meu texto em inglês, descobrindo que só tinha um erro em 11 páginas, e transformando em PDF que eu não tenho. Para enviar para revista Science.

Meu artigo para a Science foi enviado assim, à "trouxa-mouxa" por ser imperioso que a enviasse com a intenção de ser o primeiro a chegar a algum lugar do qual estou certo, mas que preciso da conivência da revista para confirmar: a existência de celulas de espaço tempo.... E aqui estou, arrumando a "apresentação" porque o texto está em sua forma definitiva, não me arrependo de nada e nada tenho a revisar, tão seguro estou do que fiz, Passei mais de cinco anos revisando ideias com meu travesseiro, meus copos de vinho e minhas muitas noites insones. È justo que venha a ser reconhecido como o primeiro a falar sobre isso. 



Ou seja, o artigo já foi, tem que ser mantido confidencial, mas precisa de revisões, numeração de imagens agregadas, uso de textos ASCII, XTML, e uma porção de exigências que tenho que aprender rapidamente num curso pessoal na base do eu "cozinho"....

Ah !.... Mas creio que poucos sabem como é bom esse hábito do "eu cozinho"... Isso cria uma porção de "primeiras vezes" em nossa vida, que jamais podemos esquecer...

Um beijão para você, Maibi Vieira Rodrigues​, e outro para você Beto Rodrigues​. Da minha parte, grato mamãe Maíra Vieira​... Sem esquecer a Vó Suzana!


® Rui Rodrigues 

PS -  Na madrugada deste mesmo dia, recebi o seguinte e-mail da Science:


"Manuscript Title: "How dark matter, dark energy & time are confined in space-time cells that inflates and reproduces themselves continuously."
Author: Rodrigues
Manuscript Number: aaa4527
Dear Dr. Rodrigues:
Thank you for your submission to Science. We have successfully received your Letter.
You can see the status of your manuscript at any time by logging into your account at the Science Journals Submission and Information Portal athttps://cts.sciencemag.org. Your manuscript number is noted above. Your manuscript is now undergoing an initial screening to determine whether it will be sent for in-depth review. If the manuscript is sent to review, its status will change to "To Review".
We encourage you to login and link your account to your ORCID ID, an identifier that facilitates correct attribution of your publications. To learn more about ORCID or to obtain an ORCID ID, visit their site at: http://orcid.org.

Sincerely,
The Editors
Science "

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Um ponto sobre uma reta, sobre... (se gostar de astronomia)




Nada neste universo nem em outro qualquer se pode construir alguma coisa, seja o que for, até o próprio universo, se não houver pelo menos um ponto. Mas um ponto só, não é suficiente. É muito pouca coisa, porque universos costumam ser muito grandes, cheios de volumes. Então precisamos também de pelo menos mais um ponto para se fazer uma reta, e muitos outros, para fazerem uma infinidade de conjuntos de retas, fazendo elas mesmas, cheias de pontos, uma infinidade de superfícies. E as superfícies, unidas, fazem volumes. Uma imensidão de volumes. Agora já podemos imaginar como se fazem universos enormes, infinitos e até qualquer criancinha pode fazer seus universos, ou pelo menos imaginá-los. Podem pintá-los de qualquer cor, sempre com muitas estrelas, um sol, e um planeta onde os elefantes não estejam em circos nem leões em jaulas, nem pássaros em gaiolas. E muito menos ninguém mandando em ninguém com policiais de cassetetes, balas de borracha e balas perdidas, canhões de água e bombas atômicas. Qualquer criancinha se pergunta quem foi que fez o mundo desse jeito que sempre tem alguém com força mandando nos outros para começar uma desordem, a título de impor a ordem. Os pontos dos “ii” não deveriam ser os mesmos para determinar um ponto final ou um ponto parágrafo. São essencialmente diferentes, e a única coisa em comum é circulo feito de uma reta só que de tão pequena e redonda, virou um ponto. Um ponto é um círculo infinito extremamente comprimido até virar um ponto. Já um Universo parece ser um ponto que saiu do papel para o espaço e se transformou numa esfera imensa, universal, cheia de pontos, retas, superfícies e volumes.   Há um universo em cada ponto que escrevemos. Pelo menos é o que vemos ao microscópio. Estão cheios de poeira, há micróbios neles, e isso nos deixa uma pergunta: Pode um universo ser plano – como uma folha de papel - e ter coisas volumosas sobre ele? Poderíamos dizer que essas coisas volumosas não pertenceriam a esse universo tão plano e fino como uma folha de papel? Ou então, quem sabe, nós e os volumes, que como sabemos somos parte de um universo plano aparentamos ter volume porque o tempo se expande dando essa impressão (de volume). Afinal, tempo e espaço unidos têm essa mesma propriedade: Quando o tempo se expande, o espaço encurta. Quando o espaço se expande, o tempo encurta, como se um se transformasse no outro.
Qualquer físico ou astrônomo dirá que isto é um absurdo. Como seria possível que todos vivêssemos num universo plano, bem na borda, onde o tempo fosse comum a todo o Universo – O passado ficaria no interior do universo – e o futuro se construísse na medida em que o “agora” evolui para ele segundo a segundo na borda externa, “avolumando-se” no correr do tempo em expansão para o futuro?

Claro que este nosso universo não poderia ser assim. Daria encrenca. Eu mesmo reconheço que não poderia. Nenhuma hipótese, mas daria um ótimo filme de ficção científica. Idas ao futuro somente na velocidade do tempo, porque o “agora” ainda não se teria expandido para o futuro... E viajar ao passado... Sem hipótese! O passado estaria confinado num plano tão fino como uma folha de papel e nós somos “volumosos”.

® Rui Rodrigues.

Baboseiras e outras virgindades mentais do estouro de manada.





Virgindade é algo assim como “estar pronto para a primeira vez sem a ter tido ainda”. Assim, qualquer notícia, arte, lei, novidade ou ato sexual pela primeira vez, é uma virgindade desflorada. Muito já se falou sobre o que é a virgindade, seus méritos e deméritos.  O maior demérito da virgindade é a falta de experiência. O maior mérito é uma pretensão: Ser o primeiro a deflorar!... E há quem pense que isto é um mérito do deflorador. Mas que mérito pode ter um deflorador se deflora algo que não tem experiência?

Deixemos então de lado este aspecto perturbador da defloração seja do que for, e passemos adiante.

Dilma é uma meretriz da defloração de idéias já defloradas e renegadas pelas comunidades internacionais, até as mais pobres e necessitadas. Ela e seu “arrebanhado” cartel de “pensadores” e ‘formadores de opinião” do que já foi comprovadamente prostituído como por exemplo, as idéias comunistas e o modo de atuar dessa filosofia que, mais do que decadente, já tem as asas negras dos anjos decaídos. Filosofia falida que atualmente se esconde sob o idealismo fantasma do “socialismo”. Ao verem o comunismo falido, as comunidades internacionais se voltaram para o socialismo como tábua de salvação da utopia da igualdade de direitos, de oportunidades, como se bastasse para este mundo, que, mesmo sem mérito se tenha direito a ocupar lugar de quem o tem. Por concurso público, tendo como julgadores do mérito dos que concorrem, gente postada para escolher como querem e não como deveriam escolher. E então, órgãos, entidades, empresas estatais, ministérios, tudo vai para a estagnação, para a nulidade, para o lixo, para a falência, porque o mérito foi descuidado, embora por breves instantes, alguns “coitados incompetentes” tenham sido beneficiados. Mas quem tem culpa de ser coitado e incompetente? Aparentemente é o estado. Aparentemente é o indivíduo que gastou dinheiro em outras coisas e não deu importância à educação dos filhos. Outros dizem que a culpa foi dos filhos que não quiseram estudar. Há muito para deflorar nesta vida. Deflorar é um ato de culpa. Ou de se culpar, ou de culpar o que não se relaciona conosco. Foi por isso que Dilma disse que o culpado da corrupção na Petrobrás foi o Fernando Henrique Cardoso. A incompetência sempre deflora a virgindade da competência, por ser exata e completamente incompetente. Há quem vá à escola e jamais deflore sua ignorância, mesmo tendo diploma.

Foi então que, mesmo os estudiosos avisando à volta do planeta que faltaria água, os ineptos do governo, eleitos por “popularidade” e não por competência, resolveram esquecer esse problema porque não era “urgente”. Com os olhos tapados por aquelas máscaras de beleza, e o cérebro enrolado por cabelos cheios de “bobs”, nada virgens de “mis-en-plis”, por serem de freqüente uso quando a mamãe lhes pagava os estudos e bobice, não puderam enxergar a urgência que caiu como um meteoro: Faltou água no Brasil, o custo da energia subiu, e se usou o diesel que vem do craqueamento de óleo estrangeiro e não da nossa orgulhosa pré-salinidade. Foi o caos, foi a pedra e o pau, que nem as águas de março fechando o Verão conseguiram solucionar.

Estamos sem água. O estouro da manada é eminente, e porquê? Porque até as estações de televisão apregoam a todo instante: A solução é economizar água... Com aquele tom apocalíptico segundo o qual para qualquer catástrofe desse tipo, jamais haverá solução... O que querem? Que as populações, por falta de água saiam das cidades e vão repovoar campos secos, florestas, até a da Tijuca? Porque não dizem que a culpa foi do governo por não se preparar para a falta, e que a solução é buscar novas fontes de água, como por exemplo, usar a do mar oceano?

Quando o governo é incompetente, os serviços do estado passam a ser efetuados pelas populações, mas os impostos não diminuem por isso, nem a pesar disso. Os políticos têm muitas criancinhas para amamentar. A população se vira nos trinta.



A boiada está prestes a estourar. Usarão bandeiras verdes, amarelas, e todas as poucas vermelhas que ainda se encontram por aí. Quem não entende, como na Venezuela, diz que a culpa é dos “comerciantes”, dos supermercados e das industrias... Mas quem entende sabe que a culpa é de quem aumenta os insumos básicos, imprescindíveis: Energia elétrica, impostos, água e combustíveis por parte do governo... Então, como isso gera inflação, o dólar “sobe”. Não, não sobe... É o real que desce por causa da inflação... E o governo diz então para se defender, mentindo: A culpa é do Dólar!!!!

E lá para os lados da Alemoa de Santos, disseram na mídia que o ar não preocupa com o incêndio dos tanques... E os peixes morrem nos rios até Cubatão... Quem não entende, aceita! Quem está interessado em não levantar marolas, apregoa. Os outros fazem parte da manada.

O estouro da manada é eminente!


® Rui Rodrigues 

domingo, 5 de abril de 2015

Análise do contrato cubano para médicos -2

(tendo desaparecido misteriosamente de meu blog, consegui reaver o texto e publicar novamente)

Breve análise do contrato de trabalho da médica cubana Ramona Matos Rodríguez

O contrato dos médicos cubanos é assinado pela empresa “Sociedade Mercantil cubana comercializadora de serviços médicos cubanos S.A” (CSMC S.A.). O contrato é subscrito pelo Ministério da Saúde Pública de Cuba com cada um dos médicos enviados ao Brasil.  

Entidades envolvidas:

·        Ministério da Saúde Pública de Cuba
·        Ministério da Saúde do Brasil
·        CSMC S.A.
·        Organização Pan-americana / Organização mundial da Saúde para a Ampliação do Acesso da População brasileira à atenção básica de saúde.
·        A Missão Médica Cubana no Brasil
·        Unidade de Colaboração Médica em Cuba
·        Brigada Médica Cubana no Brasil
·        O médico contratado

Documentos, leis, contratos mencionados no Contrato particular entre a CSMC e o contratado.

·        O contrato em si
·        O acordo entre o Ministério da Saúde de Cuba e o do Brasil
·        O acordo entre o Ministério da Saúde de Cuba e a CSMC
·        O acordo entre a Organização Pan-americana e a Organização Mundial de Saúde
·        As leis brasileiras, que pressupõe o conhecimento das Normas da Ordem dos Médicos do Brasil.
·        As leis brasileiras
·        As leis cubanas

Considerações à luz do contrato

(há que ver se os contratos estão devidamente legalizados no território brasileiro e se estão sendo fiscalizados pelos órgãos competentes ou se há omissão, caso contrário, o estabelecido em suas cláusulas é nulo)

1.      Falta no corpo do Contrato uma cláusula de Precedência segundo a qual deve ficar estabelecido que documentos prevalecem sobre os demais. Por exemplo, para trabalhar no Brasil, as leis brasileiras prevalecem sobre as leis cubanas.
2.      Prevalecendo as leis brasileiras, como devem prevalecer, cada médico deve contribuir ao estado com os impostos decorrentes e tem direito, por exemplo, a décimo terceiro salário.
3.      Um erro crasso nota-se na ultima clausula, em 4.1, onde, para dirimir causas não resolvidas de comum acordo entre as partes (A Contratante, a CSMC e o profissional contratado) é aceito pelas partes o foro de La Habana em Cuba, segundo uma lei estabelecida na República de Cuba para profissionais que trabalhem no exterior. Ora o foro tem que ser brasileiro por se submeterem às leis brasileiras e não cubanas. O foro normalmente é aquele onde a empresa contratante, a CSMC tem escritórios em território nacional. Não sabemos se a CSMC abriu filial no Brasil, e para isso deve submeter-se a varias leis nacionais, incluindo pagamento sobre os lucros. Estes parecem ser altíssimos, visto que a empresa apenas deposita uma pequena parte do salário do profissional no Brasil e outra em Cuba. O restante ou é repassado pela CMSC a terceiros ou é lucro bruto em território brasileiro.
4.      As responsabilidades são “tênues” entre as partes, visto que cabe à CMSC pôr o contratado a par das suas obrigações em território brasileiro segundo as leis deste país. A não haver documentos escritos, o profissional pode alegar que não tinha particular entendimento por omissão lapso ou erro de informação, a CMSC afirmar que o contratado foi perfeitamente informado.
5.      Há informações que indicam que cada médico cubano disponibilizado ao abrigo de contrato entre Brasil e Cuba através de seus ministérios da Saúde, recebe mensalmente o valor de Reais $ 10.000. No entanto, destes 10.000 reais sabe-se que cada profissional recebe no Brasil, o “correspondente” a 50 CUC [i], mais um depósito correspondente a 600 dólares americanos.  Em Cuba, é depositado em conta de poupança, o correspondente a 400 dólares. Ambos estão sujeitos à valorização ou desvalorização do dólar. Na verdade, este é um contrato em três moedas, já que ao chegar a Cuba, o profissional tem que trocar CUC por CUP, outra moeda cubana de paridade com o dólar. Não se encontram CUCs em Cuba. Usa-se o CUP.
6.      Pelas cláusulas 1.g e 1.j, pode constatar-se que o profissional tem um tipo de contrato em dólar segundo o qual recebe mensalmente cerca de 2.400 reais em contas controladas pela própria CMSC e esta o restante, ou seja 7.600 reais mensais. É característico de exploração de mão de obra, e se, por qualquer motivo esta empresa não quiser ou não puder pagar o devido a seus “empregados”, estes teriam que recorrer à justiça de Cuba.
7.      Há formas mais simples e legais de contratar. O contrato parece uma teia onde fica difícil aplicar leis quer em Cuba, quer no Brasil. O empregado parece a parte mais frágil, como se fosse um escravo que de fato é. Um escravo da CMSC, ou do governo de Cuba, ou do Brasil, tendo como avalista, a Organização Pan- Americana de Saúde e a organização Mundial de saúde, não se sabendo se a Organização Mundial do Trabalho teve conhecimento prévio deste tipo de contrato.
8.      É mister que se traga a público, pela gravidade da situação, os textos dos acordos entre as entidades nacionais e internacionais mencionadas no corpo do contrato entre a CMSC e cada médico cubano. 


Este tipo de contrato parece, em decorrência do exposto nulo e ilegal perante as leis brasileiras porque as fere, e perante as leis internacionais porque prova textualmente trabalho escravo. Deve ser revisto para ter fé pública e dar aos trabalhadores cubanos os seus direitos segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), omitida aparentemente pela própria Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-americana. Além disso não se sabe se, por exemplo, a brigada médica cubana no Brasil está devidamente legalizada, e quais suas funções específicas.  

₢ Rui Rodrigues

sábado, 4 de abril de 2015

Viajando com tintas e algo estranho que ninguém sabe o que é





A velha tia falecera há pouco. Tinha sido como uma mãe por cerca de 11 anos que passaram rápido para gente madura e mais rápido ainda para idosos como eu, mas que custam a passar para crianças de seis anos. Fora como uma mãe, mas ele tivera oportunidade de conhecer mães, dos outros, muito melhores. Não tinham raivas no coração, muito menos das que não se sabem de onde vêm, assim sem razões, crianças objeto de descarrego e alivio de tensões. Não lhe foi ingrato, apenas a esqueceu. Como quem pinta uma esfera num quadro tornando-a num círculo. Falta-lhe uma dimensão. E sempre que lhe voltava a vontade de pintar o passado, era sempre o elétrico amarelo, um par de professores alguns familiares e amigos que sobressaíam na tela onde o circulo do tempo já fora pintado com casas de telhados vermelhos em adoração ao velho castelo de pedra, um holocausto de gente bem intencionada que se matou uns aos outros a pedradas e facadas porque ainda não havia canhões contra os quais se marchar.

Se fosse poesia daria um berro, mas em prosa pintada, preferia a mistura de cores fortes sob o frio invernal de uma paisagem coberta de neve. Tudo branco lá fora, interior aquecido com uma broa de milho, uma sardinha em cima e um copo de vinho com uma ou duas azeitonas. Era-lhe o bastante para pintar sobre o tal círculo que era na verdade uma esfera com luz em três dimensões mais o tal do tempo, cor e sombras, e muitas imagens a preto e branco, casas e paisagens sempre largadas para nunca mais, em breves vidas vividas entre um salto e outro sobre oceanos que rasgaram o tempo, separando-o em tantas partes quantas vidas parecia ter vivido. A tela é que só tinha duas dimensões mais o tal do tempo. A espessura da tinta não contava como dimensão extra.


Anita, sua pequena cabra e duas amigas, crianças ainda impúberes, mostraram-lhe pela primeira vez como eram exatamente as diferenças entre umas crianças que usavam calções e as que usavam vestidinhos de chita, não tinha ele nem quatro primaveras completas, mas que o fez sentir como se já tivesse quatro outonos, o que lhe fizera grande diferença no viver. Passou a querer crescer mais rápido ainda. E ei-lo às voltas com uma moça que, como era hábito e moda, passou a visitar ás escondidas em seu leito, quando já mais dez verões se haviam passado. Era-lhe tão prazeroso que emagreceu, suas notas no colégio baixaram um pouco, na relação inversa de sua alegria de viver. Passou a querer experimentar todas, a ter dessa infinidade de prazeres que as púberes lhe davam, cada uma tão diferente da outra quantos fossem os tipos de cabelos, cor de olhos, tipos de lábios, de sorrisos, de afagos, de suspiros. E o mundo ficou mais belo.  Por pouco tempo, dois anos de verão mesmo no inverno. Depois foi o oceano, desta vez de água azul, não de terras marrons, montanhas e verdes pastos a bordo de um combóio fumegante matraqueando junções de trilhos afastadas pelo frio do inverno como no passado fora. Daquela outra vez foi de silencioso navio branco cheio de janelas que só viu na partida e na chegada do outro lado do oceano, sem fados. Passou a sambar.

Assim como quem planta jovens mudas em pródiga terra, assim plantou o que de melhor tinha de si mesmo, e embora tenha colhido alguns cardos, nunca teve que colher espinhos porque nunca lhe cresceram nem em primaveras, nem verões nem desde o outono do ano passado até este e ainda espera por bastantes outonos pela frente. Ainda há o que se aproveite para pintar, embora não acredite que terá a quem o mostrar quando novamente se fizer ao mar sem ser azul, nem a bordo de comboios nem de navios nem em aviões em que tanto voou, que ainda se lembra até hoje do que são nuvens vistas pelo de cima, reflexos ondulados de sol em oceanos brilhantes, roncos de motores doentes que quase faleceram. Se lhe perguntassem onde vivia e de que mais havia gostado, se elevaria aos céus, sairia do planeta, e apontando seu dedo para baixo diria sorridente: Está tudo ali.. E na direção de seu dedo haveria uma tela ainda para pintar. E não veria nuvens. Veria uma pintura com um círculo que era uma esfera, um elétrico amarelo cheio de gente dentro, e paisagens de pradarias imensas, planas, com ovelhas, vacas, cavalos e um chimarrão quente antes do churrasco do almoço num dia de noivado, três amadas crianças que passam por sua vida das quais uma ainda cresce. 


Não se pergunta porque os planetas são redondos e giram. Questiona-se porque tem que mudar tanto e tão rápido o que neles se abriga e é à vida ao que se refere, principalmente aquela dos primeiros anos quando se começa a aprender onde se vive sem se saber que planetas são redondos, ou mesmo se sabendo que o são, sem saber que mudam tanto e tão depressa. Pessoas são assim como ele, e quando o descobrem, começam a pintar quadros em duas dimensões embora se lembrem tão bem do que plantaram e do que colheram, que até lhes poderiam tocar. O problema são os encolher de ombros dos que não se importam e pensam que plantaram belas alfaces colhendo urtigas que tragam como se fossem morangos doces e maduros entre dormires agitados, preocupações que enrugam e secam, lágrimas que têm que ser escondidas para que não solapem a muralha com que construíram suas frágeis defesas. Há quem nem possa pintar uma tela.

Assim como comboios navios e aviões o afastaram de continentes, e assim como dos plantares uns frutificaram e outros se confundiram com a terra sem florescer, assim também ele pinta seus quadros de vez em quando sem esquecer uma cor, uma pincelada, quaisquer que sejam porque de vinhos entende, até dos mais carrascões. Diz que para viajar no tempo não precisa de maquina alguma nem de painéis de comando. Tempo é o que precisa e vontade para abrir os portais de tempo que o levam até 70 anos atrás. Nada há além disso para trás no tempo, porque algo impede que se veja. Dedicou-se então a descobrir que coisa é essa, o tempo, tão estranha, que ainda ninguém haja descoberto que tipo de pneus, motores ou naves se deveriam usar, porque nem se sabe o que o tempo é. Mas ele já sabe. O garoto já sabe. Se estiver certo, abrirá uma garrafa de bom vinho que acompanhará uma broa de milho, uma sardinha por cima com um par de azeitonas pretas, as maduras. As outras são verdes. Se não estiver certo dirão que é louco.  E como se costuma preocupar com tudo de forma suave e tranqüila, já sabe que sem se tentar, ninguém tem a oportunidade de chamar os outros de loucos. E segundo ele, há que dar essa oportunidade aos que não tentam, ou porque não quiseram arriscar ou porque não puderam por falta de condições. Eles também merecem ser felizes mesmo sem motivo real.

O quadro, esse não tem data para acabar.


® Rui Rodrigues