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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Como os cidadãos podem governar por si mesmos

Como os cidadãos podem governar por si mesmos sem deixarem de ser democratas.

Imagine-se que, de forma pacífica, se consiga convencer um governo a montar um SITE NACIONAL, seguro, com fiscalização popular de experts, no qual se lancem todos os itens da Constituição e suas alterações através de Medidas Provisórias, e de atos como aprovações particulares de aumentos de salários e alteração de horas obrigatórias de trabalho do senado e outras benesses constituídas, por aprovação “soberana” dos senhores que perambulam pelo senado... E...

Se colocassem em votação popular através desse Site?  O que achamos que aconteceria, se o resultado por votação tivesse a força de uma LEI?

Diriam que muitos brasileiros não têm acesso à Internet. É verdade... Muitos e muitos mais, ou tantos quanto, também não tiveram acesso ao ensino, à saúde pública, à segurança... A transportes públicos decentes. A nada. A maioria não tem acesso a nada. Mas sem instrução, podem votar... Não há o mínimo problema. Para o país todo mundo sabe o que quer. Lá no senado parece que só conhecem o que não é bom para o país... Parece que estão interessados em desconstruir o BRASIL. 

E poderia esse site, em continuação, servir para DESELEGER quem perder a confiança popular. Servidor que não serve, não serve para ditar leis, impor a sua moral que passa a ser duvidosa. O país ficaria instável, tal como está.

E se algum cidadão, seja qual for, achar que tem uma boa idéia para a nação, que a publique nos sites sociais... Não faltará quem a discuta, e em harmonia, poderá ser discutida e votada em sua forma final no SITE NACIONAL.

Assim, os cidadãos teriam sua palavra aprovada, como lei nacional. Com aprovações diferentes para cada estado, sendo que as aprovações por Estado não poderiam ferir as aprovações nacionais. Assim se respeitaria a idiossincrasia dos estados.

O que haveria de errado nisto?


© Rui Rodrigues

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Conto do mês de Junho de 2013.

Conto do mês de Junho de 2013.
 Senado - uma vergonha nacional

“Se eu fosse Senador ou Deputado de qualquer partido”


Por vezes nos enganamos nas melhores das intenções. Faz parte da genialidade humana reconhecer o erro e há erros perdoáveis que jamais são corrigidos. Há outros erros que são imperdoáveis. Em algum lugar já se disse que este planeta deveria ser chamado de “planeta água”, porque é o que mais tem por aqui, mas em vez disso chamam-lhe de “Planeta Terra”. Não foi propriamente um erro, porque quem lhe atribuiu o nome nem sabia que havia tanto mar, tanto mar... E por falar em mar, e para não deixar apenas um equivoco como exemplo de erros que ficam para todo o sempre, analisemos o caso do Descobrimento do Brasil. Podemos imaginar um “gajo” lá na torre de vigia, já tendo passado por uma enorme Baía lá em cima, e o comandante querendo dar nome àquela nova porção de terra. Bahia não podia ser porque já tinham dado nome àquela outra, bem perto do Monte Pascoal. Mas não lhes era evidente que naquela Baía desaguava um rio? Notava-se até pela maré comprida que pela manhã parece que faz o mar subir pela baía e pela tarde descer como um rio. Era Janeiro e foi dado a este maravilhoso lugar o nome equivocado de Rio de Janeiro. Corrigir isto nos dias de hoje seria um atentado a alguma coisa, e não valeria a pena mudar. Ia ser muito complicado, uma despesa tremenda. Mas algum senador poderia ter esta idéia, já que tiveram tantas absurdas, como uma destinada a destinar verbas e serviços para curar indivíduos e individuas gays... Isto seria um milagre. Para os religiosos, um milagre dos céus. Para os “gaycientes” seria uma ação do demônio, porque quem é gay é gay e ninguém tem nada com isso, porque não é doença e não desejam a “cura”. Se eles não reclamam, porque reclamar por eles? Só se for para gastar verbas em hospitais de amigos. Amigos dos senadores, não dos gays.

Foi por coisas como esta, e por muito piores que esta, que um dia o Rio não amanheceu cantando como era costume até então... Foi tarde para as ruas, deitou-se tarde, e com uma vontade danada de voltar às ruas e ficar por lá até o Sol raiar. E foi o povo para as ruas do Rio, e de S. Paulo, em todas as cidades costeiras e do interior desde o Oiapoque até o Chui. Se olhássemos nos rostos de repórteres, transeuntes passando em frente a lojas de venda de televisões, veríamos o espanto. Era inusitado. O que era aquilo, que movimento era aquele? Logo se pensou que tivesse sido movido por algum partido político, mas era evidente que não. Nenhum partido político se atreveu a publicar sobre a autoria de tão nobre ato, o povo reclamando nas ruas contra a corrupção, pela falta de sentido de ser tão mal representado, por um grupo até pequeno de senadores, que ganhavam uma fortuna por mês e por ano e alguns até por décadas, mais de cinco, como se a casa lhes pertencesse e fossem eleitos de forma perene. Qual o segredo de um senador se reeleger anos a fio e por vezes até em terras onde não nasceram? Por mérito não deveria ser, porque o povo nunca gostou muito deles. Deveria haver algum truque nas urnas [1]. A vozearia sempre tinha sido grande, mas como democracia é democracia – assim se julgava – os senadores foram se elegendo por décadas a fio. Se houvesse prêmio, receberiam até um Oscar pelo total da obra, mesmo não tendo ganhado nenhum Oscar antes. Na verdade o povo já não suportava mais os desvarios evidentes de governos que gastavam bilhões em copas do mundo e jogos olímpicos, sem cuidar da atualização dos aeroportos, das estradas de rodagem, da educação, dos transportes públicos, da saúde pública, da segurança pública [2]. O que teria feito a FIFA escolher o Brasil nestas condições? Pior ainda era o estado dos serviços públicos decadentes, como a saúde, os transportes públicos, a insegurança, a falta de ensino e de condições de ensino, o transporte de crianças em ônibus precários. Mas ainda muito pior é que o governo destinava verbas e elas não chegavam ou pareciam não chegar ao seu destino. Pessoas morriam nas filas de hospitais, ambulâncias novas estacionadas à deterioração, equipamentos modernos e custosos que nunca foram instalados. Dias antes da saída às ruas havia cerca de 3.000 processos tramitando no senado sem solução, há alguns anos, mas quando chegou o limite de prazo para distribuir os royalties do petróleo, o senado esqueceu os 3.000 processos pendentes e queria resolver logo o mais gordo, o mais volumoso em verbas: o dos royalties. Chegaram a informar que se preciso fosse passariam a noite toda votando os três mil processos pendentes. Mas nesse caso como seria possível votar com critério? Havia algo errado com o senado ou com o governo. Talvez com os dois. Mas ainda havia algo pior. O senado era uma caixa de surpresas, de mágicos. Os cidadãos logo perceberam que uma das coisas erradas era o fato de só trabalharem de terça a quinta feira e receberem 15 salários por ano. Havia um condenado pela justiça que em vez de esperar o esgotamento dos recursos contra o julgamento fora do senado, foi reintegrado ao cargo. Então, o senado abrigava condenados da justiça? Mas ainda muito pior... Corria uma tal de PEC-47, que tirava do Supremo da Justiça o ato de investigar. Ora agora não restavam dúvidas de que havia algo de muito podre no reino de Brasília. E havia mais uma meia dúzia com pendências na justiça também atuando e votando no senado. O projeto para a “cura gay” era realmente uma piada face a esta PEC-47, o ponto final de golpe que se perpetuaria por décadas transformando o Brasil num estado sem lei.  A oposição ao governo não existia. Alguns dos réus atuando no senado são condenados de uma prática de corrupção por pagamentos mensais a senadores e deputados a que se deu o nome de mensalão: Compravam-se votos da posição da oposição e quem sabe até dos que não eram nem uma coisa nem outra. O senado, um antro de negociantes ávidos pelo enriquecimento. E a presidência e os ministérios, estarão fora disto? Claro que pelo que se vê se pode pensar qualquer coisa. Dirão que sem provar não se pode julgar nem condenar. Certo. É verdade, mas a confiança no governo desaparece, e assim os cidadãos acham que deve mudar alguma coisa de muito importante, porque o poder está num meio de pessoas que nem sequer avisam que há desvios de moral no interior da casa. Tudo o que se descobre é por denúncias. O primeiro a denunciar que havia algo muito maior do que um simples roubo isolado foi o senador Roberto Jefferson. Foi também condenado, é certo, mas foi dele que saiu a denúncia. Não estou convicto, eu pessoalmente, de que devesse ser “tão” condenado.

Mas isto já não era um governo. Isto era uma anarquia controlada de forma oligárquica por um senado eleito “democraticamente”, olhem a ironia, pelo próprio povo do Brasil. Lá fora, os demais países do globo, tinham o Brasil como um país democrático, tão democrático que, numa época em que os Bancos correm atrás de cada centavo que lhes devem, o governo esbanjava dinheiro perdoando dívidas externas de milhões, bilhões na soma. Ninguém reclamava. Parecia que o governo representava realmente o povo. Pior ainda foi a constatação: O Senado desperdiçava com lucros próprios, e o governo distribuía dinheiro pelo exterior, promovia obras de vaidade, deixava os serviços públicos se deteriorarem. O governo não era uma benção, era um castigo. Parte de algum golpe para sublevar a população e instaurar uma ditadura?

Nas redes sociais, os mais extremistas de esquerda tentavam convencer que quem queria dar um golpe era a direita. Mas não havia nem direita nem esquerda. Isso era apenas uma “bola” de um jogo que rendia dinheiro, alucinações e diversão.

Mas o povo que saiu para as ruas saiu de verde e amarelo, vestindo camisas brancas ou verde-amarelas, gritando aos políticos e ao mundo que eram apartidários. E pelos vistos, para sempre. Nos últimos dez anos, a ação de corruptos corromperam a honra, a moral e a ética da política e dos políticos. Isto não se conserta, não tem volta porque completamente relaxaram com os deveres de seus cargos. O sistema não presta, a Constituição é vilipendiada e alterada a cada Medida Provisória[3].

Antes da ida dos cidadãos para as ruas em protesto, seria relativamente fácil consertar os erros, mediante pedidos de desculpas e promessas de que a partir daí tudo seria diferente. Mas agora, com o povo nas ruas, completamente descrente de seus políticos e partidos políticos parece não haver solução prática. Exceto a proposta por alguém desses brasileiros, desses desconhecidos, mas sempre atentos, com inventiva e discernimento, tudo na mais perfeita ordem e paz, que me disse:

- O Congresso não representa o povo, porque seus membros foram eleitos pelo voto segundo o estabelecido na Constituição?
- Representa, respondi.
- Mas face aos fatos parece que o povo perdeu a confiança nesses políticos. Como os votos foram em confiança, e eles provaram que já não a têm, o que o Senado tem que fazer é por na rua os condenados pela justiça e os demais que tenham ficha suja. Que aguardem o desenrolar do processo fora das instituições de governo.
- Vamos supor que isso fosse possível... Qual seria o próximo passo?
- Exigir a devolução das verbas desperdiças ou comprovadamente desviadas, e colocar todo mundo sob investigação, todo mundo mesmo, até o presidente do senado, verificar índices de riqueza e inquirir para determinar se houve enriquecimento ilícito. Tem que haver meio de saber quem foi beneficiado, quem pagou, quem recebeu, onde o dinheiro foi usado. E há as escutas telefônicas.
- Bem... Mesmo que sobrasse alguém no senado como em Sodoma e Gomorra... Qual seria o próximo passo?
- Refazer o orçamento da união e aplicar o dinheiro onde deveria ter sido aplicado, isto é, nos transportes públicos, na saúde pública, na segurança pública, no ensino público, nas infra-estruturas de água, esgoto, energia...
- Mas nesse caso, as obras da Copa poderiam não ser concluídas... A nação falharia frente à comunidade internacional...
- Não... Respondeu o meu amigo... O que é pior? Falhar com a FIFA ou falhar com 200 milhões de brasileiros?

Pareceu-me que o amigo tinha uma certa razão. Mas apresentou ainda mais um problema que eu mesmo resolveria se fosse um senhor Senador:
- Há um problema... Não vão ter tempo para fazer tudo isso de imediato. Eles só trabalham de terça a sexta... Imaginou quanto trabalho?

- Então que paguem parte de sua ineficiência, trabalhando de segunda a sexta, sem folga, sem férias, sem receber horas extras nem subsidio algum porque trabalharão dentro das instalações do senado. Deve ser estabelecido um prazo para terminarem...  Devem até trabalhar com a mesma alegria com que iriam votar 3.000 assuntos numa noite só, como foi o caso dos Royalties. Quanto ao prazo dois meses.
- E se não terminarem?
- Pagam uma multa diária com base nos juros bancários de cartão de crédito que eles mesmos deixaram subir à revelia... E nós, o povo, lhes pagamos no Maximo, os almoços, os lanches e os jantares que podem ser feitos na cozinha nova da presidente. Tão grande que dá para todo o mundo.

Mas o amigo era teimoso. Ainda tinha uma pergunta a fazer...
- E se para realizar tudo isso tivessem que infringir uma regrinha ou outra?
- Mesmo que fosse uma regra fundamental, já infringiram tantas, que mais uma não faria diferença, mas agora seria por uma excelente causa: Os cidadãos e cidadãs deste país, antes e tudo antes da presidente pedir demissão.


© Rui Rodrigues

PS – Creio que para o povo votante, ou pelo menos a maioria, vota por confiança, por fé nos candidatos, e nem sempre a lei é vista ou entendida sem uma dose de confiança. Quando o povo perde a confiança, a lei sente. Quando falha a lei, a confiança se vai por completo. Quando a podridão é tamanha numa instituição como o senado, todos devem pedir demissão e o supremo tribunal federal – os que entendem de lei, de moral e de ética, assumir o governo até novas eleições nas quais nenhum dos políticos eleitos nos últimos 50 anos poderão concorrer. É como na seleção de futebol. Mas antes, faz-se necessário mudar o sistema para uma Democracia Participativa.


[1]  O processo do Mensalão provou que se pode comprar votos de senadores e deputados através de gordas somas. Mas isto no Senado. Agora imaginemos se um Partido Político desejar governar para sempre. Pode entrar em acordo com os demais partidos numa enorme base aliada, programarem as urnas e os resultados serão sempre os que já tinham combinado. As verbas e os cargos então se dividem após as eleições. O povo que se dane, porque o dinheiro dos impostos é gordo e paga bem. 
[2] Há muitas décadas se falava da insegurança no Rio de Janeiro. Não era tanto assim, realmente. Vivi no Rio por mais de 50 anos e não conhecia casos de assaltos a amigos, familiares. Fui assaltado em 1988, de forma leve, e daí para cá o crime foi chegando mais perto: Hoje há mortes todos os dias por atos de violência. Rio é só um exemplo.
[3] Na ditadura militar, ou no “regime” militar, que dá  no mesmo (agora temos uma ditadura de políticos, ou um “regime” de políticos) as Medidas Provisórias tinham o nome de AI – Atos Institucionais. É como chamar de Cônsul a qualquer outra marca desde que seja uma geladeira. O povo sem instrução não entende isso. Precisamos melhorar os níveis de educação. Então este tipo de políticos desaparecerá por completo. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

A JURISPRUDÊNCIA E A MORALIZAÇÃO DO BRASIL

A JURISPRUDÊNCIA E A MORALIZAÇÃO DO BRASIL
Sob o ponto de vista da necessidade de uma constituinte.


A transição política da ditadura para um sistema democrático no Brasil, na passada década de 80, foi efetuada com a participação fundamental de um senador chamado José Sarney. Existem opiniões diversas, mas é certo que, tal como Lula, tanto estava de um lado como do outro. No caso de José Sarney, tanto do lado da ditadura para garantir que não houvesse revanchismo por parte da esquerda brasileira que provocasse perseguições a policias do DOPS, políticos e militares, e, além disso, “organizasse” o trabalho para convocar uma constituinte que nos desse uma nova Constituição. Realmente, a anterior era digna de qualquer ditador, por sua vez toda remendada e furada por Ais, isto é, Atos Institucionais que castravam a liberdade de expressão, prendiam e arrebentavam. O trabalho de coordenar foi entregue a Ulysses Guimarães.  Na época, se não me equivoco, nossa constituição foi considerada como uma das melhores do mundo. Mas que mundo? Um mundo em evolução, ainda na infância da participação popular. Na verdade, a nova constituição também permitia Atos. Não os Atos institucionais, mas Medidas Provisórias. Vistas as coisas com olhar crítico e isento, a nova constituição era falha. Ninguém até hoje alterou a Carta Magna num país muito conhecido de todo o mundo, que tem apenas 18 cláusulas. Se precisasse de emendas, seria um sinal de que tinha sido mal feita, e ninguém tem filho feio. Então veio-se alterando a constituição, que depende sempre de quem a altera, que partido a altera, ou seja, a constituição passa pela mão de todo o mundo que lhe tira um pedaço, lhe acrescenta outro, e de uma saga de uma nação, se transforma o documento num livro administrativo de gestão de zonas de meretrício. A constituição sofreu, durante o processo de aprovação, emendas que foram negociadas entre os partidos no Senado. Hoje podemos adivinhar que o interesse maior das emendas não visavam o bem estar público, mas os interesses políticos incluindo os lobies nos corredores. Lobies de empresas, bancos, instituições de caridade, religiosas,  mas os cidadãos não tinham ninguém para pedir, implorar, que os ouvissem. Os políticos os reprresentavam. Será?

É isto o que temos em mãos. Recentemente, fizeram uma lei para beneficiar os políticos de ficha limpa e punir os políticos de ficha suja, mas (que coisa realmente incrível), se “esqueceram” de estabelecer a partir de que data ela teria validade. O resultado foi que fichas sujas se reelegeram. Em muitas cidades se votou em candidatos que estavam inelegíveis. Candidatos que deviam à justiça e ao povo brasileiro, foram reeleitos, e recentemente, condenados da justiça foram reintegrados na posse de seus cargos no senado.

Esperem...

Temos um grande problema aqui: A responsabilidade recai sobre os políticos do senado, sobre quem faz as leis, e sobre quem deveria aplicá-las. É a falência total do governo brasileiro, englobando todos os partidos políticos sem exceção. A constituição apenas permitiu que todos se eximissem de responsabilidades e governassem a casa e a nação ao seu prazer, limitados apenas, não à vontade dos cidadãos, que reclamavam e não eram ouvidos, nunca, mas pura e simplesmente à maior ou menor dificuldade de os senadores, os políticos, os partidos políticos se “entenderem” nos interesses de cada um. E começaram a ver-se coisas absurdas, revoltantes que acabariam por levar os cidadãos de bem para as ruas. O maior dos absurdos é o fato de o governo gastar tudo o que arrecada, com taxas de impostos que estão em primeiro lugar em todo o mundo, e nada se fazer... Nem obras, nem serviços. Tudo parado. Poderíamos pensar que o próprio governo estivesse tentando dar um golpe, deixando a nação se transformar num inferno, para depois aparecer como o salvador da pátria. Mas nesse caso, para onde teria ido o dinheiro todo que foi recolhido por impostos e não foi convertido em desenvolvimento, saúde, segurança, ensino... Sumiu! Isto é um golpe dado por quadrilha que está no governo. E quem está lá são gente de todos os partidos políticos. Isto é, está tudo podre, os cidadãos nem têm uma oposição que modere a ambição e a sofreguidão financeira da política sobre o tesouro nacional.

Sem ser para rir, é aquela esquerda dos velhos ideais sociais, mais para o lado do socialismo comunista dos anos sessenta, quem desarrumou a casa e transformou a constituição num livro extremamente capitalista de surripiar dinheiro dos cofres públicos. O movimento do principal partido de esquerda não se destinou a dividir a riqueza com quem votou nele, que a estes só deu migalhas roídas em seguida pela inflação que voltou com toda a força a correr solta, mas aos lideres e amigos – deles, claro – recebendo em troca favores de influência no senado e em outros órgãos.

Como podemos acreditar que estes partidos políticos agora, sob mil promessas, se tenham corrigido, e passem a ser bonzinhos, cuidando da nação? Aceitariam ver seus salários nababescos rebaixados? Já? Amanhã ? Reduzir suas passagens aéreas a uma por mês e vetando viagens ao exterior por conta do Estado? Para começar por aqui, eles não aceitariam.

Porém surge o problema: Como demitir esses abutres se eles dizem que temos uma constituição que os legaliza, e que todos os benefícios foram legalmente atribuídos? Não há forma legal para isso. Uma revolução seria um ato de força, que atentaria contra a “constituição” moral de todos nós, cidadãos brasileiros que temos familiares de primeiro ao ultimo grau nesta terra abençoada e pelo mundo afora. Isso não. Esperar que os políticos consertem tudo o que está errado, devolvendo o dinheiro roubado, centenas de bilhões, rebaixar os salários, colocar na prisão quem foi condenado... Poderíamos esperar uma eternidade.

Mas ir para as ruas pedir uma nova constituição, votada item por item pelas redes sociais, isso podemos fazer. Aprovada, os políticos podem pegar suas malinhas e ir embora para casa, sendo substituídos por outros com uma nova mentalidade política:

Quem manda são os cidadãos, o governo obedece!

VIVA O BRASIL

© Rui Rodrigues



Obs-Parece que  nem se falou aqui na necessidade de participação no texto de uma nova constituição por parte da OAB, dos tribunais, dos partidos políticos nem dos políticos.. Todos nós, do Oiapoque ao Chui sabemos o que queremos. As redes sociais estão aí pára que possamos propor, discutir, votar. Com eles participando, tudo seria igual, mais coisa menos coisa. E muito menos precisamos de uma constituinte.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

o nojo



o nojo

O NOJO

O Nojo, não é um nome japonês gritado por quem não gosta de comer sushi [1], peixe cru, ou até um carpaccio ou um quibe cru [2] bem temperados de carne crua de vaca, que deveria ser sempre kosher[3], isto é, proveniente de animais criados e abatidos de forma humana e decente, como se isso fosse realmente possível. Fazemos o melhor que podemos para aliviar-lhes a morte, mas só de pensar em morte de qualquer ser vivo, seja ele um peixe, um mamífero ou uma ave, até mesmo uma abóbora, sinto o tal de nojo...

Nojo é aquela coisa que se sente e nos revolta o cérebro que começa a injetar enzimas e ácidos que nos fazem agitar os intestinos. Acaba sempre numa ida ao banheiro onde se usa o lavatório, o vaso ou os dois ao mesmo tempo. Temos um planeta tão maravilhoso que nada deveria ser abatido. Um dia teremos alimentos artificiais, até com novos sabores, que nos “iludam” a mente e o tomemos como “coisa abatida” dos velhos tempos da infância da humanidade em que se praticava a caça a monte.

Vem isto a propósito exatamente do “matar” e em especial, muito em especial, de algumas causas que mais provocam a morte na humanidade: As doenças e desastres e a corrupção.

Eu esperava que este texto se estendesse por laudas e laudas em que poderia explicar e dissertar sobre as causas de morte que mais nos afetam, a nós, cidadãos e nos incomodam e dão nojo, mas seria por vaidade de demonstrar que conheço alguma coisa deste mundo. Uma vaidade absolutamente desnecessária e sem sentido...

Basta que pensemos no triste fato do total que se rouba das verbas públicas em todo mundo, mas como vivo no Brasil, o total desperdiçado é muito maior do que 69.000.000.000 (sessenta e nove bilhões) de reais por ano, e somos dos países mais corruptos do mundo. Na verdade, agora, em que todos os países são “democráticos” embora não nos permitam votar em nada que os “eleitos” votam, nem sequer tirar-lhes o voto porque perderam a nossa confiança, são os governos que determinam como deveremos morrer, quando deveremos morrer mais ou menos, e quantos de nós terão que morrer, para que as riquezas sejam divididas por menor numero de pessoas que não devem ser incomodadas com a pobreza que lhes dá O NOJO.

Temos que mudar para uma humanidade que não é nem sequer kasher... E no Brasil muito menos. É um horror digno de um inferno político. Nossos políticos são o conteúdo fedorento dos intestinos de animal abatido, solto às moscas...

© Rui Rodrigues

domingo, 23 de junho de 2013

Meus professores me enganaram.

Meus professores me enganaram. 
Ficção não longe da realidade


Em casa nos ensinavam a sermos umas crianças boazinhas. A única maldade que aprendíamos em casa era a bater. Naquela época nos batiam para que fossemos crianças boazinhas. Não pensavam, não raciocinavam, e produziam revoltados. Eu vi mais tarde, aqueles que mesmo apanhando diziam que eram culpados, bem mais tarde, ainda bendizer as surras que apanharam de cinto, de chinelo, de palmatória. Mas isso era na escola. Apanhei bastante apesar de ser sempre o primeiro ou o segundo da turma, até o dia em que comecei de espontânea vontade a oferecer a minha mão para a palmatória da minha querida professora dona Ermelinda. Digo querida, porque sem ela, meu pai não me teria posto na escola para estudar e muito menos para me formar. Já ouvi falar do complexo de Édipo, do complexo de Electra, e agora temos que inventar o complexo de “inveja paternal”. Podia pagar com folga. Porque não queria que eu estudasse? Não valia a pena o sacrifício, que nem era sacrifício nenhum?  Mas quando me formei ficou orgulhoso e me apresentou aos amigos como “meu filho engenheiro”. Ah... Os professores... Então... Todos... Todos eles me ensinaram os bons modos, a ser um sujeito decente, competente, com a recomendação de que seria mais um cidadão do futuro a desenvolver a minha pátria. Como tenho duas pátrias, tenho que desenvolver duas, por isso que não recomendo a ninguém a dupla nacionalidade. Dá muito trabalho e por vezes sentimos que não vale a pena. Roubam-nos tudo em impostos e desperdícios. Melhor emigrar, ficar uns cinco anos e depois emigrar outra vez, depositando a grana economizada num paraíso fiscal que cobre menos imposto.  Assim nos roubam menos em nossa própria terra.

Nunca nenhum professor me alertou para os perigos da vida como eles realmente são. Os professores aprenderam muitas matérias, sofreram muito para estudar, conhecem a vida, mas as diretorias das escolas não deixam que nos alertem para os perigos, contando-nos como o mundo realmente é. Diziam-nos que deveríamos defender a pátria sem nos avisar porque raios de motivos nossos governos declaravam guerras ou se metiam em guerras, e nunca nos disseram que os presidentes tinham o poder de nos chamar em manifestações para baixar o cacete em populações nacionais indefesas, nós, os soldados, armados a acobertados até os dentes como se estivéssemos numa guerra de matar ou morrer. Diziam que era tudo maravilhoso, que a nação era uma esperança só. As duas que me catalogam como binacional. Toda a nação deveria ter verde em suas bandeiras, vermelha cor de sangue, negro a cor da imbecilidade, e branco que representasse o individuo sozinho, tentando sobreviver a esse caos onde todos mandam nele, lhe batem, lhe jogam gás de pimenta, lhe furam o couro com balas de borracha e o trancafiam numa prisão como se fosse um terrorista.

Viemos ao mundo errado, construímos um mundo errado, ou somos umas lesmas vagarosas e sem cérebro que não percebemos bem onde estamos, se numa folha verde de esperança, ou numa salada em um prato, prontos para sermos devorados pelos reis do castelo. Professores não ensinam isto. Não ensinam porque a diretoria e os donos dos colégios não deixam. Querem manter a juventude com esperanças, sem causar problemas em casa. Professor não é livre para ensinar nem para completar a educação de casa. Por isso em muitas escolas a violência dos alunos se torna insuportável. Eles sabem que os professores estão escondendo o jogo, e que “lá fora” a vida é muito diferente e há que sobreviver. E nem sempre os melhores alunos são os mais efetivos neste tipo de sobrevivência. E quando chegam nas empresas, todos verdes, cheios de esperança, começam a aprender coisas nas quais custam a acreditar, coisas que dão lucros incríveis para as empresas, das quais não escapam nem as santas igrejas que têm contas em Banco.

E quando temos nossos vinte anos, e enfrentamos o mundo, olhamos para trás, para o que nos ensinaram em casa e nas escolas e universidades, e comparamos com o que vemos na vida e nas empresas em que trabalhamos e ficamos pasmados, embasbacados, atônitos. Como é possível que sejam dois mundos tão diferentes? Enganaram-nos no ensino. O tempo todo nos enganaram. Talvez para mostrarem como estávamos domados, como éramos boas crianças, educadas, orgulho dos pais, por sua vez excelentes cidadãos... E lá vamos nós pela vida, o balconista enganando o freguês por ordem e instrução do patrão, mas com vontade de avisar que na outra loja o artigo é melhor e mais barato... Engenheiros e médicos, e todos nós, cooperando para as empresas ficarem cada vez mais ricas, arriscados a levar um tombo na vida, indo para hospitais de tratamento alienados, tendo visões com uma bata que mostra a bunda, soro na mão, pelos corredores dizendo: os alemães estão atacando... Cuidado com os índios, eles vão nos pegar... Ou entrar no carro e dizer em voz baixa que façam silêncio porque podem ter plantado escuta no veículo. E tudo para dar lucros às empresas que até pagam bem, muitas vezes não por competência, nem por quem indica, mas por eficiência no trato com as finanças.

Então, fartos de sermos explorados e de mandarem em nós desde a infância, sendo obrigados a esquecer os bons princípios que nos ensinaram durante toda a vida escolar e sob o teto dos pais, vamos para a rua reclamar contra a escravidão mensal, anual, secular, milenar... Sem nunca termos mudado decentemente este mundo, nem nós mesmos, os neo-escravos do século XXI e do Papa Francisco, no que pesem tantas escolas, tantas universidades – algumas católicas, tantos professores. Ninguém quer mudar nada aparentemente, a não ser quem vai para as ruas.

E vêm nossos irmãos, e nos baixam o sarrafo na avenida, só porque queremos decência no modo de governar, bons serviços públicos, bons transportes, boa infra-estrutura com água potável energia elétrica e esgotos tratados, boa educação.

Porque será que somos tão burros e idiotas que não mechemos uma palha para mudar de vida? Será doença? Se for, temos urgentemente que pedir uma bolsa-doença para sobreviver neste mundo, com alguns calmantes de sobra para vencer o mal estar.

Nossos professores também foram enganados. Será desculpável? O que mudou no ensino?

Há gente que está e esteve no governo, com e sem diploma, e que nem passaram pelas prédicas dos professores. Estavam entretidos com guerrilhas, com dar lucros a empresas, e não têm problemas de consciência. Outros até passaram bons tempos na escola, mas aprenderam rapidamente a “nobre” arte de embrutecer a consciência.



© Rui Rodrigues 

sábado, 22 de junho de 2013

Carta aberta ao Governo e ao Congresso nacional.


Carta aberta ao Governo e ao Congresso Nacional
(Para ler com calma e muita atenção)
A política nacional vandaliza a nação  
Em face da incredibilidade do setor político da nação quanto aos movimentos de rua  e à aparente ignorância sobre o que se passa, como se isso fosse possível num elenco de “eleitos” que por conhecerem os desejos da nação, a representam, aqui vai a explicação e vontades expressas nas ruas.
Se estivéssemos na década de 60, poderíamos dizer que nossos políticos são da “velha guarda” e os movimentos de rua da “jovem guarda”. Porém muitos de nossos políticos são exatamente dessa década, e como muito tempo já decorreu sem que nada de sensível mudasse neste país – vivemos nas ruas e pelas ruas reclamando - nossos políticos e nossa política são hoje da “guarda medieval”. Ficaram muito atrasados, usando uma constituição que pode ser alterada como  querem sem pelo menos consultar o povo para uma nova constituinte, como daquela vez em que se chamou o Ulysses Guimarães. Com tantas alterações através de PAC, transformou-se numa colcha de retalhos, um trapo que qualquer político pode alterar como no humilhante caso da PEC-37, um autentico AI-5, ato institucional do tempo da ditadura.  
Não há mostras do governo de voltar atrás neste assunto, e evidentemente que o povo já demonstra nas ruas a sua insatisfação. Para um governo e um congresso que deveriam representar o povo, se estão tão certos de que estejam certos, façam um plebiscito. A constituição ainda os permite. Digo ainda, porque, quem sabe, vem aí mais uma PEC impedindo ou limitando plebiscitos. Este é um temor dos manifestantes, que representam toda a sociedade mentalmente saudável desta grande nação, tão grande, que fiquem certos, é muito maior do que o seu governo.
O povo está nas ruas contra a corrupção... Mas há condenados que estão soltos, e pior ainda, mandando no Congresso, votando no Congresso, dando opinião. Ora, não seria o caso de tantos corruptos se demitirem de seus cargos? Claro que não. O sistema lhes assegura que continuarão impunes, e é isto que o povo não quer. A burocracia para tirar um voto de confiança dado é tão grande, e o tempo de quem trabalha tão curto para outras atividades que não sejam o trabalho, esmorece vontades, faz desanimar. Então o povo vai para as ruas numa demonstração só, que engloba os altos custos inexplicáveis das passagens de transporte público, o desmazelo e desinteresse das empresas de telecomunicações em melhorar o serviço e deixarem de cobrar pelo que não propiciam, gente morrendo em filas de hospitais porque além de faltarem médicos falta de tudo e nada funciona, ensino péssimo, horrível, morre gente pelas ruas em assaltos diariamente por que falta segurança pública. Mas é tão alto o valor dos impostos cobrados aos cidadãos e o valor arrecadado tão alto, que somente a corrupção nos preços unitários, nos valores globais, nos salários de governantes e nos desperdícios por péssima administração podem explicar porque razão somos tão ricos financeiramente como uma sexta economia do mundo, e tão pobres como nação de pessoas que trabalham durante toda a sua vida sem ter nada de decente nem no que respeita ao essencial. Nem são necessários números nem olhar as avaliações mundiais para sabermos que se rouba muito e se desperdiça muito no nosso setor governamental. Mas mesmo depois do pronunciamento da presidente da nação não  há sinalizadores de que algo irá mudar. O discurso de Dilma Rousseff foi de força, de que tudo continuará como sempre esteve. Como o povo já conhece bem, muito bem, nossos políticos, já não se engana nem se pode enganar.
Não há um único ministério que funcione a contento, porque os cargos são de confiança e não de capacidade. Qualquer um pode convencer ou enganar um ministro e sua assessoria, a começar por esta mesma. O sistema é todo ele falho, voltado para a corrupção, sob lindas leis que não se cumprem, a começar pela primordial de que o governo deve representar o povo, e o faz através de propaganda. As propagandas são sempre muito lindas como no regime de Stalin ou de Mao tse Tung, ou mesmo dos Ayatolás, mas não resolve o nosso problema nem resolveu o deles, nem em Cuba, nem na Venezuela, nem na Argentina. E perdemos o trem do México, do Chile e da Colômbia que criaram um Mercosul separado, porque nesta organização comercial se misturou política com negócios. As obras da Copa bradam aos céus de todos os engenheiros e economistas desta nação, que não só no planalto existem engenheiros e economistas. Aliás, de valor, de gente que entenda da profissão, não há nenhum porque todos são, no governo, “de confiança”. Não da nossa, senhores e senhoras, da vossa confiança.
Sentimo-nos numa jangada de pedra, navegando cada vez mais para fora do mar da confiabilidade internacional, do comércio internacional, da educação, da saúde, da segurança, dos transportes, das nações. Estamos a ponto de nos reduzirmos a um bando que tem uma bandeira com crack e outras drogas espalhadas por todos os lados.
O que fizeram com o nosso Brasil, o nosso querido Brasil? Porque sois tão insensíveis, gente tão ruim, da pior espécie que mata mais em seus desvios e desperdícios do que os vândalos dos movimentos de rua?
Não votaremos nas próximas eleições, até que por iniciativa própria tomem as medidas para sanar o setor político. Esperamos que agora não restem duvidas do que se quer, mas se ainda restar alguma, como sabem perfeitamente o que é certo e o que é errado, consertem vossos erros de imediato, antes que este país caia numa revolução civil que ninguém quer, mas da qual nada se teme. Este pobre povo não teme a morte.
O que queremos é participar das decisões de governo... Queremos uma Democracia Participativa. Não queremos uma nação vandalizada pela política. 

©  Rui Rodrigues

terça-feira, 18 de junho de 2013

História Infantil – Maya em Londres

História Infantil – Maya em Londres
Maya já sabe fazer uma porção de coisas. Ela sabe cozinhar, dançar, e já aprendeu a escrever o nome dela. Fala algumas palavras em inglês. Adora brincar e gota muito de seus amiguinhos e amiguinhas da creche. Uma das coisas que gosta muito é de visitar o avô Rui, e também já andou de avião. Gosta de aprender e de aventuras. Um dia foi com a mãe e o vôvô Rui ao jardim zoológico do Rio de Janeiro. Era um lugar muito bonito, cheio de animais todos diferentes.  Sentiu pena que alguns deles estivessem numa jaula, sem poderem sair, sempre presos, o dia inteiro. A melhor coisa do mundo era a liberdade de poder fazer alguma coisa sem ficar preso dentro de gaiolas com grades. Ela gostaria de viajar um dia para o lugar de onde aqueles animais vieram e ver como eles viviam. Os únicos animais que conhecia mesmo eram umas vacas, uns cavalos, algumas ovelhas e porcos lá do Rio Grande do Sul, e uma gata do vôvô e dois galos e duas galinhas que o vôvô tinha lá no galinheiro e que punham ovos gostosos. Pássaros sempre via. Mas os outros animais do zoológico, não via nenhum pelas ruas. Um dia chegou cansada da escola. Ainda pegou seu patinete, colocou o capacete e as joelheiras pensando que iria descer um pouco para brincar, mas não agüentou e foi para a cama. Antes de dormir sempre conversa com a mãe. Então perguntou:
- Mãe... Podemos sonhar com o que queremos?
- Algumas pessoas podem. Mas tem que treinar, porque durante o sono a nossa cabeça arruma todas as informações que recolhemos durante o dia, e nessa arrumação as informações se misturam de maneira maluca que não entendemos e isso é que faz o tal do sonho. Sonhamos com coisas absurdas ou não.
- Hoje eu queria sonhar com Londres.
A mãe sorriu e perguntou:
- Você conhece Londres?
-É uma cidade muito grande, mãe. Tem uns guardas com uns capacetes pretos e uma farda vermelha cheia de botões dourados tem uma ponte, um rio e um enorme relógio que chamam de Big-Ben. Há... E ônibus de dois andares. Vi no filme da Mary Poppins aqui em casa.
- Então já sabes muito sobre Londres. Mas agora tem também uma enorme roda gigante de onde se vê toda a cidade. Quem sabe podes sonhar com Londres... Tenta pensar na cidade. Quem sabe...
E Maya adormeceu depois que desistiu de pensar em sonhar com Londres.

Quando acordou, estava no aeroporto de Heathrow na Inglaterra, na cidade de Londres. Estava com uma roupa de frio, mas estava sozinha. Não gostou disso. Gostava de estar com a sua mãe que sempre cuidava dela. Mas também aprendera a resolver os problemas quando estava sozinha. Um sujeito simpático, com farda de policial perguntou em inglês, a língua que ela já conhecia, para onde ela ia. A primeira coisa que lhe ocorreu foi ver os animais de Londres. Disse ao sujeito que ia ao Zoológico, depois que ia comer doces e que depois ia a uma festa de aniversário no palácio de Buckingham porque ela também era uma princesa.
O guarda sorriu...
- Minha querida princesa... – disse o guarda - Não vou duvidar que consiga, mas a Rainha está no palácio de Buckingham e não vai receber ninguém porque está com uma grande dor de cabeça.
Maya parou para pensar. Será que queria tanto sonhar com Londres e aquilo era apenas um sonho?... Se fosse um sonho, não estava bom, porque estava sozinha em Londres. Então pensou: Se eu olhar para os lados e vir meus amiguinhos da creche, eu não estarei sonhando. Acho... E olhou... Ficou surpresa. Lá estavam suas amigas Gigi e Maria, e seus amigos João Faraco e João Pedro. Como poderiam estar ali? Então não estava sonhando? Ou estaria... E que importava se estava ou não? Estava era muito bom o sonho.
-Olha... Disse Maya para o guarda. Estou com meus amigos. Pode nos levar ao palácio... Duvido que a rainha não nos receba.
O guarda assentiu. Iria levar o grupo ao palácio só para eles verem que não podiam entrar. A rainha era simpática, mas estava sempre indisponível para visitas.
A Rainha soube que havia um grupo de crianças do Brasil que queria visitá-la. Como gostava muito do Brasil e das crianças brasileiras, agradeceu ao guarda e disse:
- Muito obrigado senhor guarda. Parece que adivinhou que hoje o melhor que eu poderia fazer era conversar com crianças do Brasil. Olhe... Tome lá um algodão doce do palácio, e um chupa-chupa para alegrar o seu dia.
E lá foi o guarda comendo o algodão doce. O chupa-chupa ele guardou para quando chegasse em casa, para os seus filhos.

- Senhora Rainha...- Disse Maya. Eu e meus amigos estamos aqui para conhecer Londres. Como a senhora é a rainha, pode nos ajudar? O que podemos ver?
- Bem... Eu não mando nada na Inglaterra nem em Londres. Quem manda são uns senhores que o povo elege e que se chama de Parlamento. Eu sou uma figura decorativa que o povo ama e adora. Mas posso colocar a minha carruagem à vossa disposição para que conheçam a cidade. Esperem um pouco.
A rainha então olhou para um senhor de casaca que esperava muito calado, em pé, com o nariz empinado para cima, olhando para o teto. Maya não sabe como, mas o senhor, o mordomo, não olhava só o teto, e saiu da sala. Ele já sabia o que fazer, e em cinco minutos em que Maya, seus amigos e a rainha tomaram um chá com biscoitos, saíram todos para uma carruagem linda que estava esperando na porta do palácio. A rainha disse:
- O que preferem? Visitar a cidade na minha carruagem, ou irem de guarda chuva junto com a Mary Poppins? – As crianças gritaram todas ao mesmo tempo.
- Com a Mary Poppins... E de guarda-chuva!
- Então eu levo vocês até a roda gigante e lá vocês se encontram com a Mary Poppins.
Chegaram à Roda Gigante, despediram-se da agradável rainha, entraram nas cadeirinhas, amarraram os cintos de segurança e a roda começou a rodar. Cada vez subia mais. Parecia um helicóptero subindo muito lentamente, os prédios ficando cada vez menores. Quando chegaram lá no topo, a roda parou com um tranco. As crianças se assustaram com o tranco. Todo mundo lá embaixo olhou para cima, quem estava lá em cima olhou para baixo. Então se ouviu um OH... Enorme, de uma multidão lá embaixo. Maya e seus amigos pensaram que a roda ia cair. Agora Maya pensou que era melhor que fosse só um sonho. Mas logo se arrependeu quando ouviu uma voz cantando que dizia:

- Olá crianças, vamos passear, ioreléri, ioreléri, ioreleritiiiiiiii...

Era a Mary Poppins em pessoa, com uma mala na mão e um guarda-chuva. E lá foram todos, puxados pela Mary Poppins, voando sobre Londres.
- Mary Poppins... Disse Gigi... O que tem na mala?
- São docinhos chamados Petit-Maibi. Tem uma porção deles. São os mais gostosos da cidade, fofinhos... Doces... Quentes ou frios. Estes estão frios. Vou levar vocês até a ponte. Lá vão se encontrar com um grande amigo meu: Peter Pan e Sininho. Vamos passear no barco pirata do capitão Gancho e de seu imediato o Barrica num passeio pelo rio Thames.
Deram um lindo passeio por Londres. Depois entraram numa estação de Metrô, e viajaram mais uma meia hora, comendo os docinhos Petit-Maibi com leite de chocolate. Chegaram ao cais da cidade e lá estavam Peter Pan, o capitão Gancho, Sininho e o capitão Barrica. Então apareceu um enorme tubarão que queria engolir o barco pirata. O Capitão Gancho com medo de perder outro braço – já tinha perdido um com um tubarão enorme no passado – fugiu para o seu quarto. Sininho voou e ficou tremendo, batendo as asas lá em cima, perto do mastro maior do barco. O capitão barrica encolheu-se no convés do barco, junto à amurada. Peter Pan não sabia o que fazer, voando de um lado para o outro do barco. As crianças pareciam estar perdidas. Então Maya falou...

- Bobinhos todos... Isto é um sonho. Agora sei que é um sonho, porque o rio Thames não tem tubarões... Tubarões não nadam em rios.

E acordou rindo, às seis horas da manhã, para se aprontar para ir para a creche. Era segunda feira e o domingo tinha sido muito bom. Sonhar era muito bom. Ia pensar em que sonhar nos próximos dias, mas tinha que aprender muitas coisas, para não ficar com medo como A Mary Poppins que tinha desaparecido quando viu o tubarão, todos os outros ficando cheios de medo, porque não sabiam que em rios não há tubarões...



© By Rui Rodrigues. 

Os movimentos de rua no Brasil, de junho de 2013.

Os movimentos de rua no Brasil, de junho de 2013.
(aos que se movimentaram em paz, com ética, e toda a moral do mundo)

Em 1997 editei, eu mesmo, o livro “Ré-Pública”, ISBN 85-900308-1-4, sob o grande título de “Civilização”, com capa de Adriano Mota e edição de texto de Ângela Portocarrero. Pseudônimo de Rui Nogueira como homenagem a minha mãe de quem, erroneamente não herdei o sobrenome. Meu pai não gostou, mas com todo o carinho e admiração que tenho por ele, eu gostei. Aliás, a mãe dele, minha avó, tinha também o sobrenome de Nogueira, de quem meu pai também não herdou o sobrenome. Coisas de uma aldeia onde grupos buscam sua influência para tecerem suas teias conforme crêem ser mais justos ou injustos. Admirador do povo judeu, de quem sou descendente, não gostei que, à revelia, me tivessem capado o nome de minha mãe, fosse ela o que fosse, quem fosse, onde fosse. Pai é pai e mãe é mãe. Amamos sempre as mães.
Livro Ré-Pública ... Propõe a Democracia Participativa
Surgiu daí a minha primeira grande indignação: Como ousaram, quando eu tinha sete anos de idade, me escamotear o sobrenome de minha mãe, sem me consultarem, e ainda me trocarem os sobrenomes de tal forma que nem parece, a quem analise, que sou filho do meu pai? Espero que se entenda o que representa para uma criança a perda de sua identidade pelo prazer de um grupo que poderia identificar como qualquer coisa, que, por ser à revelia, nos permite pensar em qualquer coisa: Limpeza étnica de nomes judaicos, rivalidades infantis entre famílias dos Rodrigues e dos Monteiros, ações tomadas depois de uma bebedeira com o excelente vinho de Fornelos que já não tomo há exatos 29 anos... Saudades... Saudades do meu velho e bom pai, dos amigos e amigas de Fornelos, desse Portugal que abandonei por três vezes para voltar, sempre, para o meu amado Brasil. Brasil é tão maravilhoso que se torna um vício. Sou adicto ao Brasil.

No livro “Ré-Pública” reduzo ao pó do tempo as ditaduras, os reinados, os impérios, os sistemas políticos normalmente conhecidos como Comunismo, socialismo ou capitalismo, todos disfarçados de repúblicas representativas: Os cidadãos votam nuns sujeitos que são custosamente promovidos a cada quatro ou cinco canos, e isso é tudo. Já eleitos nunca mais nos consultam e fazem o que querem. Quando alguns deles são descobertos enfiando a mão no saco do dinheiro, são postos no olho da rua e substituídos por outros que continuarão agindo da mesma forma, sem repetir os mesmos erros. Cometem outros diferentes, mais sutis e que demoram mais a serem descobertos. Isto não é política, é comércio. Comércio por dinheiro ou comércio por favores. 

Desde 1997 que venho disseminando a idéia da primeira noção de Democracia, a mais pura, nascida na Grécia, quando os cidadãos se reuniam em praça pública e levantavam o braço se votavam a favor ou deixando-o pendente, se não concordavam com alguma lei ou algum projeto. Isto chamou a atenção de um grupo que seguia idéias diferentes: os sofistas. Estes queriam uma representatividade, para “facilitar” e agilizar os processos. Para aquele tempo poderíamos até entender a necessidade: Não tinham celulares, computadores, Internet... E a votação obrigava a conclamar o povo, muitas vezes de emergência. Era realmente uma zona, esse tipo de votação. Mas agora temos à nossa disposição todos os meios para tornar instantânea qualquer votação para qualquer coisa que necessitemos. E não precisamos de ninguém nem para sugeri-las: Os próprios cidadãos propõem projetos, leis e projetos de lei, e eles mesmos votam. Os poderes no governo, que também indicamos, fazem o trabalho de fazer valer o que aprovamos pelo voto. Ponto final, muito simples.

Tive o bom senso de enviar exemplares para Universidades e Escolas quer no Brasil, que em Portugal, Inglaterra, EUA, por correio, à atenção das respectivas bibliotecas. Isto desde 1997.  Uso a NET desde que foi criada, e sempre expus estas idéias. Yes, we can... Sim.. Nós podemos votar em tudo o que quisermos. E foi com agrado que passados pouco mais de dez anos, vi novas constituições serem votadas nos países nórdicos, na Islândia e na Suíça, através de votos populares, usando a rede da NET. Foi o primeiro grande passo para a expressão da vontade cidadã sem intermediários que sempre levams a sua parte financeira dos meios disponíveis, e que sempre fará falta para a educação, a segurança, a saúde, os transportes, a vida pública saudável, tal como os cidadãos desejam. Com a crise de 2008, provocada por banqueiros, tal como em 1929, o mundo entrou em parafuso, porque a ambição desmedida fez os cidadãos entrarem num mundo novo de escravidão para pagar juros de incompetência e mancomunação entre capital e política. A política transformou-se num mercado capitalista com um grande sócio: Os governos do mundo, doando verbas públicas que, naturalmente, por sua falta, provocaram o caos nos serviços públicos, nos níveis de desemprego, e acarretam perdas de bens, como se a culpa fosse dos cidadãos.

Esta crise ficará na história como a crise que fez mudar a forma de enfocar a política. Nos governos atuais, com os partidos políticos fazendo eleger seus próprios membros para postos de governo, mancomunados com as empresas, num entorno de ambição desmedida, nada se mudará. É necessário que o sistema mude para abraçar a participação cidadã, pública. Pública, isto é de República.. A coisa pública, e não a coisa particular, que foi no que os governos se transformam desde a nascença, por opção forçada.   
 Povo em paz sai para as ruas, sem bandeira de partidos
Que visão política pode ter um torneiro mecânico, um militar, um motorista de caminhão, uma viúva de político que fez plástica, sem instrução e sem nunca terem trabalhado ou participado em cargos de governo? Que visão política interna ou externa poderão ter?

Nenhuma...

Mas se, pelo contrário, colocarmos nossas vidas na mão de sujeitos com diploma e instrução que fizeram carreira política, que podem fazer o que quiserem ao abrigo de leis que eles mesmo votam, qual a diferença?

Nenhuma...

Ambos têm em comum a ambição, a vaidade.

Nós somos cidadãos. Não podemos depender da vaidade nem da ambição de terceiros que não nos representam.

Parabéns Brasil pelos movimentos em todo o País que levou centenas de milhares de jovens, novos e velhos na idade, em junho de 2013, para as ruas desta nação maravilhosa querendo mudar o que tem – necessariamente - de ser mudado.
 O que o povo realmente quer
Mas não esqueçam que, discutir o sistema dentro do próprio sistema, é como tomar aspirina para um ataque de AVC... Morre-se com um pouco menos de dor de cabeça. E nunca é demais lembrar que os políticos não nos dão nada. Nossos impostos pagam tudo. O problema é que pagamos muito e não recebemos quase nada. Perguntem pelas ruas, casas, shoppings, armazéns, campos, praças, mares, ares, aeroportos, prisões, lares, transportes públicos, hospitais, postos de polícia, forças armadas, se estou mentindo...


Rui Rodrigues

PS- Para saber mais sobre a extensão da Democracia Participativa, favor consultar o linkhttp://conscienciademocrata.no.comunidades.net/


ESCLARECIMENTO:
O que os políticos contumazes – porque não é profissão nem deveria ser – Ainda não entendem


O povo foi definitivamente para as ruas. Não têm partido. Têm necessidades que nenhum partido político tem conseguido prover com o dinheiro dos impostos que pagam, há séculos... O mundo está farto de ver políticos contumazes, eventuais, se embrulharem em custosos ternos, se enlatarem em carros caros, desprezando as necessidades cidadãs.

Os impostos não são estabelecidos anualmente em função de um orçamento, mas são fixos, sem dar folga aos cidadãos. É tanto dinheiro arrecadado, à disposição desses políticos contumazes, sem responsabilidade financeira sobre seus atos, que não há como resistirem à tentação de morder uma parte.

O povo que foi para as ruas não tem partido político, nem precisa que nenhum político contumaz, eventual, oportunista, lhe venha dizer o que necessita nem o que quer, nem como “deveria ser”. O povo sabe. Sempre soube.

O povo quer participar dos atos de governo. O povo quer ser ouvido. O povo quer governar-se, longe desses políticos oportunistas e contumazes, os quais, em vez de atender o povo, exige por leis que o povo os atenda.

É tão simples, que os gordos e ambiciosos olhos mentirosos dos políticos não conseguem enxergar. São politicamente vesgos, estrábicos, estronchos e não pressentem sequer os ventos da história.

Então, face aos justos movimentos em toda a sociedade e em todas as cidades brasileiras, somos obrigados a pagar as propagandas de partidos oportunistas que agora aparecem em massa na mídia querendo encampar o movimento a seu favor. É mentira... O movimento das ruas não partiu de qualquer partido político, de qualquer político...

Entendam isto, senhores políticos que fizeram da política seu modo de vida, seu ganha pão, seu ganha carro, seu ganha tudo... Exageraram na dose na Espanha, nos EUA, na Grécia, na Inglaterra, na França, em Portugal, e em outros países incluindo o nosso Brasil, porque confundiram política com economia, política com interesses pessoais e de apoiantes.

Não fizeram o seu trabalho de casa, que é saber, dia a dia, e atender, às necessidades do povo, não como façanha, ou benemerência de partidos ou políticos, mas como OBRIGAÇÃO.

Obriguem-se, senhores políticos. O movimento que corre mundo não tem bandeiras vermelhas, não se fala em filosofias nem cores ou símbolos políticos. Para o movimento, os políticos têm a obrigação de atender a coisa pública, a velha “res pública”, e é para isso, somente para isso que lhes pagamos, de forma tão exagerada, com retorno tão infimamente desproporcional, que o movimento ganhou as ruas. E delas não sairá tão cedo. A simples redução das passagens é um grão de areia num deserto de atendimento à nação. 



Rui Rodrigues